Qual a melhor forma de prever o futuro? Criá-lo.

Aproximam-se as eleições autárquicas e este é o momento certo para perceber que rumo queremos para Cabo Verde. O poder local é mais do que uma extensão do governo central. É nas câmaras municipais que a mudança acontece, onde as decisões têm impacto direto nas vidas das pessoas.

Como vereador de um partido na oposição, na maior comunidade Cabo-Verdiana da Diáspora, posso dizer—vos que o poder autárquico é decisivo para o sucesso das comunidades locais, e é sem dúvida, aquele que mais impacta na vida das nossas gentes. Os desafios que atravessamos hoje na Amadora são o fruto da política socialista das últimas décadas.

Quero aqui mostrar-vos alguns exemplos de como uma gestão visionária e comprometida pode transformar municípios, modernizar comunidades e impulsionar o seu desenvolvimento sustentável, ou por outro lado, podem significar uma oportunidade perdida.

Até 2020, o município do Tarrafal registou avanços significativos nos principais indicadores de infraestruturas e economia. No entanto, os últimos quatro anos foram marcados por uma subida no desemprego jovem, revelando não só o desinvestimento no futuro das nossas famílias, mas também estagnação económica. Uma parte substancial da população continua a enfrentar um mercado de trabalho limitado e com poucas oportunidades de formação. Falo-vos do Tarrafal por que é uma realidade que conheço bem. Tenho sido testemunha do desespero destes jovens que veem o seu futuro condicionado pela ausência de políticas públicas que incentivem a formação profissional e o apoio ao emprego. Em vez de estratégias integradas e investimentos a longo prazo, o município tem assistido a uma gestão marcada por respostas pontuais, que pouco fazem para resolver os problemas estruturais.

O progresso não é garantido e pode ser interrompido se não houver liderança que compreenda as necessidades locais e as integre num plano de desenvolvimento sustentável. A estagnação do Tarrafal, nos últimos anos, significa uma oportunidade perdida para os jovens e recorda-nos do preço a pagar pelo abandono de uma visão estratégica.

Por outro lado, o Sal, sob a presidência de Júlio Lopes, é já um exemplo internacional do que o poder local pode alcançar quando há uma visão clara e gestão eficaz. A Ilha do Sal é hoje um dos motores económicos de Cabo Verde, com indicadores que apontam para uma modernização profunda e inclusiva.

O turismo, não é tratado apenas como uma fonte de receitas, mas como um setor integrado na vida do município, um pilar do seu desenvolvimento local. Esta aposta tem significa um aumento da empregabilidade e uma melhoria real das condições de vida daquela população. A eletricidade e a água canalizada chegam a mais de 90% da população, e 87% das casas têm acesso à internet, colocando o Sal na vanguarda da inclusão digital no país. A política pública do executivo do Sal, implica não apenas a sua população, mas Cabo Verde.

Como político ligado às autarquias, como empresário e sobretudo como membro da comunidade cabo-verdiana na Diáspora, vejo com orgulho o trabalho desenvolvido, nos últimos anos pelos autarcas do MpD. São líderes que entendem que o futuro do país não se constrói apenas com palavras, mas com ações concretas e estratégias sustentáveis.

A modernização de Cabo Verde passa pelo poder local, pela capacidade de criar oportunidades para os jovens, pelo investimento em infraestruturas, pela digitalização da economia e pela integração dos municípios na economia global.

Vou terminar com mais um exemplo, o município de São Miguel que sob a liderança de Herménio Fernandes tem conhecido um desenvolvimento sustentável, alicerçado no equilíbrio entre o meio urbano e o desenvolvimento económico e o apoio ao sector agrícola e rural. A aposta em políticas públicas de habitação tem permito o aumento do parque habitacional público, com a reabilitação e a entrega de casas a famílias, promovendo a dignidade e a inclusão social. Desde 2020, os números falam por si: mais de 100 reabilitações, 200 casas de banho, 600 famílias apoiadas na autoconstrução assistida e em projetos inovadores como o programa Habitação Jovem. Herménio Fernandes percebeu que não se trata apenas de construir casas, mas de construir a esperança num futuro melhor para todos os micaelenses.

Cabo Verde precisa de lideranças locais que saibam criar o futuro, não apenas reagir aos problemas. Municípios como o Sal e São Miguel provam que o progresso não acontece por acaso, mas com liderança visionária, políticas eficazes e investimentos sustentáveis.

O futuro de Cabo Verde começa nas câmaras municipais, onde plantamos as sementes de uma nação moderna, próspera e inclusiva. Somos nós, cidadãos, que temos o poder de escolher líderes que compreendam este papel e que estejam comprometidos com o bem-estar das nossas comunidades. Cabe a cada um de nós escolher o caminho que queremos trilhar.