Seca pode vir a ser a “próxima pandemia”

0

Alerta foi dado pela ONU, num relatório que vai alimentar o debate na cimeira do clima da ONU, a realizar-se em novembro, em Glasgow

Segundo o relatório das Nações Unidas “a próxima pandemia” pode estar próxima e “está camuflada”, pois há um risco iminente da seca e da escassez de água, “se os países não tomarem medidas urgentes sobre a gestão da água e dos solos para combater as alterações climáticas”.

O alerta foi dado pela ONU esta quinta-feira, num relatório que vai alimentar o debate na cimeira do clima da ONU (Cop26), a realizar-se em novembro, em Glasgow.

De acordo com Mami Mizutori, representante especial do Secretário-Geral para a Estratégia Internacional das Nações Unidas para a Redução de Desastres, UNDRR, a “seca está na iminência de se tornar a próxima pandemia e não há vacinas que a curem”.

“As populações têm coexistido com a seca durante cinco mil anos”, mas “as atividades humanas estão a exacerbar a seca e a aumentar o seu impacto”, ameaçando destruir os progressos para a eliminação pobreza, reforçou Mizutori.

O fenómeno é principalmente motivado pela mudança dos padrões da precipitação tais como: alterações climáticas, uso ineficiente dos recursos de água, degradação dos solos devido à agricultura intensiva e más práticas agrícolas, desflorestação, elevado uso de fertilizantes e pesticidas e o pasto intensivo e a elevada extração de água para fins agrícolas.

Pode-se ler no relatório, até ao final do século apenas alguns países não vão sentir de alguma forma os efeitos do desastre natural. Num cenário de elevados valores de emissões de dióxido de carbono, cerca de 130 países podem ter um risco superior de enfrentar secas neste século, citou a ONU.