Servir: Missão ou oportunismo?

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Em 1994, após o meu baptismo, comuniquei ao meu Pastor Rev. Ulisses Amado que sentia um chamado para o ministério pastoral. Ele olhou-me e disse: “Tens certeza? Saiba que é algo muito sério, que exige abnegação.”

Desde então, ao longo da minha jornada ministerial, tenho constatado esta verdade e aprendido sobre o privilégio, a responsabilidade e o peso de servir num mundo cada vez mais ingrato e interesseiro.

A linha entre o verdadeiro serviço e o exibicionismo é ténue, pois nem sempre o ato de servir é encarado como uma missão que exige abnegação, desprendimento e humildade. Infelizmente, constata-se que muitos daqueles que alcançam posições de serviço tendem a pensar, primeiramente, em si e nos seus, relegando os outros para um plano secundário.

O serviço, na sua essência, é a atitude de fazer aos outros aquilo que gostaríamos que nos fosse feito (Mateus 7:12). No entanto, observa-se que, nos dias de hoje, aqueles que são confiados com esta nobre responsabilidade, em vez de assumirem uma postura de serviço, procuram antes ser servidos, usufruindo de regalias e ostentações. Buscam protagonismo e o centro das atenções, esquecendo-se da verdadeira missão que lhes foi confiada.

Jesus Cristo, o maior exemplo de serviço, afirmou: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” Mc. 10:45. O seu serviço foi de entrega, doação e sacrifício. Sacrificou regalias e conforto, ao ponto de declarar: “As raposas têm as suas tocas e as aves do céu os seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” Mt. 8:20. Mesmo assim, cumpriu fielmente a sua missão, sem discriminação entre gentios e judeus, amando a todos de igual forma, ao ponto de dar a sua própria vida por toda a humanidade (João 3:16).

Diante deste exemplo, é inconcebível que, nos dias atuais, tantos homens e mulheres em posições de liderança ignorem este princípio fundamental. Muitos possuem os meios necessários para servir, mas, em vez disso, utilizam-nos em benefício próprio, deixando para os outros apenas as sobras. Tal atitude não é servir; trata-se de oportunismo e usurpação, algo que Deus não aprova nem abençoa.

Servir é mais nobre do que ser servido; é um ato de amor, empatia e luta contra a injustiça. Servir é assegurar que cada pessoa receba a sua gota de água e o seu pedaço de pão, conforme a sua necessidade e dignidade (Mateus 25:35-40).

Que Deus guie todos aqueles que se encontram em posições de serviço, para que não se deixem corromper pelo poder, mas sim que sejam conduzidos por uma consciência tranquila e pelo verdadeiro sentimento de dever. Que o serviço nunca seja confundido com a busca desenfreada por direitos e ambições desmedidas, mas sim com um compromisso genuíno com o bem comum e a justiça.