Quem enviarias para uma batalha? – A lista do MpD às eleições autárquicas de 2024

Nos últimos dias, o MpD deu o mote para as eleições autárquicas de 2024, apresentando a sua lista de candidatos à liderança dos vários municípios.

Acredito que um partido como o MpD, que ainda por cima está no governo, escolheu os melhores candidatos para os lugares que vai disputar. Afinal, como diz o ditado popular, é aos fortes que confiamos as maiores tempestades. Esta é, portanto, uma escolha estratégica que revela a maturidade política do partido e a sua visão para o futuro do país.

Ainda, Luís Carlos Silva, não tinha deixado a conferência de imprensa e já se escutavam as vozes da oposição, numa crítica gratuita e expedita, aos nomes apresentados.
Primeiro, porque os nomes apresentados não são do agrado da oposição. Não vou discorrer sobre o que se tem comentado nas redes sociais, limito-me aos espaços de comunicação jornalística, onde deve ser exigida uma dose de imparcialidade que não se tem feito sentir.

Aos críticos fáceis, de língua afiada, poucos lhes importa discutir ideias ou políticas, preferem antes a calúnia fácil sobre os intervenientes e a desinformação. Afinal, para atacar a política governativa, basta personalizar o combate ideológico. É, no entanto, interessante ver como o conceito de liberdade de expressão parece ser maleável, só sendo considerado enquanto é oportuno. É fácil rotular os nossos opositores de corruptos, enquanto desviamos o olhar daqueles que nos são ideologicamente próximos.

Abraão Vicente é o alvo a abater porque a oposição conhece demasiado bem as fragilidades do atual presidente da Câmara da Praia. A capital de um país é um ativo demasiado poderoso para se abrir mão, principalmente quando os eleitores decidiram confiar o governo do país ao partido contrário. Em 2020, o PAICV ganha a Praia por uma curta margem, um candidato com o carisma e a exposição pública de Abraão Vicente é uma séria ameaça.

Winston Churchill dizia que não existe opinião pública, existe opinião publicada. Esta frase era verdadeira e alimentava o ego dos pseudojornalistas e analistas políticos, cujo sonho sempre se resume a ser, eles próprios políticos. Era verdade até surgirem as redes sociais que revolucionaram a forma como nos comunicamos, e a comunicação política não ficou imune a esta transformação. Este tipo de plataformas permite que os candidatos se conectem diretamente com os eleitores, de forma rápida, eficiente e a um custo relativamente baixo. Desde 2008 com Barack Obama, até às últimas eleições legislativas em Portugal, que aconteceram na última semana, as redes sociais têm sido uma ferramenta privilegiada de contacto com os eleitores, engajando-os para a causa partidária e gerando um apelo à ação que se revela nas urnas. Acontece que Abraão Vicente, além de sociólogo (até isso lhe apontam como defeito) é um excelente comunicador que percebe as plataformas sociais.

Vivemos num mundo cada vez mais global, e hoje em dia, Cabo Verde é um exemplo, reconhecido internacionalmente na área da digitalização económica e da aposta nas novas tecnologias, fruto da política do atual governo. A adoção de ferramentas digitais tem otimizado processos, reduzindo custos e aumentando a eficiência em diversos setores, impulsionando a competitividade das empresas. E, pasme-se é uma excelente ferramenta de campanha.

Curiosamente, outra das áreas, pelas quais Cabo Verde tem merecido a atenção internacional é a Economia Azul. O mar como fonte de riqueza sustentável tem sido uma das premissas do atual governo, precisamente através do Ministério do Mar, cuja atividade tem sido constantemente desvalorizada pelas vozes da oposição. É deveras interessante, assistir ao périplo do Ministro do Mar por várias conferências e eventos mundiais, onde Cabo Verde é apresentado como exemplo, e onde estão presentes os maiores intervenientes internacionais nas questões da biodiversidade, sustentabilidade marinha e economia azul e, contudo, dentro de portas é desvalorizado. Para estas mentes inquisitórias, terá de existir alguma razão obscura para Abraão Vicente sair do governo e assumir a candidatura à Praia. Certamente será algum segredo cabeludo, ou algum interesse económico escondido, ou então alguma cabala.

As escolhas do MpD refletem não apenas a competência técnica e a experiência política dos seus candidatos, mas também o seu comprometimento com uma visão de futuro e uma estratégia de crescimento do país. Deixo-vos com a seguinte pergunta: Se tivessem uma batalha pela frente, quem enviariam para combater? Eu certamente enviaria os melhores guerreiros.

3 COMENTÁRIOS

  1. Plena e integralmente de acordo com este texto do nosso compatriota. Pois, os princípios e as lutas dos adversários são assassinatos de carácter, partidário, social e até da destruição familiar e profissional.
    Está dificílimo de entenderem que disputas saudáveis são aquelas em que os adversários têm que respeitarem uns aos outros e que quem ganhe é objectivamente um servidor de todos e para todos.

  2. Assim como o o governo da situação respeitou o pleito de 2020 , que elegeu Felisberto Carvalho para presidente da Capital

  3. Se os detratores de Abrão Vicente acreditam que com esta forma de fazer política, conseguem tirar proveito e assassinar politicamente o candidato, é porque estão com receio para não dizer um profundo medo do candidato Abrão Vicente, que já deu provas de muita competência e pragmatismo.
    Sabendo que se está perante os eleitorados do maior município do país e ainda mais, por ser o Capital do país, os detratores têm a consciência que têm pela frente uma missão muito difícil, na medida em que, por se tratar de eleitores de Capital do país, o sentido de voto é determinado por vadíssimos fatores, mormente a competência, o pragmatismo, a experiência, etc que tudo abona a favor do candidato Abrão Vicente.
    Até porque, o candidato incumbente, não está a mostrar grande capacidade que um município de capital do país merece.
    Labora em manobras de vitimização em como o governo e as instituições da republica, são seu principal opositor e, aí comparamos os mandatos do Dr. UCS de 2008 a 2016 em que o PAICV era governo e sabendo o quanto o governo de então sufocava os municípios que não era da cor amarela. Mesmo assim, o Dr. UCS enquanto Presidente da CMP transformou o município de tal forma para melhor, apesar dos bloqueios impostos pelo então governo.
    Se existe um candidato às eleições autárquicas que foi indicado pelo seu partido para perder, não é o Dr. Abrão Vicente. A maior surpresa nas autárquicas de 2020, foi sem sombra para dúvidas, a vitória do Dr. FC na Praia. Disso ninguém duvida, mesmo os seus apoiantes!
    Eu digo com toda a sinceridade que, nunca gostei de Óscar Santos quanto a sua forma de fazer política. Mas isso não impede de reconhecer a excelente performance deixado pelo Dr. UCS.
    O quê que se está a assistir agora? Populismo, assassinato de caráter, vitimização e fuga à frente.
    Por tudo isso, a não eleição de Abrão Vicente no maior município do país, é uma grande perda de oportunidade para o seu desenvolvimento e acabar com a conflitualidade instaurada desde outubro de 2020.
    É caso para dizer que, “Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”! Melhor dizendo, não era de esperar melhor para o município, com a equipa que tem, porque poucos ou quase ninguém tem muita coisa a dar, a não ser as vontades de fazer mais e melhor.

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