Política Externa do Governo “não é, nem pode ser” a política externa do PAICV

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É a resposta, categórica, do Governo à crítica da Oposição a respeito das relações entre Cabo Verde e o Reino de Marrocos

De forma contundente, o Governo posicionou à crítica do PAICV que pelo seu Presidente, Rui Semedo, de manhã, criticou o que considera mudança “profunda” do País em matéria de política externa.

O motivo é o reconhecimento territorial de Marrocos, pelo Governo, um pronunciamento feito pelo Primeiro-Ministro no quadro da sua visita ao Reino de Marrocos. O PAICV não gostou do reconhecimento, o Governo explicou.

“Para um País como Cabo Verde, ter uma política externa coerente, clara, credível, responsável e ao serviço do interesse nacional significa, acima de tudo, estar em condições de ler a evolução da situação internacional e desenvolver relações de parceria que permitam promover a defesa do interesse nacional, ao invés do apego confortável ao passado e princípios e valores assumidos de forma estática”, começou por explicar o Ministro dos Negócios Estrangeiros, a partir de Rabat, onde acompanha o Chefe do Governo em visita oficial.

“A postura do PAICV (…) , está marcada por pressupostos ideológicos”, ajuntou Rui Figueiredo Soares, lembrando ao líder do PAICV que o “congelamento” das relações com a RASD aconteceu no tempo do último Governo do PAICV, liderado por José Maria Neves, agora Presidente da República.

O chefe da diplomacia Cabo-verdiana, acentuou que a visita que Ulisses Correia e Silva realiza a Marrocos, que coincidiu com segunda Reunião da Comissão Mista entre os dois países inscreve-se no “posicionamento claro” de Cabo Verde nas suas relações com o Reino de Marrocos, “posicionamento esse que ficou claro com a abertura da nossa Embaixada em Rabat e do Consulado geral em Dahkla”, enfatizou, pontuando que aquelas duas instituições foram criadas “com a intervenção dos órgãos de Soberania competentes” na matéria.

“O PAICV alega hipotético desconforto de Cabo Verde decorrente da evolução da sua posição em relação à questão do Saara Ocidental, mas ignora que hoje grande parte dos países Africanos retiraram ou suspenderam o seu reconhecimento da RASD”, lembrou RFS, pontuando que destes países, 21 “já instalaram” representação consular em Lâayoune ou Dakhla, “sendo 10 deles” membros da CEDEAO e da CPLP.

“Estes números permitem afastar liminarmente a ideia de que a elevação do nível de relacionamento com o Reino de Marrocos pudesse causar algum embaraço a Cabo Verde. Ocorre é o contrário”, acentuou o Ministro, para quem o PAICV devia procurar saber qual tem sido a evolução do posicionamento de “importantes e tradicionais parceiros” de Cabo Verde em relação à matéria.

“É que a defesa do interesse nacional não se faz no abstrato, mas sim por ação e considerando o contexto real”, vincou o Ministro, observando que “não se pode falar em responsabilidade e sentido de Estado quando não se conhece o contexto em que se age. Esta é claramente a dificuldade sentida pelo PAICV”, sentenciou.

2 COMENTÁRIOS

  1. Muito bem. A grande contradição do PAICV é que não condena a brutal agressão da Rússia à Ucrânia e vem condenar algo em que há apenas um conflito artificial onde a Argélia assume o papel de tutor da RASD, no seu contencioso com Marrocos. Sou um crítico deste Ministro, mas nesta matéria convenceu me.

  2. Nesta matéria, realmente, o PAICV não tem lição a dar ao MPD, pois foi o Dr JMN que enviou o seu MNE o Dr VB a Marrocos para dizer ao Rei que CV já não reconhece a legitimidade da luta pela independência da RASD!!!!
    É pena que CV tenha mudado de posição. Esquecemos assim tão rápido, que há bem pouco tempo, estávamos a lutar pela independência e tivemos apoios de …….

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