O Governo português anunciou, esta quarta-feira, a escolha do grupo alemão Lufthansa para adquirir até 49,9% do capital da TAP Air Portugal, numa operação avaliada em 1.201 milhões de euros. A decisão representa um passo decisivo na privatização da companhia aérea portuguesa
O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, após uma reunião do Conselho de Ministros. A proposta da Lufthansa superou em 16% a oferta concorrente da Air France-KLM, tendo o Governo destacado as melhores condições financeiras e as garantias de crescimento da transportadora.
Nesta primeira fase, a Lufthansa adquirirá 44,9% do capital, podendo chegar aos 49,9%, dependendo da participação dos trabalhadores. O Estado português manterá uma posição maioritária de 50,1%. A concretização da operação depende ainda das autorizações regulatórias.
Luís Montenegro considerou a decisão a melhor solução para o futuro da TAP e para a defesa dos interesses nacionais, sublinhando que a parceria permitirá reforçar a competitividade, ampliar a frota e preservar a marca, a sede em Portugal e as ligações estratégicas, incluindo aos países lusófonos.
Entre os compromissos assumidos pela Lufthansa está o aumento da frota da TAP para 117 aeronaves até 2035 e 130 posteriormente, bem como novos investimentos no setor aeronáutico português.
Reações à decisão
A Lufthansa saudou a escolha, manifestando o compromisso de apoiar o crescimento da TAP, preservar a sua identidade portuguesa e reforçar as ligações internacionais, particularmente com as Américas.
A administração da TAP também acolheu favoravelmente a decisão, considerando que a integração num grande grupo internacional poderá fortalecer a companhia e proporcionar maior acesso a recursos.
Por seu lado, a Air France-KLM manifestou desapontamento com o desfecho do concurso. Analistas do setor alertam, entretanto, para os desafios financeiros que a Lufthansa ainda enfrenta e para os riscos associados à integração de mais uma companhia no grupo.
O Governo português admite avançar com uma segunda fase de privatização, eventualmente até 2028, que poderá permitir à Lufthansa assumir uma posição maioritária na TAP.





