Os fatos que desmontam a narrativa da vitimização.
Há quem insista em vender à sociedade cabo-verdiana uma narrativa conveniente: a de que o líder do PAICV, Francisco Carvalho, estaria a ser alvo de uma perseguição orquestrada pela justiça, pelo poder político e pelo Governo — como se existisse um grande conluio para o abater politicamente.
Essa tese pode ser útil no discurso. Mas desmorona-se quando confrontada com os factos.
Vamos a eles, sem rodeios.
- As palavras são dele, não dos adversários
É ou não é verdade que Francisco Carvalho afirmou publicamente, e sem ambiguidades, ter um “entendimento de aço e sólido” do partido único, das milícias e dos chamados “tribunais de zona”?
Isto é uma falsificação política ou uma declaração real, registada e assumida?
Num Estado de Direito democrático, tais afirmações não são inofensivas. São alarmantes.
- A implosão veio de dentro
É ou não é verdade que entrou em rutura com os seus próprios vereadores, perdendo a maioria política no executivo municipal que liderava?
Foi o Governo central que criou esse conflito ou foi o próprio exercício do poder que o gerou?
- As denúncias partiram dos seus aliados
É ou não é verdade que foram vereadores do seu próprio elenco a denunciar indícios de crimes como corrupção, falsificação e outros ilícitos graves?
Desde quando a justiça “persegue” alguém com base em denúncias feitas por quem estava ao seu lado?
- As queixas não são isoladas
É ou não é verdade que existem outras denúncias, apresentadas por diferentes pessoas e entidades, alheias a qualquer lógica partidária?
Quando as participações são múltiplas e convergentes, falar em conluio já não é defesa política — é fuga à realidade.
- O confronto direto com a justiça
É ou não é verdade que, perante um mandado de buscas do Ministério Público, houve ordens para trancar ou encerrar instalações públicas — mercado, cemitério — numa tentativa clara de obstruir a ação da justiça?
Desde quando isso é atitude de quem respeita a legalidade e a separação de poderes?
Perante este quadro, a pergunta impõe-se com brutal clareza:
Há um conluio contra Francisco Carvalho ou Francisco Carvalho está em guerra consigo próprio?
A justiça não cria crises políticas.
A justiça reage a factos.
Quando:
- as declarações são extremistas,
- os aliados se afastam,
- as denúncias vêm de dentro,
- e há resistência aberta ao cumprimento de mandados judiciais, não estamos perante perseguição.
Estamos perante responsabilidade política e possíveis consequências jurídicas.
Num Estado de Direito democrático, a vitimização não apaga factos, não neutraliza provas e não substitui a lei.
Quem desafia a democracia, mais cedo ou mais tarde, é confrontado por ela.



Cusa sta mariado!
Apesar do apoio de UJMN.
O Francisco não merece.
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