Ireneu Camacho destaca “marco histórico” para os Portos de Cabo Verde com inauguração marcada para depois de amanhã
Este sábado, 21, será um dia histórico para Cabo Verde e para os Portos nacionais, com a inauguração oficial do primeiro Terminal de Cruzeiros do País. O investimento, do Governo através da ENAPOR, financiado por parceiros internacionais de Cabo Verde, marca uma nova etapa na modernização e especialização da infraestrutura portuária nacional.
Em entrevista ao OPAÍS.cv, o Presidente da ENAPOR, Ireneu Camacho, sublinha a importância estratégica do novo Terminal, que passa a oferecer “todos os requisitos técnicos e de conforto” que os operadores e turistas exigem. Trata-se, segundo o nosso entrevistado, de um “marco histórico” que reforça o posicionamento de Cabo Verde no setor do turismo de cruzeiros.
Ireneu Camacho destaca ainda que a entrada em funcionamento do Terminal representa uma “clara separação” entre as operações comerciais, como operações de carga e contentores, e as atividades turísticas, o que permitirá ganhos significativos em termos de eficiência portuária, e destaca que o Terminal melhora a eficiência operacional dos portos Cabo-verdianos, aumentando, ao mesmo tempo, a segurança dos passageiros e eleva a qualidade da experiência turística no País
OPAÍS.cv – Podemos considerar que há um marco na história dos Portos de Cabo Verde com a entrada em funcionamento do novo Terminal de Cruzeiros?
Ireneu Camacho – Sim, podemos, sem dúvida, considerar a entrada em funcionamento do novo Porto de Cruzeiros do Mindelo como um marco na história dos Portos de Cabo Verde, e por várias razões. Com esta infraestrutura moderna e dedicada exclusivamente ao setor de cruzeiros, Cabo Verde consolida-se como um hub atlântico de turismo de cruzeiros, capaz de competir com outros destinos regionais. O novo Terminal representa uma mudança qualitativa em relação às condições anteriores de receção de navios e passageiros.
Pela primeira vez, Cabo Verde oferece uma infraestrutura portuária concebida de raiz para cruzeiros, com todos os requisitos técnicos e de conforto que os operadores e turistas exigem. E não deixa de ser um símbolo de modernização portuária, representando a transição de um modelo focado apenas na movimentação de cargas para um modelo mais diversificado, alinhado com os objetivos de desenvolvimento sustentável e crescimento inclusivo.
Quais as principais mudanças que este projeto representa?
Pela primeira vez, Cabo Verde dispõe de um terminal exclusivamente dedicado à receção de cruzeiros, o que representa uma clara separação entre atividades comerciais (carga e contentores) e turísticas. Isso melhora a eficiência operacional dos portos, a segurança dos passageiros, e a qualidade da experiência turística.
Com um porto dedicado, Mindelo passa a acolher navios de cruzeiro de maior porte (de até 350m de comprimento) o que representa capacidade de atracação de cerca de 90% da frota mundial de navios cruzeiros.
Com o aumento da frequência de escalas e do número de turistas, pode contar com uma maior dinamização de setores como restauração, artesanato, transportes, guias turísticos, cultura e comércio local. Para além disso, Cabo Verde, e São Vicente em particular, ganhará uma maior visibilidade internacional como destino turístico seguro, atrativo e com boa infraestrutura, e é mais um passo na consolidação de Cabo Verde como plataforma atlântica de turismo e serviços marítimos.
Em termos estatísticos, quantos navios de cruzeiro e turistas passaram por Cabo Verde no último ano?
Em 2024, os Portos de Cabo Verde receberam 110.554 passageiros de Cruzeiros e 250 escalas.
É possível a ENAPOR estimar que impacto esse fluxo de turistas tem tido na economia da Ilha de São Vicente e nacional?
O que podemos avançar em termos de impactos, e de acordo com os estudos realizados, são dados relacionados com a construção do Porto de Cruzeiros do Mindelo, que durante a fase de construção gerou cerca de 200 postos de trabalho local e nas fases subsequentes estima-se que poderá originar centenas de postos de trabalho diretos e indiretos.
A nível económico, tanto para os Portos de Cabo Verde como para o País, e principalmente para o setor privado, os impactos previstos serão bastante significativos. Haverá um benefício líquido resultante da cobrança das tarifas portuárias, que inclui tanto a taxa de passageiro como o abastecimento de combustível, assim como das despesas de desembarque dos passageiros e da tripulação.
Este empreendimento permitirá ainda impulsionar o setor da construção local, gerar emprego, reforçar as reservas de divisas, apoiar a balança comercial e ampliar a atração turística de Cabo Verde como um todo.
Com a chegada do Porto de Cruzeiros do Mindelo, serão criadas inúmeras possibilidades para o desenvolvimento do setor privado, principalmente para as pequenas e médias empresas, aumentando as fontes de negócio e de emprego. Entre as atividades beneficiadas destacam-se o transporte, nomeadamente autocarros, táxis e ferries; a restauração; a venda de artesanato e arte; o alojamento, quer em hotéis quer em residências; a organização de visitas turísticas; a organização de eventos; a criação de experiências na natureza, como passeios a pé, de bicicleta, a cavalo, ou a prática de mergulho, snorkeling e outros desportos; assim como o lazer nas praias, a prática de windsurf, o golfe ou até a possibilidade de um casino.
Como está a ser preparada a inauguração do Terminal de Cruzeiros no dia 21?
Os preparativos para a inauguração estão a decorrer muito bem. Teremos a honrosa presença do Sr. Primeiro-Ministro de Cabo Verde, e dos Ministros da tutela, e já estão confirmadas várias entidades internacionais. Estamos a prever uma grande festa.

Já agora, está confirmada alguma escalas de navios de cruzeiro em São Vicente para a data da inauguração?
Teremos sim a escala do navio “Seven Seas Voyager”.
Enquanto Presidente da ENAPOR, que mensagem gostaria de deixar aos Cabo-verdianos de um modo geral neste momento simbólico para o desenvolvimento dos Portos nacionais?
A entrada em funcionamento do Porto de Cruzeiros do Mindelo marca um novo ciclo de desenvolvimento para o nosso País, um marco que honra o esforço coletivo de todos quantos acreditam no potencial marítimo e turístico do Arquipélago.
Este não é apenas um novo terminal. É um símbolo da nossa capacidade de sonhar grande, de concretizar projetos ambiciosos, e de posicionar Cabo Verde com mais força no cenário internacional. Representa a modernização da nossa infraestrutura portuária, a abertura ao mundo e a firme aposta numa economia mais diversificada, mais azul e mais inclusiva.
Quero aqui reforçar que este é um investimento estratégico que vai beneficiar não apenas São Vicente, mas todo o País. E queremos que todos os Cabo-verdianos, de todas as Ilhas, se sintam parte deste progresso. É um primeiro passo para que outras estruturas do País também sejam contempladas com avanços e inovações comos estas.


