Presidente do IMP destaca sucesso da operação de desmantelamento do navio DEIMOS em Vale dos Cavaleiros

Em entrevista ao OPAÍS.cv, Seidi Santos destacou o zelo e profissionalismo do Instituto Marítimo e Portuário na condução deste processo, que iniciou em 2022 e agora chega ao fim com total desmantelamento dos destroços da embarcação

O Presidente do IMP destaca que no local onde o navio DEIMOS encalhou “não resta absolutamente nada” da embarcação. Seidi Santos enfatiza que foi uma operação “complexa, com vários desafios técnicos, mas felizmente correu tudo bem”

 

O processo de desmantelamento do navio DEIMOS, em Vale dos Cavaleiros, está oficialmente concluído. Como foi conduzido esse processo sob a liderança do IMP e que desafios enfrentaram?

Seidi Santos – Este processo foi conduzido, desde o início, com muito zelo e profissionalismo por parte do IMP. Iniciámos, ainda em 2022, todos os contatos com a seguradora do navio acidentado, com o objetivo de garantir a ativação dos mecanismos necessários para o desmantelamento dos destroços do navio DEIMOS. Esses mecanismos passavam pelo reconhecimento da responsabilidade por parte da seguradora, incluindo a contratação de uma empresa especializada na remoção e desmantelamento de embarcações. Os contatos com a seguradora foram intensivos, através de representantes que se deslocaram a Cabo Verde. O navio encontrava-se encalhado nas imediações do Porto de Vale dos Cavaleiros desde 2020, e o processo esteve bloqueado desde então. Em 2022 conseguimos desbloquear a situação e, com todo o esforço institucional necessário, garantimos que esta megaoperação, inédita em Cabo Verde, fosse concluída com sucesso.

Os destroços foram totalmente removidos. Neste momento, não resta absolutamente nada da embarcação na área. Foi uma operação complexa, com vários desafios técnicos, mas felizmente correu tudo bem. Estamos todos de parabéns. Esta operação demonstra que as instituições funcionam, particularmente as do setor marítimo, sob a alçada do Ministério do Mar.

Este foi o primeiro caso de remoção integral de um navio encalhado em Cabo Verde. Que significado tem esse marco para o País e para o IMP?

Sim, é verdade. Trata-se da primeira vez que uma operação de remoção total de um navio encalhado é realizada com este grau de sucesso no País. Houve outros casos de embarcações abandonadas ou parcialmente removidas, mas nunca uma remoção integral como esta. Neste caso específico do navio DEIMOS, o IMP teve um papel absolutamente determinante.

É um marco importante que projeta a capacidade técnica e institucional do País para enfrentar operações desta natureza.

Com o encerramento deste processo no Fogo, o IMP pretende seguir a mesma lógica de limpeza de baías noutras regiões, como Mindelo e Praia?

Sim, existe um plano nacional bastante ambicioso de remoção de navios encalhados e abandonados em diferentes pontos do País.

O Ministério do Mar já anunciou publicamente que dará continuidade a este esforço. Ainda este ano, pretendemos remover um ou dois navios que se encontram encalhados ou afundados na Baía do Mindelo.

O IMP já elaborou o plano, que agora se encontra na fase de mobilização de financiamento. São operações muito dispendiosas, que requerem recursos financeiros consideráveis. Só para se ter uma ideia, no caso do DEIMOS, conseguimos, através de negociações com a seguradora internacional, que asseguraram a cobertura dos custos, que ascenderam a cerca de 1,2 milhões de Euros. Para um País como Cabo Verde, este valor representa um grande desafio. No entanto, com o apoio do Governo e dos parceiros internacionais, esperamos dar continuidade ao plano e iniciar novas operações ainda este ano.

Que lições o IMP retira desta experiência de desmantelamento na Ilha do Fogo?

Uma das principais lições é que é possível confiar nas instituições nacionais quando há empenho, responsabilidade e profissionalismo. Além disso, este processo mostrou a importância da articulação eficaz com entidades internacionais, especialmente em negociações delicadas com representantes estrangeiros. Foi também uma oportunidade de amadurecimento institucional para o IMP, que sai desta experiência mais robusto e preparado. Este caso poderá servir de estudo para situações futuras semelhantes. Apesar da nossa dimensão, conseguimos concretizar uma operação de grande envergadura, e isso deve ser motivo de orgulho para todos. Tanto o representante da seguradora como a empresa contratada para o desmantelamento fizeram questão de realçar o privilégio que foi trabalhar com o IMP e com o Estado de Cabo Verde neste processo.