João Lourenço que discursou ontem, defende maior representação africana nas decisões mundiais, critica a prevalência da força sobre o Direito e pede uma reforma profunda do Conselho de Segurança
O presidente de Angola, João Lourenço, foi ontem, terça-feira, 22 de setembro, o primeiro líder africano a discursar no debate geral da 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, colocando no centro da sua intervenção a necessidade de reforçar o papel de África na governação mundial.
João Lourenço alertou para o agravamento das tensões internacionais e afirmou que o mundo atravessa um período em que “a força” tem prevalecido sobre a razão e o Direito, referindo-se aos conflitos na Ucrânia, Médio Oriente, Golfo Pérsico e em África.
O presidente angolano defendeu uma reforma profunda do Conselho de Segurança da ONU, com uma representação permanente de África, América Latina e Ásia, reafirmando o apoio de Angola ao Consenso de Ezulwini e à Declaração de Sirte, tendo sublinhado que a voz africana deve ser ouvida nas decisões sobre paz e segurança, financiamento ao desenvolvimento, clima e inteligência artificial.
Na intervenção, João Lourenço apelou igualmente ao reforço do financiamento para operações de paz lideradas pela União Africana, à reforma da arquitetura financeira internacional e a maior acesso dos países africanos a financiamento, tecnologia e mecanismos de desenvolvimento.
O líder angolano destacou ainda que 2026 marca os 50 anos da entrada de Angola nas Nações Unidas e defendeu a diplomacia como principal instrumento para prevenir conflitos e construir uma ordem internacional mais justa e inclusiva.
A assembleia da ONU prossegue esta quarta-feira, com outros líderes africanos a subir à tribuna, como o vice-presidente da Nigéria e o presidente do Quénia. Cabo Verde, pelo primeiro-ministro, Francisco Carvalho, intervém no sábado, dia 26.





