Protestos espalham-se pela Europa contra o custo de vida e a degradação dos serviços públicos

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França, Espanha, Bélgica, Itália, Portugal e Albânia são palco de protestos contra o aumento do custo de vida, as dificuldades de acesso à habitação, os baixos salários e a degradação dos serviços públicos

Uma onda de protestos está a percorrer vários países europeus, motivada pelo aumento do custo de vida, pelas dificuldades de acesso à habitação, pelos baixos salários e pela degradação dos serviços públicos. As manifestações envolvem estudantes, trabalhadores e sindicatos, que exigem melhores condições de vida e maior proteção social.

França: estudantes e trabalhadores contestam cortes

Os protestos começaram na região de Paris, a 17 de setembro, com estudantes a denunciarem a falta de professores, a degradação das escolas e as dificuldades de acesso ao ensino superior. Os sindicatos juntaram-se à mobilização, contestando a inflação e os cortes orçamentais previstos pelo Governo para 2027.

Espanha: crise da habitação alimenta protestos

Em Espanha, a contestação ganhou força após o despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos, de uma casa em Madrid onde vivia há mais de sete décadas. A renda aumentou de 440 para 1.650 euros mensais. A idosa morreu duas semanas depois, tornando-se um símbolo da crise habitacional. Os manifestantes exigem controlo das rendas e maior proteção contra despejos.

Bélgica: jovens contestam custos da educação

Em Bruxelas e Liège, estudantes protestam contra o aumento dos custos do ensino superior e reformas que consideram dificultar o acesso à educação. As manifestações incluem críticas ao custo de vida e às perspetivas de emprego, tendo ocorrido confrontos com a polícia.

Itália: salários e serviços públicos em debate

Em cidades como Roma, Milão, Florença e Turim, os manifestantes contestam o aumento do custo de vida, os salários insuficientes, as condições da educação pública e as políticas do Governo de Giorgia Meloni.

Portugal: habitação preocupa sobretudo os jovens

Em Portugal, os protestos centram-se no custo da habitação, nos baixos salários e pensões e na degradação dos serviços públicos. Em Lisboa, manifestantes montaram tendas no Rossio para denunciar as dificuldades de acesso a uma casa. Os preços dos imóveis aumentaram cerca de 124% entre 2015 e 2024, agravando os obstáculos enfrentados pelos jovens para conquistarem autonomia habitacional.

Albânia: manifestantes exigem demissão do Governo

Na Albânia, os protestos denunciam o desemprego, a precariedade do ensino superior e a falta de oportunidades. Os manifestantes exigem a demissão do primeiro-ministro, Edi Rama, acusando o Governo de corrupção e favorecimento de interesses privados.

Inflação e gastos militares aumentam pressão

Segundo dados do Eurostat, os preços dos alimentos e das bebidas não alcoólicas na União Europeia subiram 34% entre agosto de 2021 e agosto de 2026.

Além das dificuldades económicas, parte dos manifestantes critica os gastos com a defesa e defende que mais recursos sejam destinados à habitação, à saúde, à educação e à proteção social. A mobilização, amplificada pelas redes sociais, reflete também a insatisfação com a resposta dos partidos tradicionais aos problemas quotidianos.

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