Santo Padre e igreja de Moçambique pressionam por esclarecimento do assassinato de Dom Osório (com vídeo)

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Arcebispos de Moçambique foram a Roma no início do mês. No regresso ao país revelaram o essencial da missão junto do Papa e de outros organismos da igreja

A Igreja Católica elevou o tom na exigência de esclarecimentos sobre o assassinato do bispo de Quelimane, Dom Osório Afonso. Em audiências realizadas no Vaticano, o Papa Leão XIV e o secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, manifestaram profunda preocupação com o crime e defenderam que as investigações decorram com “máxima diligência e transparência”, enquanto a Conferência Episcopal de Moçambique revelou que, mais de um mês após o homicídio, continua sem qualquer informação oficial sobre os contornos da morte do seu secretário-geral.

A igreja católica reforçou a pressão para que sejam esclarecidos os contornos do assassinato do bispo de Quelimane, Dom Osório Afonso, numa posição assumida em sintonia entre a Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) e o Vaticano, que defendem uma investigação célere, transparente e capaz de identificar os autores materiais e morais do crime.

A posição foi anunciada esta quinta-feira, 9 de julho, pelo presidente da CEM, arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre, ao tornar público o resultado das audiências realizadas em Roma com o Papa Leão XIV, o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, e responsáveis do Dicastério para a Evangelização.

Segundo o comunicado, a deslocação dos três arcebispos moçambicanos (Dom Inácio Saúre, Dom João Carlos Nunes, arcebispo de Maputo, e Dom Cláudio Dalla Zuana, arcebispo emérito da Beira) teve como principal objetivo procurar “caminhos de melhor compreensão dos contornos do assassinato” de Dom Osório, morto no início de junho.

Durante a audiência no Vaticano, o Papa Leão XIV manifestou novamente a sua proximidade e solidariedade para com a Igreja e o povo moçambicano, afirmando acompanhar “com profunda preocupação” o caso, considerado uma das maiores tragédias recentes da igreja em Moçambique.

A presidência da CEM aproveitou o encontro para transmitir ao Santo Padre a crescente inquietação do episcopado moçambicano pelo facto de, até ao momento, não ter recebido qualquer informação oficial sobre o andamento das investigações.

Os bispos afirmam conhecer apenas as informações divulgadas pela imprensa, segundo as quais Dom Osório foi morto a tiro, sem que tenham sido apresentadas respostas às perguntas consideradas fundamentais: quem executou o crime, quem o mandou praticar e quais foram as motivações do assassinato.

No comunicado, a CEM manifesta ainda preocupação com tentativas de atribuir o homicídio exclusivamente a alegados conflitos internos da igreja, considerando que essa narrativa não responde às questões centrais que envolvem o caso.

Também o cardeal Pietro Parolin reiterou a solidariedade da Santa Sé e informou ter enviado uma mensagem de condolências ao Presidente da República de Moçambique, na qual expressa confiança de que as autoridades moçambicanas conduzirão as investigações “com máxima diligência e transparência”, mantendo a igreja informada sobre os seus desenvolvimentos e assegurando a colaboração das autoridades eclesiásticas.

Além da busca pela verdade sobre o assassinato, os encontros em Roma serviram para uma reflexão sobre os desafios internos da igreja. Entre eles, os bispos identificaram a necessidade de maior coerência entre o testemunho de vida e a missão evangelizadora dos sacerdotes e consagrados, bem como alertaram para práticas de aliciamento de seminaristas por pessoas influentes que acabam por condicionar o exercício futuro do ministério sacerdotal.

Para a Conferência Episcopal, o legado de Dom Osório deve traduzir-se na continuidade da procura da verdade, da reconciliação e da purificação da igreja. O Papa Leão XIV encorajou os bispos a prosseguirem esse caminho, afirmando que, apesar da tragédia, a igreja não deve cair no desespero, mas transformar este momento doloroso numa oportunidade de renovação e fortalecimento da sua missão.

Conteúdo da conferência pode ser acessado aqui.

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