As manifestações pelo direito à habitação em Portugal terminaram, na madrugada deste domingo, 25 de outubro, com confrontos entre manifestantes e forças de segurança em Lisboa e no Porto. A PSP confirmou 31 detenções e 11 feridos, enquanto os organizadores denunciam uma atuação policial desproporcionada e apontam para cerca de 60 feridos
Os incidentes ocorreram durante operações policiais destinadas a desmantelar acampamentos instalados no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, após manifestações contra o elevado custo da habitação e as políticas governamentais para o setor.
Segundo a PSP, foram detidas 25 pessoas em Lisboa e seis no Porto, por alegada desobediência, tendo sido removidas 171 tendas. A polícia justifica a intervenção com o incumprimento das ordens de dispersão e das regras de ocupação do espaço público, assegurando que procurou uma solução através do diálogo.
Em contrapartida, a plataforma Casa para Viver acusa as autoridades de uso excessivo da força contra manifestantes pacíficos, exigindo o apuramento de responsabilidades. O movimento convocou uma nova manifestação para terça-feira, junto à Assembleia da República.
As reações políticas também se multiplicam. O partido Livre anunciou que vai exigir explicações ao ministério da Administração Interna, enquanto a Juventude Socialista condenou a atuação policial e apelou à intervenção do Presidente da República.
Por sua vez, representantes sindicais da polícia defendem a atuação dos agentes, argumentando que houve tentativas de diálogo e situações de resistência por parte de manifestantes.
Os acontecimentos reacendem o debate em Portugal sobre o direito constitucional à manifestação, os limites da intervenção policial e a crise habitacional, uma das principais preocupações sociais do país.





