No seu primeiro discurso no cargo, afirmou que não irá usar a instituição para alimentar “vendetas pessoais”, considerando essa prática uma “traição ao próprio combate político”
O opositor Senegalês Ousmane Sonko foi eleito esta terça-feira, 26, presidente da Assembleia Nacional do Senegal, com uma votação expressiva de 132 votos em 133.
A eleição ocorre num contexto de reconfiguração política, após a renúncia do anterior presidente do parlamento, El Malick Ndiaye, e na sequência de mudanças recentes nos mais altos cargos do Estado.
O presidente da Assembleia Nacional do Senegal, Ousmane Sonko, afirmou no seu primeiro discurso no cargo que não irá utilizar a instituição para alimentar “vendetas pessoais”, considerando que tal atitude seria “uma traição ao próprio combate político”.
No discurso de tomada de posse, Sonko garantiu ainda que a Assembleia Nacional não será “uma simples câmara de registo”, defendendo um papel ativo na fiscalização da ação governativa.
O novo líder parlamentar sublinhou que o órgão fará uso, “de forma responsável, mas igualmente firme”, de todos os mecanismos de contrapoder previstos na Constituição, em função da gravidade dos factos e das circunstâncias.
Defendeu também que o Senegal deve servir de exemplo ao continente africano, demonstrando que uma crise política pode ser enfrentada “sem ódio, sem violência e sem colapso institucional”.
Com este resultado, Sonko torna-se a segunda figura mais importante do país, atrás do Presidente Bassirou Diomaye Faye, assumindo a condução dos trabalhos parlamentares e a definição da agenda legislativa.
A eleição surge poucos dias depois de Sonko ter sido demitido do cargo de primeiro-ministro por Faye, que nomeou para a função o economista Ahmadou Al Aminou Lo, num cenário de crescente tensão política no país.


