O Primeiro-Ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, afirmou que existe hoje “um risco real de marginalização de África” no sistema internacional, numa entrevista concedida à AfricaPresse.Paris, à margem da 3.ª conferência da IDC África, dedicada ao tema A Democracia em África, realizada no Senado francês, em Paris
A AfricaPresse.Paris (APP) é uma plataforma jornalística sediada em Paris, especializada na cobertura de temas políticos, institucionais e geoestratégicos ligados a África, à diáspora africana e às relações internacionais, com particular enfoque no espaço francófono. A entrevista ao chefe do Governo cabo-verdiano foi conduzida pelo jornalista Bruno Fanucchi, no formato de perguntas e respostas, com recolha direta de declarações.
Durante a conversa, Ulisses Correia e Silva — que é também Vice-Presidente da IDC internacional e Presidente da IDC África — explicou que a IDC (Centrist Democrat International) é uma grande família política internacional que congrega partidos e líderes comprometidos com os valores da democracia, da liberdade, do Estado de Direito e dos direitos humanos.
Segundo o Primeiro-Ministro, África enfrenta hoje múltiplos desafios que fragilizam a sua posição no mundo, desde conflitos armados e instabilidade política até golpes de Estado e tentativas de perpetuação no poder. Estes fenómenos, afirmou, têm consequências institucionais e económicas profundas e contribuem para afastar o continente dos centros de decisão global.
Na entrevista à APP, Ulisses Correia e Silva sublinhou que a democracia não deve ser vista apenas como um valor político abstrato, mas como uma condição essencial para o desenvolvimento económico sustentável. “Sem boa governação, sem instituições fortes e credíveis, não há confiança, nem dos cidadãos nem dos investidores”, afirmou.
Outro ponto destacado foi o impacto crescente da inteligência artificial e do digital nas sociedades contemporâneas. O Primeiro-Ministro alertou para os riscos de manipulação da informação, de desinformação e de interferência em processos eleitorais, defendendo a necessidade de regras claras e de uma abordagem global que proteja a liberdade de expressão sem comprometer a integridade democrática.
Ulisses Correia e Silva concluiu reiterando que o futuro de África depende da consolidação da democracia, do reforço das instituições e da capacidade dos Estados africanos em oferecer estabilidade política e previsibilidade económica num mundo em rápida transformação.
Encontre aqui a entrevista original.


