TRUMP e BOLSONARO: destino comum

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Governaram por quatro anos e ambos não passaram do primeiro mandato. Ambos foram julgados pelos seus respectivos povos (eleitores) e condenados a abandonarem o poder. Foram despojados do poder.

Com certeza, que os estudiosos e analistas encontrarão causas distintas das duas derrotas, pois que os dois países são diferentes, com condições e circunstâncias diferentes. Mas, igualmente existirão causas e pontes comuns, que caracterizam e determinaram as duas derrotas.

Coincidência ou não, ambos foram para as eleições com pressupostos ou semelhanças comuns: ambos apresentaram uma boa performance da economia, índice baixo de desemprego e uma relativa e confortável satisfação social.

Num outro ângulo, ambos tiveram que surfar os pesadelos da pandemia da Covid 19 e as crises por ela provocadas. Ambos, de início, tiveram uma estranha atitude em relação à desgraça pandémica mundial, negando a sua real perigosidade, chegando ambos a afirmar que se tratava de uma “gripezinha” e que passava logo. Portanto, ambos tiveram uma gestão desastrosa da pandemia da Covid 19.

E nos dois casos as consequências da avaliação social foram também comuns. Porém, em termos objectivos, salvo a gestão da pandemia, como se disse, a economia apresentou bons resultados em ambos os casos.

Então, questiona-se o que teria falhado nos dois casos? Curiosamente neste ponto também houve comunhão de situações e circunstâncias.

Em ambos os casos houve uma péssima gestão política ao longo dos mandatos.

Ficou demonstrado e provado que a política, os processos de avaliação eleitorais, não dependem só das performances económicas ou da satisfação social de quem deposita o seu voto.

A política é uma rede de factores complexos e interdependentes. Em que os pesos e balanças de avaliação são diferenciado e problemáticos.

Com as redes sociais, com a circulação de informações à velocidade da luz, e com as dificuldades e crises de natureza mundial, o mundo mudou rapidamente. Para as pessoas a vida se faz e se desfruta hoje, aqui e agora. O imediatismo material tornou-se o motor diário das preocupações humanas e das suas avaliações.

Nenhum político desenvolve a actividade política para si. Como se costuma dizer-se, os políticos têm de vender o seu produto aos eleitores. Os consumidores da política.

E a forma de transmissão desse produto conta de forma determinante. Aqui entra a gestão da imagem dos políticos e das lideranças. Os políticos como que se submeterão à cotação na Bolsa de Valores dos eleitores. Se a imagem neste mercado não for boa, o produto não passa.

Se a colectividade tenha uma imagem marcada pela corrupção, nepotismo ou de proveito de bens públicos por parte de um grupinho, por parte dos políticos, de certeza que a vida dos políticos que protagonizam esta política não vai ter sucesso.

A arrogância e a atitude de concentração do poder no líder ou num grupinho afecto à liderança serão os venenos, que conduzirão à morte política.

Os políticos têm de estar em paz com a sua consciência. Em paz com os governados e em paz com o seu grupo de apoio, pois que ninguém sozinho consegue ombrear e transpor as montanhas do sucesso. A empatia e o afecto fazem parte de forma relevante deste percurso.

Com o Trump e Bolsonaro a nudez cruel da política estava permanentemente exposta. A linguagem era descontrolada e feria todas as sensibilidades, excepto aos fiéis correligionários. Os fiéis interessam, mas não são suficientes para a vitória.

As opções políticas estavam desfasadas e em guerra com a realidade temporal.

As minorias étnicas e sociais eram maltratadas e desprezadas.

As políticas externas em ambos os casos foram colocadas em segundo plano.

As prioridades dos olhares eram dirigidos aos poderosos e ao grande capital. Enfim, em ambos os casos não se cuidou da imagem e da sociedade global.

Os resultados de tudo isso? Ambos ficaram pelo caminho no primeiro mandato, o que demonstra que a teoria da reeleição no primeiro mandato não é nada seguro ou regra.

Trump e Bolsonaro construíram as suas próprias sepulturas. De certeza, que nessas duas eleições os estudiosos encontrarão ricos ensinamentos científicos, do que se deve ou não fazer-se na política.

1 COMENTÁRIO

  1. Não compare as duas derrotas. A “derrota”do Trump nunca existiu de verdade. Votos pelos correios e transportados em carroçarias de camiões não devem ser levados a sério.

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