Num mundo marcado por guerras, crises económicas e instabilidade global, a política exige mais do que promessas fáceis: exige equilíbrio, sentido de Estado e respeito pelas instituições democráticas.
Responsabilidade, equilíbrio e moderação são, sem dúvida, pilares essenciais de qualquer Governo sério. Mas é preciso dizê-lo com igual clareza: essas mesmas virtudes são igualmente — ou até mais — exigíveis à Oposição, em especial ao maior partido da oposição, que ambiciona governar e apresentar-se como alternativa credível ao país.
Num contexto mundial marcado por guerras, conflitos armados, instabilidade geopolítica, crises energéticas e incerteza económica, a exigência de moderação, equilíbrio e ponderação torna-se ainda mais imperativa. Os tempos que vivemos não são compatíveis com discursos exaltados, aventuras políticas ou líderes em permanente conflito com instituições e pessoas. Exigem serenidade, sentido de Estado e capacidade de decisão responsável.
É precisamente neste quadro que importa sublinhar um dado essencial: o atual líder do Governo demonstrou, ao longo de 10 anos de governação, equilíbrio, moderação e responsabilidade, conduzindo o país em momentos particularmente difíceis, enfrentando e superando crises graves, como a pandemia da COVID-19, a crise inflacionista global e os impactos económicos e sociais decorrentes de guerras e tensões internacionais, sem nunca pôr em causa o Estado de Direito democrático nem o funcionamento normal das instituições.
O que se observa, porém, é o contrário. A atual liderança da oposição tem seguido um caminho marcado pela irresponsabilidade discursiva, pela radicalização política e por um confronto permanente com as instituições do Estado, algo profundamente preocupante numa democracia constitucional.
Não é sinal de equilíbrio democrático um líder da oposição declarar ter um “entendimento de aço” do partido único, atacar sistematicamente a justiça e o Ministério Público, deslegitimar juízes e procuradores, ou tratar o Estado de Direito como um obstáculo político. Isso não é fiscalização democrática — é erosão institucional.
Também não é sinal de responsabilidade prometer voos internacionais diretos para uma ilha que não dispõe de aeroporto internacional, nem lançar propostas tecnicamente irrealizáveis dentro de uma legislatura, apenas para alimentar expectativas eleitorais. Isso não é visão estratégica — é ilusionismo político.
Mais grave ainda: essa liderança vive em conflito permanente — com militantes do próprio partido, com dirigentes históricos, com órgãos de soberania, com a comunicação social e com instituições independentes do Estado. Um projeto político que está em guerra com tudo e com todos não é um projeto de governação; é um fator de instabilidade.
É precisamente neste quadro — interno e internacional — que se torna evidente a diferença entre estilos de liderança. Não temos visto moderação, equilíbrio nem ponderação no atual líder da oposição. Temo-las visto, apesar das dificuldades internas e externas, no atual líder do Governo, que tem mantido uma postura de respeito pelas instituições, responsabilidade na condução da coisa pública e compromisso com o Estado de Direito democrático.
Por isso, é intelectualmente desonesto tentar inverter a realidade e acusar apenas o Governo de promessas fantasiosas, quando quem hoje mais banaliza o discurso político, normaliza o ataque às instituições e flerta com soluções autoritárias é precisamente a oposição radicalizada.
A crítica ao Governo é legítima e necessária. Mas a oposição também tem deveres democráticos: dever de verdade, dever de responsabilidade, dever de respeito pelas instituições e dever de apresentar propostas exequíveis. Quando falha nesses deveres, deixa de ser alternativa e passa a ser risco.
Cabo Verde não precisa de discursos exaltados, nem de delírios messiânicos, nem de líderes em conflito permanente com o Estado. Precisa de estabilidade institucional, seriedade política e sentido de Estado — no Governo e na Oposição.
Defender a democracia não é apenas criticar quem governa.
É também recusar líderes que brincam com o povo, atacam a justiça, prometem o impossível e flertam com o autoritarismo.
Responsabilidade, moderação e equilíbrio não são opcionais.
São exigências democráticas — para todos.


