Há momentos em que a disputa política precisa dar lugar à responsabilidade institucional.
O episódio envolvendo as contas públicas, as declarações do Governo e os esclarecimentos posteriores do FMI e do Conselho das Finanças Públicas não deve ser tratado como uma simples troca de acusações partidárias.
Se os dados oficiais demonstraram que determinadas verbas eram legítimas e já estavam contratadas, então estamos perante uma questão que merece explicação clara, correção pública e responsabilidade política.
Errar pode acontecer. O que não deveria acontecer é insistir numa narrativa depois de os factos terem sido esclarecidos.
Mais preocupante ainda é quando não há uma correção pública suficientemente clara. O silêncio, neste contexto, pode transformar um eventual erro técnico num problema de confiança política e institucional.
O MpD tem naturalmente o direito de explorar politicamente o episódio. Mas há algo maior em jogo: a credibilidade das instituições cabo-verdianas e a confiança que parceiros internacionais depositam no nosso país.
Cabo Verde construiu, ao longo de décadas, uma reputação de estabilidade, responsabilidade e credibilidade. Esse património não pertence a nenhum partido. Pertence a todos os cabo-verdianos.
Por isso, a questão não deveria ser quem ganha ou perde politicamente com este episódio.
A verdadeira questão é outra: Terá o Governo a grandeza de reconhecer, se necessário, que houve um erro, esclarecer os cabo-verdianos e reconstruir a confiança?
Na política, admitir um erro não é sinal de fraqueza.
É sinal de responsabilidade.
E, acima de qualquer Governo, oposição ou partido, deve estar sempre Cabo Verde.

