É a reação oficial do atual primeiro-ministro às acusações feitas pela PGR
Indiciado na qualidade de presidente da Câmara Municipal da Praia, Francisco Carvalho, agora primeiro-ministro, reagiu ao início da tarde de hoje, quarta-feira, às notícias sobre a dedução de crimes pela Procuradoria-Geral da República (PGR), classificando o momento como um “ataque político” e defendendo que o processo representa uma tentativa de lançar suspeitas sobre quem foi escolhido pelo povo.
Nas declarações a partir do Palácio do Governo, Francisco Carvalho afirmou falar “como um cabo-verdiano profundamente preocupado com aquilo que está a acontecer ao nosso país”, considerando que a sucessão de acontecimentos constitui uma ameaça à imagem de Cabo Verde e à credibilidade das suas instituições democráticas.
Segundo o ex-autarca, “cada novo ataque político disfarçado de facto institucional, cada tentativa de transformar processos em espetáculo e cada esforço para lançar suspeitas sobre quem foi escolhido pelo povo, representam uma vergonha para Cabo Verde”.
Na sua perspetiva, estes acontecimentos não atingem apenas um responsável político, mas colocam em causa uma das democracias mais respeitadas, estáveis e admiráveis em África.
Francisco Carvalho sublinhou que Cabo Verde construiu, ao longo de décadas, uma reputação internacional assente na solidez das suas instituições, na maturidade democrática e na alternância pacífica do poder, acrescentando que essa imagem está agora a ser colocada em risco por quem, diz, “nunca aceitou verdadeiramente o veredito das urnas”.
O primeiro-ministro defendeu ainda que aqueles que alimentam “a instabilidade, a desconfiança e o conflito permanente” não enfraquecem apenas um governo ou um dirigente político, mas comprometem a confiança nas instituições e a estabilidade de que o país necessita.
Nas suas declarações, recordou que, antes das eleições, existiam apelos para “parar” Francisco Carvalho, afirmando que o povo respondeu “de forma clara nas urnas”. Por isso, entende que a atual situação representa uma tentativa de prosseguir essa estratégia “por outras vias”, garantindo, porém, que “não o conseguirão”, nem “à custa da democracia, nem à custa das instituições da República e, muito menos, à custa da vontade soberana do povo cabo-verdiano”.
Francisco Carvalho afirmou também que, desde que assumiu a presidência da autarquia ca capital, tem sido alvo de ataques semelhantes, assegurando que sempre os enfrentou “com serenidade e determinação”, mantendo a mesma postura perante o atual processo.
O ex-autarca reiterou o seu respeito pela justiça e garantiu que responderá, como sempre fez, “com serenidade, transparência e total confiança de que a verdade prevalecerá”. Ao mesmo tempo, disse que continuará a denunciar qualquer tentativa de transformar a vida política nacional num clima permanente de instabilidade e suspeição.
Na sua reação, Francisco Carvalho chegou a classificar o que está a acontecer como “uma tentativa de golpe de Estado, disfarçado de oposição”, assegurando que continuará concentrado no trabalho em prol da população e defendendo que Cabo Verde precisa de “paz institucional” e “estabilidade democrática”.
Francisco Carvalho deixou ainda claro que não se vai demitir na sequência das acusações que lhe são imputadas pela PGR.

