Salário da primeira dama. Não está na lei, então é ilegal, se é ilegal, então é crime!?

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É deselegante dizer que o salário da atual Primeira Dama, é apenas uma irregularidade, isso significa: eu quero, posso e mando e não presto conta a ninguém.

Não está na lei, então é ilegal, se é ilegal, então é crime!?

Infelizmente essas práticas têm marcado a nossa gestão pública, e para mim é de uma repugnância vertical.

Segundo o depoimento do Presidente da República, o salário de 310 mil escudos mensais, foi estabelecido porque a Primeira Dama, saiu do seu quadro de origem onde ganhava esse valor, para ficar a tempo inteiro na Presidência da República.

É definitivamente uma falta de respeito para com a situação financeira dos jovens, dos pais de família e dos contribuintes Cabo-verdianos.

Qual é a função, qual é a produtividade que justifica esse salário à Primeira Dama? Se na empresa onde trabalhava tinha essa remuneração, nada tem a ver, pois, é um assunto à parte, é ilegal essa transferência de salário. A Presidência República, mostrou-se claramente que pouco importa com esforço dos contribuintes.

Há poucos dias, o Presidente da República reclamava a insuficiência do orçamento da Presidência, mas, permite à Primeira Dama, um salário desse, para fazer nada, num país onde o salário mínimo é de apenas 15 mil escudos.

E será que os outros gastos não são assegurados pela Presidência, como transporte, combustíveis, até viagens, visto que se desloca supostamente em missão?

Não podemos silenciar perante isso, nem outras práticas de tipo.

Sou a favor que o Gabinete da Primeira Dama, seja criativa e apresente um projeto de intervenção social e comunitária em parceria com as associações e que tenha financiamento tanto da Presidência, dos ministérios, como das empresas e particulares para executar, mas antes definir claramente o estatuto da Primeira Dama e respeitar as determinações da Constituição da República. E portanto, nunca vir de forma discreta e mal intencionada estabelecer um salário de 310 mil escudos, porque eu quero, posso e mando “y ta fika si”.

Em caso de uma reeleição, esse pagamento 310 mil escudos mensais, poderia ser efetuado por 10 anos, em silêncio, se não fosse revelado aos Cabo-verdianos, pela fuga de informações e isso é muito grave.

Quantas famílias essa quantia poderia impactar?

Assim como o caso da Conselheira do Presidente da República, que segundo a informação prestava serviço através de teletrabalho, ou seja, lá de casa, ganhando, recebendo o dinheiro dos contribuintes também para fazer nada. Não podemos ser cúmplices, devemos exigir gastos racionais e dizer não: quando os ditos representantes da nação, decidem ilegalmente presentear pessoas dos seus grupos de forma irresponsável e insensível, face ao nível da pobreza que a população e o país enfrentam.

A impunidade não deve imperar!

Os órgãos da soberania, precisam pensar e agir bem, racionalizando os gastos públicos, caso contrário ficamos pelo caminho, no que tange os grandes avanços sociais, políticos e econômicos, apenas uma parte viverá bem, e isso não é desenvolvimento.

O Presidente da República deve uma explicação, embora há coisas que não se justificam, mas é preciso uma satisfação aos Cabo-verdianos e mais empatia e respeito aos pobres e aos que pagam impostos nesse país.

E quem tenta passar pano ou normalizar isso, afirma que o seu espírito de pertença à Nação Cabo-verdiana, está em seu mais deteriorado estado.

2 COMENTÁRIOS

  1. Excelente análise e tens os meus aplausos especiais, com votos de cada vez mais sucessos.

  2. Mais uma vóz para fazer face à normalização da corrupção. Os cabo-verdianos estão revoltados com essa questão dos 310 mil, e já não dá mais, aos apoiantes do lider carismático apologista da competitividade por favor amém a pessoa, mas discordem da sua prática.

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