Uma delegação de deputados de Santiago Sul realizou esta terça-feira uma visita técnica à Central de Produção de Eletricidade de Palmarejo, num momento em que a crise energética domina o debate público em Cabo Verde. O objetivo, segundo os parlamentares, foi “procurar respostas no terreno, com dados, técnicos e factos”.
O deputado Alberto Mello, que integrou a visita, afirmou que a deslocação serviu para esclarecer dúvidas e combater perceções erradas sobre o funcionamento da central. “A primeira conclusão é inequívoca: tem havido manutenção, e de forma contínua e documentada”, garantiu, destacando que a Electra executa planos regulares de manutenção preventiva e corretiva, substitui peças críticas e realiza revisões técnicas com apoio de fabricantes e parceiros internacionais.
Investimentos duplicaram em menos de uma década
Segundo os dados apresentados aos Deputados, os investimentos em manutenção e segurança energética duplicaram desde 2015, acompanhando a expansão do sistema elétrico nacional.
Entre 2010 e 2015, a média anual de despesas com manutenção rondava 450 mil contos; já entre 2016 e 2024, esse valor atingiu 900 mil contos, refletindo, segundo Mello, “um esforço constante de modernização, reabilitação de centrais e reforço da capacidade instalada”.
O relatório técnico da Electra e do Ministério da Indústria, Comércio e Energia revela ainda que entre 2023 e 2025 os custos médios anuais com manutenção e investimentos estratégicos devem ultrapassar 1,2 milhão de contos, impulsionados por revisões profundas (“overhaul”), instalação de grupos de reserva e investimentos em energias renováveis e baterias de armazenamento.
Problemas são conjunturais, não estruturais
Para os Deputados, os apagões e perturbações registados nas últimas semanas em Santiago “não resultam da ausência de manutenção”, mas sim de “uma concentração atípica de avarias em grupos de grande potência num curto espaço de tempo”.
Mello sublinha que “do ponto de vista técnico, a situação é conjuntural e não estrutural”.
O Governo e a Electra já mobilizaram um conjunto de medidas de curto e médio prazo:
* Reparação de dois grupos de alta potência e entrada em funcionamento de novos equipamentos;
* Chegada de **10 MW de potência alugada** para reforçar a segurança do sistema;
* Realização de uma **auditoria técnica e financeira independente**;
* E investimentos em curso em energias renováveis e armazenamento, que devem elevar a capacidade de Santiago para **mais de 80 MW até dezembro**.
“É com dados, não com slogans”
O Deputado conclui que o país atravessa uma “transformação real” no setor energético, rumo a um sistema “mais moderno, sustentável e resiliente”.
“É com base em dados, e não em slogans, que se constrói confiança. E é com trabalho sério, continuidade e transparência que garantiremos luz estável e energia segura para todos os cabo-verdianos”, afirmou Alberto Mello.
Fonte: Relatórios Técnicos da Electra e Ministério da Indústria, Comércio e Energia (2010–2025)


