[1] Há um mês que começaram as lengalengas das campanhas eleitorais. Eu, particularmente, gosto de algumas particularidades desta campanha legislativa ― tem havido muitos memes do lado do candidato do PAICV, uma estratégia de quem quer fazer o povo rir para não explicar que “dedu na odju” é esse de prometer (por exemplo) baixar os impostos e dar tudo grátis. Nesse jogo da distração, Francisco Carvalho não é incomodado pelos jornalistas, principalmente da TCV, e nunca será confrontado com as perguntas que interessam, como por exemplo: qual a sustentabilidade da gratuitidade para todos num país que nem chove?
[2] Mas, se os jornalistas da TCV não se incomodam em incomodar Francisco, pelo menos nós mesmos devemos, de uma forma livre, fazer esse exercício: entre Ulisses Correia e Silva e Francisco Carvalho, qual dos dois foi melhor Presidente da Câmara Municipal da Praia?
[3] Ulisses Correia e Silva tem um vasto legado, obras que marcaram a cidade e trouxeram melhorias significativas na vida das pessoas. Enumerando algumas:
• Ulisses conseguiu resolver o problema crónico do lixo urbano, tanto que o lixo deixou de ser tema de debate público. E Francisco fez o contrário. Ulisses requalificou bairros; até agora, passados seis anos, Francisco calcetou e asfaltou algumas ruas. Nada da mesma dimensão que a requalificação de bairros inteiros como Achadinha. Ulisses trouxe o conceito de campos relvados para os bairros da Capital; Francisco encontrou 12 campos relvados e está há anos a tentar terminar a obra do campo da Calabaceira. Ulisses modernizou a Rede de Mercados Municipais (com a requalificação de todos os mercados da cidade). Em outras áreas, como a cultura, a diferença é abismal.
• Por fim, muito honestamente, fiz o exercício de encontrar algum legado, uma obra marcante de Francisco Carvalho para a cidade da Praia; caso ele deixasse a presidência agora, eu não encontrei. E aceitaria que qualquer cabo-verdiano me indicasse um legado (que não as portas dos tribunais).
[4] Portanto, é assim: cada cabo-verdiano é livre de escolher o que quiser. Mas nenhum cabo-verdiano poderá dizer que desconhecia Francisco Carvalho e o seu nenhum legado (em seis anos) na cidade da Praia. Na Praia, até os burros estão soltos a pastar nos contentores, mas não creio que os cabo-verdianos das outras latitudes queiram o mesmo para o país. Se a maioria assim quiser, que assim seja; não faltarão burros para pastar nas cidades, ruas e arruelas do país. E pa dexa nhos lá.


