Atlermino Neves considera que o mercado de peixe, construído em 2022, reúne condições adequadas para a comercialização e conservação do pescado, mas continua sem funcionar plenamente. O responsável atribui a situação a constrangimentos políticos que, segundo afirma, terão desmotivado as peixeiras a ocuparem o espaço e defende que a Câmara Municipal deve assumir medidas para organizar a comercialização no município
O presidente da Associação de Pescadores de Porto Novo, Atlermino Neves, manifesta preocupação com o funcionamento do mercado de peixe do município, construído em 2022, mas que, na sua avaliação, ainda não está a cumprir plenamente a finalidade para a qual foi concebido.
Em entrevista ao Jornal OPAÍS.cv, o responsável considera que o espaço dispõe de boas condições para a comercialização do pescado, contando com câmaras de refrigeração e congelação, bancas adequadas para o tratamento e exposição do peixe e uma estrutura interna que, no seu entender, responde às necessidades dos operadores.
Segundo Atlermino Neves, as peixeiras participaram nas diferentes fases de preparação do projeto, desde as discussões iniciais até à formação e organização da ocupação do mercado. Houve também distribuição das bancas através de sorteio, tendo algumas profissionais recebido equipamentos para o exercício da atividade.
Entretanto, afirma que, paralelamente a esse processo, terão existido iniciativas para desmotivar as peixeiras a transferirem-se para o novo espaço, com argumentos relacionados com a sua localização.
“Temos uma boa infraestrutura, mas a demagogia, o populismo e a política não deixaram funcionar como deve ser”, afirmou, atribuindo os constrangimentos a questões de natureza política.
Associação pede intervenção da Câmara Municipal
Para o presidente da associação, a situação exige uma intervenção concreta da Câmara Municipal de Porto Novo, a quem atribui a responsabilidade de organizar e regulamentar a comercialização do pescado.
Atlermino Neves defende que é necessário repensar também o funcionamento da peixaria atualmente instalada no centro comercial, considerando que aquele espaço já não reúne as melhores condições para responder às necessidades da atividade.
Na sua perspetiva, a autarquia deve adotar medidas através do Código de Postura Municipal, de modo a garantir maior organização, formalização e disciplina na venda de pescado.
O dirigente sublinha que a associação tem procurado cumprir a sua parte, através da sensibilização dos vendedores, formação dos operadores, mobilização de recursos e reforço dos equipamentos destinados à comercialização e conservação do peixe.
Defende ainda a realização de ações pedagógicas junto da população, incentivando os consumidores a procurarem os mercados de peixe, onde poderão encontrar melhores condições de higiene, qualidade e segurança alimentar.
Mercado deve ser aproveitado para valorizar o pescado
Atlermino Neves considera que o pleno funcionamento do mercado poderá contribuir para melhorar as condições de trabalho das peixeiras, reforçar a qualidade dos produtos comercializados e valorizar a atividade piscatória no município.
Para o responsável, não basta construir infraestruturas, sendo igualmente necessário garantir a sua utilização e criar condições para que os operadores possam desenvolver a atividade de forma organizada e sustentável.
O presidente da associação entende que Porto Novo merece uma melhor organização do circuito de comercialização do pescado, apelando à Câmara Municipal para assumir as suas responsabilidades e encontrar soluções para colocar o mercado de peixe a funcionar plenamente.





