O discurso do CELSO RIBEIRO ainda faz correr muita tinta e faço também o uso do papiro para falar da minha justiça.
Do meu ponto de vista, o discurso foi brilhante e admito que outros vejam o discurso por uma outra diapasão, algo, que considero normal na democracia.
Acredito, que foi uma bofetada seca na memória coletiva e ressoou como um trovão no hemiciclo da Assembleia Nacional na comemoração dos 50 anos da independência.
É claro que muitos esperavam um discurso para a plateia, cheia de floreados e de panos quentes, evitando o embaraço dos dignatários do partido único e que os convidados não viessem a saber a verdade histórica após o 5 de Julho 1975.
Celso, foi ousado, e quis navegar pela história adentro, mesmo incomodando a narrativa dos melhor filhos da terra que governaram Cabo Verde em regime de ditadura durante 15 penosos anos.
Mexeu com a memória seletiva de quem ainda sonha com o tempo das milícias, dos tribunais populares, das prisões arbitrárias e da mordaça aos intelectuais.
Sim, foram 15 anos de silêncio imposto, de medo institucionalizado, de perseguições a homens livres como Baltasar Lopes, num regime que se dizia libertador , mas que virou opressor ao próprio povo.
Agora vêm os VIÚVOS do partido único , aos gritos, tentando desqualificar quem ousa dizer a verdade?
Tenham vergonha!
A história não será apagada com gritaria de anormais, nem com ofensas.
Estamos com Celso Ribeiro, com a memória dos que foram calados e com o povo que escolheu a liberdade!
Ditadura nunca mais!
Reescrevam os discursos, mas por favor não falsifiquem os factos históricos.
Revejo no pedido de desculpas formal, seria um gesto de maturidade política, uma forma do PAICV ( ou seus dirigentes históricos) reconhecerem que cometeram abusos graves durante o consulado do partido único.
Um pedido de desculpas seria a cura simbólica que pudesse cicatrizar as feridas do 31 de Agosto e do cerceamento das liberdades civis e politicas desta governação de má memória.
Este pedido pode servir como algo simbólico de reconciliação com a memória coletiva e com as vítimas deste regime, incluindo famílias afectadas e figuras injustiçadas como Baltasar Lopes, Henrique Teixeira de Sousa, Onésimo Silveira, entre outros.
Faz sentido esse pedido de desculpas?
Faz sim!
Sabemos que o vosso orgulho ideológico não permite esse pedido, pois ainda acreditam e veem o regime da ditadura como “necessário” ou “heroico”.
Acordam!
Celso Ribeiro, foi grande no seu discurso, algo, que merece aplausos e encômios mil!


