A forte valorização do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela crise no Médio Oriente, aumenta os riscos para países importadores como Cabo Verde, com potenciais reflexos nos combustíveis, transportes, eletricidade e preços dos alimentos
O preço do petróleo mantém-se sob forte pressão em 2026, num contexto marcado pela guerra no Médio Oriente e pelas perturbações no mercado energético mundial. Segundo a Reuters, o Brent apresenta este ano uma média próxima dos 90 dólares por barril, bem acima dos cerca de 70 dólares registados em 2025, enquanto o diesel e o combustível para aviação também registam aumentos significativos.
Para Cabo Verde, país fortemente dependente da importação de combustíveis e de outros bens essenciais, a evolução dos preços internacionais representa um risco acrescido para a inflação e para o custo de vida. Uma subida prolongada do petróleo tende a encarecer não apenas os combustíveis, mas possivelmente os transportes marítimo e aéreo e, por efeito indireto, diversos outros produtos importados.
O impacto pode igualmente atingir setores estratégicos da economia cabo-verdiana, como a produção de eletricidade, a dessalinização da água, a pesca e os transportes, aumentando os custos de funcionamento das empresas e pressionando os preços pagos pelos consumidores.
A situação merece atenção especial num país insular como Cabo Verde, onde os custos de transporte e energia têm um peso significativo na formação dos preços. Qualquer agravamento da crise no Médio Oriente ou nova perturbação no abastecimento mundial de petróleo poderá ampliar essa pressão nos próximos meses.
A evolução do mercado internacional será, por isso, determinante para os próximos preços dos combustíveis em Cabo Verde e para a trajetória da inflação no país.


