Última hora! Combustíveis disparam em outubro. Gasolina aproxima-se dos 200 escudos e petróleo ultrapassa os 216$00

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Cabo Verde acorda esta quinta-feira, 1 de outubro, com uma subida generalizada dos combustíveis. Todos os produtos petrolíferos regulados ficam mais caros, o aumento médio atinge 10,70% num único mês e quatro dos principais combustíveis superam mesmo os níveis registados no auge da crise energética de 2022. A escalada internacional explica grande parte do agravamento, mas há também um fator interno: a proteção governamental que anteriormente abrangia o sistema de preços deixou de ser generalizada e, em outubro, a nova medida de mitigação aplica-se apenas ao gás butano.

Os números da ARME deixam pouca margem para dúvidas sobre a dimensão do aumento.

A gasolina passa de 175$40 para 197$20 por litro, uma subida de 21$80 ou 12,43%. O gasóleo normal aumenta de 169$40 para 190$30, mais 12,34%, enquanto o petróleo sofre o maior agravamento percentual entre os principais combustíveis, subindo 14,76%, dos 189$00 para 216$90 por litro.

O gasóleo para produção de eletricidade aumenta 13,57%, para 175$80, e o gasóleo marinha sobe 13,39%, para 153$30. Os fuelóleos também encarecem e até o gás butano, apesar de beneficiar de uma medida especial de proteção, aumenta 5,73%, passando para 149$40 por quilo. No conjunto, a própria ARME calcula uma subida média de 10,70%.

Quatro preços já superam os picos da crise de 2022

A comparação histórica torna o cenário ainda mais expressivo.

A gasolina chega agora aos 197$20, ultrapassando os 190$70 registados em junho de 2022. O petróleo atinge 216$90, acima dos 202$70 praticados em julho de 2022. O gasóleo normal sobe para 190$30, superando os 181$30 daquele período, enquanto o gasóleo marinha, agora nos 153$30, ultrapassa os 152$40 registados em julho de 2022.

São, assim, quatro novos máximos na série recente de preços consultada da ARME, precisamente quando o país volta a enfrentar uma forte pressão energética internacional.

Em relação a outubro do ano passado, subida média ultrapassa 56%

A fotografia torna-se ainda mais pesada quando se recua apenas um ano.

Segundo a ARME, comparativamente a outubro de 2025, o nível médio dos preços dos combustíveis está agora 56,11% mais alto. Relativamente à média do próprio ano de 2026, o acréscimo é de 32,76%.

Em outubro do ano passado, por exemplo, a gasolina custava 131$50, o gasóleo normal 110$30 e o petróleo 133$70.

Um ano depois, os mesmos produtos custam, respetivamente, 197$20, 190$30 e 216$90.

Mercado internacional dispara e o euro também joga contra

Há uma forte componente externa nesta subida.

A ARME revela que o preço médio do Brent passou de 86,71 dólares em agosto para 99,16 dólares em setembro, um aumento de 14,36%.

Mas nos derivados efetivamente importados por Cabo Verde a pressão foi ainda maior: as cotações internacionais aumentaram, em média, 20,54%. Só o butano valorizou 45,44%, a gasolina 16,60% e o gasóleo ULSD 14,52%.

A isso junta-se o câmbio. O euro depreciou-se 2,12% face ao dólar entre agosto e setembro, um movimento que, segundo a ARME, acrescenta aproximadamente 1,86% aos preços internos dos combustíveis.

Ou seja: petróleo internacional mais caro, derivados mais caros e um câmbio desfavorável atuaram simultaneamente.

Mitigação terminou para a generalidade dos combustíveis

Mas a dimensão do aumento que chega agora ao consumidor não resulta apenas do mercado internacional.

Durante parte deste ano, o Governo tinha recorrido à suspensão temporária do mecanismo normal de fixação dos preços, limitando a transmissão imediata das fortes subidas internacionais ao mercado cabo-verdiano. Em junho, ainda vigoravam limites de ajustamento e mecanismos de compensação ao abrigo da Resolução n.º 63/2026.

Esse regime excecional terminou e o sistema regressou progressivamente ao mecanismo ordinário. Já em setembro, a ARME reconhecia expressamente que os preços incorporavam uma componente destinada à recuperação faseada de parte do défice acumulado durante o período de suspensão.

Para outubro, o Governo voltou a intervir, mas de forma muito mais limitada.

A Resolução n.º 111/2026, de 30 de setembro, protege exclusivamente o gás butano. Em vez de fazer chegar ao consumidor toda a subida que resultaria do mecanismo normal, o Governo decidiu que apenas 30% da diferença fosse repercutida no preço final, ficando 70% cobertos pela medida de mitigação.

O efeito é expressivo: sem essa intervenção, o butano subiria 19,18%, de 141$30 para 168$40 por quilo. Com a medida, aumenta apenas 5,73%, ficando nos 149$40.

Para a gasolina, gasóleo, petróleo, combustíveis para eletricidade e transportes marítimos, porém, não existe proteção equivalente.

A própria ARME é explícita: todos os restantes produtos continuam sujeitos ao regime ordinário de formação dos preços, porque a medida excecional decidida pelo Governo está circunscrita ao gás butano.

Outubro começa com uma pesada fatura energética

O resultado é uma conjugação particularmente desfavorável: forte escalada internacional, desvalorização do euro, regresso do mecanismo normal de preços para a generalidade dos combustíveis e uma mitigação governamental agora limitada ao gás butano.

A consequência chega diretamente às bombas.

Gasolina: 197$20.
Gasóleo: 190$30.
Petróleo: 216$90.
Gasóleo para eletricidade: 175$80.

Quatro combustíveis superam já os picos observados na crise energética de 2022 e, segundo os próprios dados da ARME, o nível médio dos preços está 56,11% acima de outubro do ano passado.

Outubro começa, assim, com uma das mais fortes escaladas dos preços dos combustíveis dos últimos anos em Cabo Verde — e, desta vez, sem uma medida de mitigação generalizada que amorteça a subida para a maioria dos produtos.

Confira a tabela completa abaixo:

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