O preço do petróleo mantém a trajetória de forte subida pelo terceiro dia consecutivo, pressionado pela escalada da guerra entre os Estados Unidos e o Irão e pelos riscos crescentes para o abastecimento mundial
A subida ocorre num contexto de crescente instabilidade no Médio Oriente, com perturbações no transporte de petróleo através do Estreito de Ormuz, uma das principais artérias do comércio mundial de energia. A situação é agravada pela ofensiva dos Houthis no Iémen e pelos riscos para a navegação no Mar Vermelho e no estreito de Bab el-Mandeb.
Ontem, quinta-feira, o Brent registou uma subida superior a 6%, fechando nos 107,63 dólares, enquanto o petróleo norte-americano WTI ultrapassou igualmente a barreira dos 100 dólares. Hoje, sexta-feira, apesar de alguma correção durante a sessão, o Brent continua em níveis historicamente elevados e acumula uma valorização semanal próxima dos 10%.
A escalada dos preços representa uma nova pressão sobre a economia mundial, ao aumentar os custos dos combustíveis, dos transportes e da produção e ao alimentar receios de uma nova aceleração da inflação. Os mercados financeiros também têm reagido negativamente ao aumento dos custos energéticos.
Para Cabo Verde, um país fortemente dependente da importação de combustíveis, a evolução do preço internacional do petróleo assume particular importância. O aumento da cotação do Brent pode refletir-se nos custos de aquisição dos derivados de petróleo e, consequentemente, exercer pressão sobre os preços dos combustíveis no mercado nacional.
Com o Brent novamente acima dos 100 dólares, a crise no Médio Oriente deixa de ser apenas uma questão geopolítica e transforma-se também numa ameaça direta aos custos da energia e à inflação à escala mundial.





