Populismo do vale tudo

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  1. Em Cabo Verde, para o PAICV toda a gente que não alinha com a bíblia da Luz e Guia é no superlativo: corruptíssima, desonestíssima, estupidíssima, incompetentíssima e outros quejandos. Não acreditam na separação efetiva dos Poderes; não acreditam nas Privatizações; não acreditam nas Igrejas e dissimulam-se que gostam de ter bolsos cheios, das festanças e da bagunça para, só depois, libertarem alguns arrotos.

Esta gentalha esquecem que não votaram a Constituição da República de Cabo Verde em 1992. Será por amnésia ou por descaso? Por isso, custa muito interiorizar e aceitar a PARTE II – Direitos e Deveres Fundamentais e a PARTE IV – Do Exercício do Poder Politico – da CRCV.

São amigos e promotores do assistencialismo para poderem abusar e manterem no poder. Gostam de visitar as feiras, os festivais, as romarias e, sobretudo, regabofes camaradas. Ali sim! Deixaram de vestir “balalaicas” para trajarem à maneira com grandes marcas: Pierre Cardin, Calvin Klein, Black Emidio, Tucci, Ralf Lauren e Dustin. É a história da esquerda caceteira, populista e do socialismo revolucionário. Outros epítetos! São uns principais apepinadores das privatizações e apreciam palrar na lógica da desinformação e contrainformação à moda da Velha Senhora.

AS APARÊNCIAS E O SILÊNCIO DOS PÁSSAROS

  1. Também gostam imenso de sujeitarem às aparências. Mas uma coisa é certa da aparência cuida-se, com a inteligência nasce-se. Não sabem estar calados e de aprender com o silêncio dos pássaros! Dizem que os pássaros ficam em silêncio antes do terramoto. Lidam muito mal, muito mal mesmo com a economia de mercado, a democracia liberal e a ordem multilateral, enfim com o modelo ocidental ou anglo-saxónico.

No debate político esta esquerda populista e trauliteira usa para atacar o adversário e denunciar, a demagogia visceral, o discurso primário ou o estilo do líder carismático /autoritário. Sabe que o populismo é, como se costuma dizer nas ciências sociais, um conceito essencialmente contestado. Isto é, o único consenso é que não há consenso. Vejam só o que se passa na Assembleia Nacional e nas Assembleias Municipais. Deus nos acuda!

A gentalha tambarina azeda anda muita animada com a estratégia do vale tudo do populismo. Utilizaram e abusaram de forma demagógica durante a campanha autárquica do slogan do tipo chavão: “Unidos por São Filipe” e “Praia para Todos” centrada em três ideias fundamentais: o povo, a elite e a vontade geral; para dividir a sociedade em dois grupos homogéneos e antagónicos: «o Povo Puro» e a «Elite Corrupta». O que os separa não é a riqueza ou o poder, mas os valores e por isso mesmo, mais do que uma divisão política, esta é uma divisão moral entre puros e corruptos, entre os puros que são o povo e os outros que não se consideram sequer como povo.

Vejam! O que estiveram e continuam a criar, em exponencial, nas redes sociais sobre a história dos terrenos na Cidade da Praia! Andaram a dizer que há uma Praia de rico e uma Praia de pobre. Venderam gato por lebre da piscina olímpica, cidade periférica de Galinheiro e pedonal Galinheiro / Salina. Deviam, sim, fazer a promessa com todos os dentes da boca até o último molar: «De uma torneira e um WC para cada teto».

VONTADE GERAL 

  1. Neste contexto, o exercício da política deve ser a expressão da «vontade geral» do povo que os próprios populistas caceteiros dizem encarar. Nada mais falso! Reclamam por isso o monopólio da representação e aos outros, os que não consideram povo, não reconhecem sequer a legitimidade de existir politicamente. Numa luta moral a negociação e o compromisso não têm lugar e é por isso que os outros podem e devem ser silenciados. O populismo caceteiro é moralista e monista e é por isso que se opõe tanto ao elitismo como ao pluralismo.

Repare! Como disse Cas Mude “É uma thin ideology o populismo não é autossuficiente e por isso combina-se, frequentemente, com outras ideologias. De um modo geral, com o nacionalismo, à direita, ou com o socialismo, à esquerda”. Vejam o caso do Jair Bolsonaro no Brasil e Vladimir Putin na Rússia e Chávez&Maduro na Venezuela. Significa isto que o populismo não é de esquerda nem de direita, ou melhor, pode ser de esquerda ou de direita de acordo com a sua combinação ideológica.

Os populismos de esquerda têm geralmente um fundamento económico e opõem, frontalmente, o povo trabalhador à elite dos ditos ricos e poderosos com os seus “braços armados” sindicatos: são diádicos. Eles têm um fundamento identitário. Opõem também o povo à elite, mas introduzem, demagogicamente, um outro elemento e acusam a elite de ser conivente com esse terceiro grupo contra a vontade e o interesse do povo. Os imigrantes ou simplesmente os beneficiários do Welfare State.

São triádicos. Estou com a consciência tranquila que não é a minha maldade nem invenção malandra!

Nota final: Estes dois tipos de populismo, de esquerda e de direita, têm eleitorados diferentes. Mas a razão principal para o seu sucesso é a mesma: a crise da representação nas democracias liberais. Os cidadãos não se sentem representados pelos partidos tradicionais e não sentem que os governos respondam aos seus problemas. Mais do que isso, que não respondem aos seus medos e às suas inseguranças.

BOM ANO NOVO E NA PAZ DO ALTÍSSIMO

8 COMENTÁRIOS

  1. É claro que a pior forma de populismo é a ideologia REVOLUCIONÁRIA de esquerda, como já expliquei em várias reflexões anteriores.

    O socialismo só produziu duas coisas nos sítios (infelizes) onde se implantou: ditadura e miséria. TODOS os países que optaram pelo socialismo caíram nesse triste logro totalitário.

    Sem LIBERDADE não existe desenvolvimento, em nenhuma parte do mundo.

    O desenvolvimento, como esclareceu Amartya Sen, é um “tremendo compromisso com as liberdades”.

  2. É dos melhores textos que tenho o imenso prazer em ler, neste maldito ano de 2020. Ano de todas as ‘covids’ . Felizmente os liberais crioulos não estão todos a dormir. Vejo o Maika Lobo a fazer-se de lobo solitário no Facebook e os outros só ‘gostam’. Este jornal oferece excelente espaço para reflexão filosófica mas só o Casimiro tira proveito. Em uma semana ou dois grandes textos, este do Cardoso e o outro da moça o que antecedeu neste espaço.

  3. Obrigado, primo Lela, pelo teu valioso contributo, neste tempo de tantos “fake news”, máscaras em tudo e lobos vestidos em pele de cordeiro.
    Cabe-nos a todos, fazer o pouco ou muito consoante o saber e manter a vigilancia c/ atenção redobrados para evitar o assalto…
    Abraço.

  4. É um lindo texto, que vai tocar no ventre da ideologia do nosso adversário doméstico. Que esclarece como é que os socialistas fazem uso das massas pobres, para espalhar os seus venenos, as suas espertezas e chegarem ao sítio que mais adoram o poder. Essas ideologias só conseguem triunfar, chegar ao centro do poder, quando os democratas ou os centristas estiverem a curtir uma soneca ou estiverem divididos. Ficarei atento no que vai acontecer nas próximas legislativas deste ano. Ficaremos em casa a ver a banda do adversário a passar ou seremos os soldados da onda democrática, para impedirmos que o gato seja vendido por lebre?

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