Ulisses Correia e Silva sublinhou que a eventual canonização representaria um importante reconhecimento para o povo Cabo-verdiano, marcado por uma identidade diaspórica e resiliente
O Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva, manifestou este sábado particular empenho no processo de canonização do “Negro Manuel”, servo da Virgem de Luján, durante a audiência mantida com o Papa Leão XIV, no Vaticano.
No encontro, o Chefe do Governo Cabo-verdiano destacou que dados históricos apontam que o “Negro Manuel” terá sido batizado em Cabo Verde antes de ser levado como escravo para a Argentina, onde viria a ficar associado à devoção a Nossa Senhora de Luján. Este elemento, sublinhou Ulisses Correia e Silva, reforça a ligação histórica de Cabo Verde à sua trajetória de fé e resiliência, conferindo ao nosso País um vínculo singular a uma das figuras mais emblemáticas da religiosidade popular Sul-americana.
Para Ulisses Correia e Silva, a eventual canonização representaria não apenas um reconhecimento religioso, mas também um marco simbólico de enorme significado para o povo Cabo-verdiano, uma nação profundamente marcada pela Diáspora, pela memória da escravatura e por uma identidade construída na resistência e na esperança.
O Primeiro-Ministro salientou ainda que a valorização desta herança histórica constitui uma oportunidade para projetar internacionalmente a contribuição Cabo-verdiana para a história da fé católica, reforçando pontes entre continentes unidos por laços espirituais e culturais.
Durante a audiência, foram igualmente evocadas as relações históricas entre Cabo Verde e a Santa Sé, consideradas sólidas e de cooperação contínua. O Chefe do Governo destacou a importância da Concordata assinada em 2013, instrumento estruturante das relações bilaterais, cuja implementação deverá conhecer um novo impulso com a assinatura de um protocolo adicional prevista para maio.
A conversa permitiu também uma troca de impressões sobre a conjuntura política e humanitária internacional. A situação na África Ocidental e os desafios decorrentes das alterações climáticas estiveram em foco, com particular ênfase nas vulnerabilidades dos pequenos Estados insulares. O Papa manifestou solidariedade para com estes países, reconhecendo os impactos desproporcionais que enfrentam perante fenómenos globais.


