O Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, pediu esta quinta-feira, 24, ao intervir na Cimeira Rússia-África, em Sochi, a “atenção especial” da Rússia ao grupo dos pequenos Estados insulares africanos em desenvolvimento, SIDSAM
Na intervenção, Jorge Carlos Fonseca recordou que Cabo Verde liderou o grupo SIDSAM, que integra ainda as Comores, Guiné-Bissau, Guine Equatorial, Maurícias, Seychelles e Madagáscar.
“Pelo que não poderia deixar passar esta oportunidade para propor que, no Fórum que estamos agora a criar, inscreva na sua agenda uma atenção especial aos SIDSAM, esperando que possamos sair daqui com boas recomendações e com a solidariedade da Rússia para com esses países vulneráveis”, exortou Jorge Carlos Fonseca.
O chefe de Estado disse ainda que Cabo Verde “já depositou na União Africana os instrumentos para o reconhecimento” daquele grupo de Estados.
“Sabemos que as vulnerabilidades económicas, ambientais e as especificidades desses países têm impedido uma transição económica sem sobressaltos e construção de resiliências necessárias para tentar mitigar os efeitos de constrangimentos estruturais, tais como a escala económica e a competitividade condicionadas pelo tamanho exíguo do mercado e pelo limitado desenvolvimento do mercado financeiro, a que se adicionam os custos da insularidade para a infraestruturação”, alertou ainda, perante os restantes chefes de Estado e do Governo ou representantes.
Jorge Carlos Fonseca é um dos chefes de Estado da África lusófona que participam na cimeira ao mais alto nível, a par dos seus homólogos de Moçambique, Filipe Nyusi, e Angola, João Lourenço, enquanto São Tomé e Príncipe se faz representar pela Ministra dos Negócios Estrangeiros, Elsa Pinto.
Na mesma intervenção, Jorge Carlos Fonseca apontou, em concreto, os problemas de Cabo Verde, que representam “desafios crescentes”, como a escassez de água, as secas cíclicas, os solos pobres criam barreiras e soluções caras.
“Para terem uma ideia, 85% da água em Cabo Verde é produzida através da dessalinização, um recurso muito caro para nós. Em 2017-18 não caiu uma gota de chuva e só este ano fomos bafejados por boas novas”, disse o Presidente.
Aproveitou ainda para mostrar que existem “nichos que poderão ser explorados” em Cabo Verde, como na economia azul, na biodiversidade, energias renováveis ou no turismo, “que oferece igualmente grandes oportunidades de investimento, sendo um destino seguro e credível a explorar”.
Com Agência Lusa


