Perseguição ou auto-sabotagem política?

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Os fatos que desmontam a narrativa da vitimização.

Há quem insista em vender à sociedade cabo-verdiana uma narrativa conveniente: a de que o líder do PAICV, Francisco Carvalho, estaria a ser alvo de uma perseguição orquestrada pela justiça, pelo poder político e pelo Governo — como se existisse um grande conluio para o abater politicamente.

Essa tese pode ser útil no discurso. Mas desmorona-se quando confrontada com os factos.

Vamos a eles, sem rodeios.

  1. As palavras são dele, não dos adversários

É ou não é verdade que Francisco Carvalho afirmou publicamente, e sem ambiguidades, ter um “entendimento de aço e sólido” do partido único, das milícias e dos chamados “tribunais de zona”?

Isto é uma falsificação política ou uma declaração real, registada e assumida?

Num Estado de Direito democrático, tais afirmações não são inofensivas. São alarmantes.

  1. A implosão veio de dentro

É ou não é verdade que entrou em rutura com os seus próprios vereadores, perdendo a maioria política no executivo municipal que liderava?

Foi o Governo central que criou esse conflito ou foi o próprio exercício do poder que o gerou?

  1. As denúncias partiram dos seus aliados

É ou não é verdade que foram vereadores do seu próprio elenco a denunciar indícios de crimes como corrupção, falsificação e outros ilícitos graves?

Desde quando a justiça “persegue” alguém com base em denúncias feitas por quem estava ao seu lado?

  1. As queixas não são isoladas

É ou não é verdade que existem outras denúncias, apresentadas por diferentes pessoas e entidades, alheias a qualquer lógica partidária?

Quando as participações são múltiplas e convergentes, falar em conluio já não é defesa política — é fuga à realidade.

  1. O confronto direto com a justiça

É ou não é verdade que, perante um mandado de buscas do Ministério Público, houve ordens para trancar ou encerrar instalações públicas — mercado, cemitério — numa tentativa clara de obstruir a ação da justiça?

Desde quando isso é atitude de quem respeita a legalidade e a separação de poderes?

Perante este quadro, a pergunta impõe-se com brutal clareza:

Há um conluio contra Francisco Carvalho ou Francisco Carvalho está em guerra consigo próprio?

A justiça não cria crises políticas.

A justiça reage a factos.

Quando:

  • as declarações são extremistas,
  • os aliados se afastam,
  • as denúncias vêm de dentro,
  • e há resistência aberta ao cumprimento de mandados judiciais, não estamos perante perseguição.

Estamos perante responsabilidade política e possíveis consequências jurídicas.

Num Estado de Direito democrático, a vitimização não apaga factos, não neutraliza provas e não substitui a lei.

Quem desafia a democracia, mais cedo ou mais tarde, é confrontado por ela.

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