Se um chefe de Estado é capturado por forças estrangeiras dentro do seu próprio país, o normal seria: confrontos armados, reação da guarda presidencial e resposta imediata das Forças Armadas. No entanto, parece que só houve resistência da guarda presidencial, que, ao que tudo indica, era formada por militares cubanos.
Quando a resistência não acontece, isso não é normal. É político. Algo mais existe por detrás das cortinas.
Não existe, até ao momento, uma explicação racional para o que aconteceu neste verdadeiro assalto ao país, que conduziu à prisão de Maduro e da sua esposa, numa operação que durou menos de três horas. E esse assalto não podia ser considerado totalmente uma surpresa, uma vez que os EUA cercavam a Venezuela há bastante tempo e, dias antes da operação, Trump tinha anunciado o cerco ao espaço aéreo do país.
Não se sabia ao certo que tipo de operação os militares dos EUA iriam executar, mas, com certeza, a prisão de Maduro era um dos cenários em cima da mesa. Até porque havia um prémio de 50 milhões de dólares para quem ajudasse com informações que levassem à captura de Maduro, vivo ou morto.
Então, o que pode explicar a ausência de resistência?
Várias hipóteses podem ser consideradas:
Colapso do comando?
Sem ordens claras, o exército não age. Tropas armadas, mas paralisadas.
Acordo ou traição interna?
Na História, regimes raramente caem apenas de fora.
Basta que o círculo certo retire a proteção.
Desmoralização militar?
Ninguém quer morrer por um líder isolado, desacreditado e sem futuro.
Operação rápida e cirúrgica?
Quando tudo acontece em pouco tempo, a reação pode chegar tarde demais. Ainda assim, não houve qualquer reação das Forças Armadas venezuelanas, o que torna tudo ainda mais estranho.
Cálculo frio das elites?
“Não se destrói um país para salvar um homem.”
Na estratégia militar, a ausência de tiros não significa ausência de decisão.
Quando não há resistência, quase sempre houve consentimento, divisão ou abandono interno. Regimes caem quando deixam de ser defendidos por dentro.
Ainda é cedo para especular sobre o que verdadeiramente aconteceu nesta operação-relâmpago, que não contou com reações por parte das Forças Armadas da Venezuela.
Contudo, o que agrava ainda mais este caso é o discurso da vice-presidente Delcy Rodríguez, que acabou por assumir o poder como presidente interina da Venezuela em tempo recorde: ora exige a libertação de Maduro e da sua esposa, ora afirma que a Venezuela quer a paz, não quer a guerra e que está disposta a dialogar com os EUA em nome da estabilidade e do desenvolvimento do país.
Acredito que é apenas uma questão de tempo… Penso que, com o tempo, tudo ficará em pratos limpos.


