Sabor grátis: O Governo vai dar com os burros na água!

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[1]. Nos seus primeiros 100 dias de Governo, Carvalho distribuiu mais «pão com doce» do que Celeste no intervalo das aulas no Liceu Domingos Ramos. O problema é que até Celeste sabia que nada é grátis, nem mesmo «a graça de Deus é grátis». Mas o homem prometeu “tudu pagu ku kombidu — redução de impostos” e, se não conseguir pagar tudo, arranjará desculpas e atribuirá a culpa a alguém — de preferência, a Ulisses. Isto, mesmo sabendo que Ulisses deixou um país com mais de mil milhões de euros de pé-de-meia, os salários da Função Pública aumentados e o salário mínimo nos 19.000$00 — que só não são 27.000$00 porque o Governo resolveu «djunta» moeda para garantir o “tudu pagu”.

[2]. Neste momento, já dá para perceber as artimanhas do Sr. Primeiro-Ministro: inventam-se mentiras, como a de que Ulisses escondeu as contas ao FMI, tendo o próprio FMI vindo esclarecer que Carvalho estava a faltar à verdade, e parte ― o Carvalho, do princípio de que a conta não é para pagar — ou então de que o barqueiro Caronte há de vir do inferno para pagar a fatura do “tudu pagu”.

[3]. Mas, como a primeira desculpa mentirosa não pegou, era preciso inventar outra. Assim, na segunda temporada das mentiras de Carvalho, eis que surge uma nova desculpa: «Não há dinheiro, porque o Orçamento já derrapou». Aqui, sim, o homem tenta fazer dos seus eleitores uns ingénuos, chamando Ulisses para dividir a fatura de ter prometido aquilo que não consegue pagar.

[4]. Como a história não colou, nem a de que o país está dilapidado nem a de que o dinheiro já acabou, o governo não teve outra opção senão começar a distribuir realizações embrulhadas em papel de drops de «sabor grátis».

[5]. Nestes 100 dias, o Primeiro-ministro multiplicou mais pães e peixes do que Jesus nas margens de Tabgha. Neste Natal que se aproxima, Carvalho e o camelo parecem ser as únicas criaturas capazes de passar pelo buraco de uma agulha.

[6]. Convenhamos, o único lugar estreito que o Primeiro-Ministro conseguiu criar foi na Uni-CV. Com mais de 2.000 alunos a lutar para entrar na universidade, onde já estão 4.000 estudantes e existem apenas 5.000 vagas, a proposta que deixa ao Ministro da Educação é fazer como no filme Matrix: dar aos alunos a possibilidade de escolher entre a pílula azul e a pílula vermelha.

[7]. Quem escolher a pílula vermelha não entra na Uni-CV e não é digno de receber a “revelação da nova economia do milagre francisquiano”.

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