Quando a política troca os factos pelo circo: a tentativa da guerra das narrativas em Cabo Verde

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A guerra das narrativas refere-se ao confronto de diferentes versões, interpretações e discursos sobre os mesmos acontecimentos.

Normalmente, essas guerras acontecem com o intuito de controlar a opinião pública, legitimar ações políticas, justificar ações militares, tendo como objetivo final causar polarização social e dividir povos, nações ou raças.
Essas guerras existem desde que o Homo sapiens criou crenças e definiu classes.

Durante a Primeira Guerra Mundial, o mundo assistiu a uma grande guerra das narrativas. Nessa guerra, vários países criaram discursos que os colocavam como vítimas dos inimigos. No final, as consequências foram devastadoras, criando um nacionalismo exacerbado, justificando a invasão de outros países, além de fome e miséria.

Ora, o mundo evoluiu e, com essa evolução, a probabilidade de guerras devastadoras diminuiu. Todavia, as narrativas ainda são usadas para diversos fins.

Em Cabo Verde, hoje, estamos a assistir a uma das maiores guerras de narrativas na política nacional.

Entre casos mediáticos e encenações dignas de Hollywood, a população é levada a acreditar numa narrativa maniqueísta, como se houvesse um vilão e um inocente.

O candidato do PAICV presenteou a Nação Berdiana com um espetáculo na guerra das narrativas. Apercebeu-se da atuação do Ministério Público e criou o maior cenário de vitimização.

Ele, o rei da ilusão, montou o maior circo, bloqueando tudo e todos nas instituições da Câmara Municipal.

E quais serão as consequências nessa guerra de narrativas? A população vai sofrendo, a Praia vai-se rompendo e a imagem externa de Cabo Verde vai-se enlameando.

Todavia, ainda há o que pode ser feito. Temos, como povo, a obrigação de separar o trigo do joio: as narrativas dos fatos. E acreditem, quem contrói narrativas de vitimização ainda pode causar mais vítimas do que imagina.