Praia. MpD diz-se estupefato com anúncio do desmantelamento do Mercado do Coco

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Para João Cabral, trata-se de uma “absoluta insanidade” e uma ideia “obcecada e louca”, que prejudica os interesses da população Praiense, já que a Câmara Municipal teria de reembolsar um valor milionário ao Governo e à empresa vencedora do concurso

Em conferência de Imprensa, a bancada do MpD na Assembleia Municipal da Praia, mostrou hoje a sua preocupação com a forma como o Edil Francisco Carvalho vem gerindo a Câmara Municipal da Praia, considerando as últimas declarações do Autarca como uma “absoluta insanidade”.

É que Francisco Carvalho anunciou o desmantelamento do Mercado do Coco, algo que, segundo João Cabral, deixou o MpD estupefato, alertando por outro lado que a Edilidade sendo um órgão colegial, não deliberou tal ação.

“Em face deste anúncio de Francisco Carvalho, consubstanciado de uma ideia obcecada e louca, vale a pena alertar à opinião pública, que estamos, pois, perante mais um tremendo atropelo à lei, com laivos de usurpação do poder deste órgão, como, aliás, tem sido o apanágio deste senhor, desde que assumiu os destinos deste Concelho”, disse João Cabral, que se fez acompanhar de Toty Coia, outro Deputado do MpD na Assembleia Municipal da Praia.

Para o líder da bancada Municipal do MpD, tal medida é uma “decisão arrepiante” sobre uma matéria que merece, “no mínimo, uma análise profunda, responsável, técnica e financeiramente”, tendo em conta, os custos envolvidos, mas também o agravamento de custos, caso, eventualmente, “esta ideia draconiana” seja executada.

Se assim fizer Francisco Carvalho, alertou João Cabral, a Câmara Municipal da Praia seria obrigada a reembolsar ao Governo o valor de 136 mil contos já pagos e que foram usados no reforço da estrutura do Mercado do Coco, e para a empresa vencedora do concurso, teria de reembolsar o valor remanescente do contrato, em cerca de 204 mil contos, por isso considera essa ideia “nociva” para os interesses dos Munícipes.

“O Município continuaria a pagar a amortização da dívida de obrigações, veículo financeiro usado no financiamento do Mercado. São cerca de 48 mil contos por ano até 2030; Indemnização das vendedeiras que já adiantaram cerca de um terço do preço dos módulos num total de 50 mil contos, valor esse que não contempla juros e lucro cessante; O custo da demolição pode situar-se nos vários milhares de contos sem contar o desperdício do material metálico que uma vez removido terão baixo valor de reutilização”, elencou.

A construção do Mercado em Achada São Filipe, continuou, não deverá custar menos de 300 mil contos e, além disso, prosseguiu, será um mercado sem utilidade tendo em conta a “experiência, sem sucessos, no passado na construção do mercado abastecedor”. Em caso do acordo com empresa proprietária de terreno do Sucupira para a mudança do projeto para albergar as vendedeiras, uma mudança brutal do conceito de Shopping Mall, para um modelo misto descaraterizado, disse, poderá custar o Município nunca menos que 200 mil contos.

“Feitas as contas estaríamos a falar de um valor astronómico e injustificado” disse, questionando do porquê que a Praia terá de suportar “um custo de mais de 700 mil contos, por uma loucura dessas.

Cabral instou, por isso, o Governo a tomar uma “posição firme”, pois, segundo ele, no final se a Autarquia entrar em falência, será sempre o Estado a ser chamado, para acudir o Município da Praia.