Damos à estampa uma publi-reportagem que reporta os últimos 5 anos de gestão da Bolsa de Valores de Cabo Verde, com foco em 5 marcos
A Bolsa de Valores de Cabo Verde (BVC) assinala, em 2025, cinco anos de mandato do seu Conselho de Administração, coincidindo igualmente com cinco anos de implementação do Plano Estratégico 2021–2025. Este período representa um ciclo particularmente relevante na história do mercado de capitais cabo-verdiano, marcado por uma forte dinâmica de modernização institucional e tecnológica, pelo reforço da presença pública da Bolsa e, sobretudo, pela consolidação do mercado de capitais como instrumento estratégico de financiamento da economia e de mobilização de poupança.
Ao longo destes cinco anos, a BVC reforçou a sua visibilidade nas várias plataformas institucionais e de comunicação, intensificou iniciativas de capacitação e de educação financeira e promoveu projetos estruturantes com parceiros nacionais e internacionais. Estes desenvolvimentos contribuíram para uma maior aproximação ao público, para o fortalecimento da confiança dos investidores e para a diversificação das fontes de financiamento disponíveis para empresas, municípios e outros agentes económicos.
É neste enquadramento que se realiza o presente balanço, com o objetivo de destacar resultados concretos, evidenciar os impactos alcançados e partilhar uma visão de continuidade e de aprofundamento do trabalho desenvolvido.
Para o efeito, a BVC apresenta cinco marcos estratégicos que, em conjunto, ilustram a transformação do mercado de capitais nacional e a ambição institucional para o futuro.

1.º marco — Plataforma Blu-X e Parceria com o PNUD
Um dos avanços mais estruturantes deste ciclo foi a criação e a consolidação da plataforma Blu-X (www.blu-x.cv), um instrumento inovador que materializa a modernização do mercado de capitais cabo-verdiano e amplia o acesso ao investimento sustentável, assente numa forte componente digital, institucional e estratégica.
A Blu-X é uma plataforma digital de listagem e negociação de instrumentos financeiros sustentáveis, concebida para atuar de forma regional e promover títulos temáticos, como blue bonds, green bonds, social bonds e sustainability bonds. A sua criação respondeu a uma necessidade clara: dotar o país de uma infraestrutura moderna, alinhada com as melhores práticas internacionais, capaz de atrair investidores nacionais, da diáspora e internacionais, enquanto apoia os emitentes na diversificação das suas fontes de financiamento.
Este projeto teve início em 2021, no âmbito de uma parceria estratégica entre a Bolsa de Valores de Cabo Verde e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), num contexto marcado pelos desafios do desenvolvimento sustentável e pelo impacto económico da pandemia da COVID-19. Em particular, a economia azul, enquanto vetor estratégico para Cabo Verde, Pequeno Estado Insular em Desenvolvimento, exigia instrumentos financeiros capazes de apoiar projetos sustentáveis, reforçando simultaneamente a resiliência económica e a autonomia financeira do país.
No quadro do exercício estratégico Cabo Verde Ambição 2030, do Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável (PEDS) e do Quadro Nacional Integrado de Financiamento (INFF), a Blu-X foi identificada como uma solução com elevado potencial para a mobilização de recursos financeiros sustentáveis, não apenas a nível nacional, mas também regional e internacional. A parceria com o PNUD foi formalizada através de três instrumentos de cooperação, nomeadamente as Letters of Agreement.
O primeiro acordo, assinado em março de 2021, permitiu lançar as bases técnicas, institucionais e operacionais da Blu-X. Desde então, foram realizadas sete emissões sustentáveis — uma blue bond, duas green bonds, três social bonds e uma sustainability bond — totalizando cerca de 4,5 mil milhões de escudos cabo-verdianos (aproximadamente 40,6 milhões de euros).
Este desempenho assume particular relevância num contexto em que o financiamento sustentável se afirma como prioridade global. Recorde-se que o Banco Mundial estimou que Cabo Verde necessita de investir cerca de 140 milhões de dólares por ano até 2030 para cumprir metas climáticas e de sustentabilidade, reforçando a importância estratégica da Blu-X como instrumento concreto de mobilização de recursos.
Face aos resultados alcançados, foi celebrado, em setembro de 2022, um segundo acordo de financiamento, com o objetivo de consolidar os ganhos obtidos, aprofundar ações de capacitação técnica e reforçar a integração do mercado de capitais na agenda nacional de desenvolvimento sustentável.
Mais recentemente, em dezembro de 2025, foi assinado um terceiro acordo, orientado para a expansão regional da plataforma, o reforço das suas capacidades técnicas e digitais, a harmonização regulatória com padrões internacionais e a afirmação de Cabo Verde como um polo inter-regional de financiamento sustentável.

