Despedimento coletivo entrou em vigor no dia 30 de abril. Direção Geral do Trabalho já tem conhecimento do caso
A empresa Verdelines, S.A., agente do navio Nhô Padre Benjamim, procedeu ao despedimento coletivo de cerca de 20 trabalhadores afetos às suas agências nas Ilhas de Santiago, Boa Vista, Sal e São Vicente. A medida entrou em vigor na quarta-feira, 30 de abril.
O despedimento foi formalizado por meio de uma carta enviada aos colaboradores, comunicando a cessação dos contratos de trabalho.
A decisão surge na sequência do naufrágio do navio Nhô Padre Benjamim, ocorrido no passado dia 14 de abril, ao largo da Preguiça, na Ilha de São Nicolau. A embarcação transportava cerca de duas mil toneladas de carga quando afundou. Entretanto, todos os tripulantes foram salvos com o apoio de pescadores da Preguiça.
A carta de despedimento tem data de 25 de abril, onze dias após o acidente. Os trabalhadores dizem-se surpreendidos com a decisão unilateral da empresa e lamentam a forma como foram dispensados. “Não esperávamos ser tratados como lixo ou como meros objetos”, desabafaram ao OPAÍS.cv alguns dos afetados.
Este 1.º de Maio marca o primeiro dia oficial de desemprego para os agora ex-funcionários das agências da Verdelines.
Entretanto, sabe OPAÍS.cv, a Verdelines garantiu o pagamento dos salários de abril a todos os trabalhadores e, em alguns casos, negociou individualmente o despedimento. Alguns colaboradores aceitaram a proposta da empresa, que incluía a indemnização pelos anos de serviço e férias, enquanto outros optaram por não aceitar. Um caso que já é do conhecimento da Direção Geral do Trabalho, mas muitos dizem que a conta dos anos de trabalho não bate certo.
Em relação à tripulação do navio, OPAÍS.cv apurou que, até ao momento, os marinheiros ainda não receberam qualquer comunicação oficial da empresa, embora temam que a mesma medida venha a ser aplicada também a eles.
Contatos no sentido de obter um posicionamento do armador da Verdelines, S.A., até o momento não surtiram efeitos.


