Falta de contraditório, obrigando a Administração da RTC a recorrer ao instituto do Direito de Resposta, levanta questões sobre ética jornalística no seio da televisão pública
A Televisão de Cabo Verde (TCV) dedicou mais de dez minutos à cobertura da suspensão por 45 dias, sem remuneração, da sua Diretora, Dina Ferreira, mas não ouviu o contraditório da Administração da RTC, empresa pública da qual faz parte.
A situação tem gerado críticas pela falta de equilíbrio e rigor jornalístico, uma vez que a RCV, também pertencente à RTC, seguiu o mesmo caminho e noticiou apenas um dos lados da questão, ignorando a versão do Conselho de Administração. A Inforpress, agência noticiosa igualmente pública, adotou a mesma postura.
A Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde, AJOC, por sua vez, manifestou-se em defesa da Diretora da TCV, sem ter ouvido previamente a Administração da RTC, conforme lamenta a própria empresa em comunicado.
Segundo informações recolhidas por OPAÍS.cv, o caso que envolve a Diretora a TCV não está relacionado com questões editoriais ou de liberdade de imprensa, mas sim com assuntos internos de gestão e funcionamento da TCV.
Um vez que não foi ouvido pelos próprios órgãos públicos, a Administração da RTC foi obrigado a recorrer a direito de resposta. No comunicado divulgado este domingo, a Administração da RTC rejeita qualquer tipo de perseguição à Diretora suspensa e esclarece que o processo disciplinar foi conduzido por um instrutor externo, precisamente para garantir transparência e imparcialidade.
O comunicado da RTC lembra ainda que esta não é a primeira vez que Dina Ferreira enfrenta um processo disciplinar, tendo já sido alvo de um procedimento semelhante durante o mandato do anterior Conselho de Administração.
O episódio volta a colocar no centro do debate a credibilidade e a responsabilidade da comunicação pública, sobretudo quando se trata de informar sobre assuntos internos, onde o dever de isenção e o respeito pelo contraditório são princípios essenciais do jornalismo ético.



Mas, como é possível ser-se cego a tal ponto.
Não é possível não darem conta do comité que está ali instalado.
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