2.º marco — Dual Listing SOL na Bolsa de Luxemburgo (LuxSE)
Um marco significativo na trajetória de internacionalização do mercado de capitais de Cabo Verde foi atingido a 22 de novembro de 2023, com a sessão de apresentação e listagem de um Blue Bond emitido pelo International Investment Bank (iib) na Securities Official Listing (SOL) da Bolsa de Valores de Luxemburgo (LuxSE), um dos mais importantes centros financeiros e de dívida sustentável a nível global.
Este evento representou um passo decisivo na projeção internacional dos instrumentos financeiros emitidos em Cabo Verde, reforçando a credibilidade, a transparência e a atratividade dos títulos sustentáveis cabo-verdianos junto de uma ampla comunidade de investidores institucionais internacionais.
3.º marco — Parceria estratégica com o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD)
O terceiro marco corresponde ao reforço da cooperação internacional através da parceria estratégica com o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), materializada no desenvolvimento de projetos estruturantes com impacto direto na eficiência, liquidez e sofisticação do mercado de capitais cabo-verdiano.
Em outubro de 2021, a BVC submeteu ao Capital Market Development Trust Fund um projeto de desenvolvimento do mercado de capitais, aprovado e financiado pelo BAD no montante de 350 mil dólares norte-americanos.
O projeto aprovado visava dotar Cabo Verde do primeiro Master Plan do mercado de capitais para um horizonte de 10 anos, bem como implementar mecanismos fundamentais para o bom funcionamento do mercado secundário, nomeadamente o Market Maker, o Bond Calculator e o REPO.
4.º marco — Crescimento da capitalização bolsista
O quarto marco estratégico prende-se à evolução da capitalização bolsista, um indicador-chave que reflete simultaneamente a dimensão do mercado, a confiança dos investidores e o desempenho dos ativos cotados.
Durante este ciclo, a BVC alcançou um feito histórico ao atingir e ultrapassar, pela primeira vez, o patamar de 100 mil milhões de escudos (cerca de 906 milhões de euros). Nos últimos cinco anos, a capitalização bolsista tem vindo a ultrapassar, de forma consistente, os 50% do Produto Interno Bruto (PIB) de Cabo Verde.
5.º marco — Dinamização dos mercados (Primário e Secundário)
Os últimos cinco anos constituem, de forma inequívoca, o período mais dinâmico da história da BVC em termos da sua atividade principal, servindo de ponte entre agentes excedentários e deficitários e proporcionando um palco seguro, eficiente e transparente para a negociação de valores mobiliários.
No Mercado Primário, entre 2021 e 2025, excluindo os Leilões do Tesouro, registaram-se 34 operações de financiamento a empresas e municípios através da emissão de obrigações, correspondentes a um montante global de cerca de 20 mil milhões de escudos (aproximadamente 181 milhões de euros). Este período representa mais de 40% do número total de emissões e do montante emitido desde o início pleno das atividades da BVC, em 2005.
De referir, ainda, que 2025 destacou-se como o ano em que se atingiu o maior montante de sempre de emissões obrigacionistas para empresas e municípios, no valor total de cerca de 8,7 mil milhões de escudos.
Importa salientar que, antes de 2021, apenas dois municípios haviam recorrido ao mercado de capitais. Entre 2021 e 2025, quatro novos municípios passaram a utilizar a Bolsa como fonte de financiamento: São Domingos, Mosteiros, Ribeira Grande de Santo Antão e Boa Vista.
No Mercado Secundário, os resultados são igualmente satisfatórios. O número de transações registadas nos últimos cinco anos corresponde a cerca de 42% do total de transações realizadas desde 2005, destacando-se 2024 como o ano mais dinâmico de sempre.
Apesar destes progressos, a BVC reconhece que o mercado ainda se encontra abaixo do seu potencial, estando em curso iniciativas para aumentar significativamente a sua liquidez e profundidade, nomeadamente o projeto Market Maker.
Mensagem Final do CA
Assinalar cinco anos de mandato do Conselho de Administração e cinco anos de execução do Plano Estratégico 2021–2025 é, acima de tudo, reconhecer um percurso consistente de transformação. Um percurso marcado pela modernização tecnológica, pela integração da sustentabilidade no financiamento, pelo reforço das parcerias internacionais e pela melhoria dos indicadores de mercado.
Mas o principal desta partilha de resultados com o país é reforçar a confiança no mercado de capitais e reafirmar o compromisso da BVC com um mercado mais moderno, mais acessível, mais transparente e alinhado com as prioridades de desenvolvimento sustentável de Cabo Verde.


