Sudão à beira de nova catástrofe humanitária: quase 20 milhões enfrentam fome

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A guerra prolongada, a seca severa e a escassez de financiamento internacional estão a agravar dramaticamente a crise alimentar no Sudão, colocando milhões de pessoas em risco de fome extrema, sobretudo nas regiões de Darfur e Kordofan

O alerta foi lançado esta segunda-feira, 12 de outubro, por organismos internacionais de segurança alimentar.

Segundo um novo relatório da Classificação Integrada da Segurança Alimentar (IPC), divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a seca associada ao fenómeno El Niño está a afetar cerca de metade do território sudanês, destruindo culturas agrícolas, reduzindo as reservas alimentares e agravando a desnutrição, particularmente entre crianças.

Dados da avaliação realizada em maio indicavam que 19,5 milhões de pessoas, mais de 40% da população, enfrentavam insegurança alimentar aguda, das quais 135 mil em situação catastrófica, o nível mais grave da classificação internacional.

O conflito armado, iniciado em abril de 2023 entre o Exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido, já provocou pelo menos 150 mil mortos, segundo estimativas do observatório ACLED, e deslocou cerca de 13 milhões de pessoas.

A situação é particularmente alarmante em Darfur, onde a desnutrição infantil está a aumentar, enquanto algumas zonas de Kordofan enfrentam uma das piores secas das últimas duas décadas.

As organizações humanitárias apelam ao fim das hostilidades, à abertura de corredores seguros para a distribuição de alimentos e ao reforço urgente do financiamento internacional, alertando que, sem uma resposta imediata, a fome e a mortalidade poderão aumentar significativamente nos próximos meses.

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