Cabo Verde entra hoje numa nova etapa da sua vida política. Depois de assumir, desde ontem, a liderança do parlamento, o PAICV prepara-se para tomar posse do governo, concretizando uma mudança de ciclo e uma clara viragem à esquerda na condução dos destinos do país.
A expectativa é grande. Durante a campanha eleitoral, o PAICV apresentou um conjunto de propostas que mobilizaram o eleitorado, entre as quais a gratuitidade do ensino superior nas universidades públicas, o reforço do acesso aos cuidados de saúde e a redução dos custos da mobilidade interilhas, com tarifas anunciadas de 500 escudos para viagens marítimas e cinco mil escudos para viagens aéreas.
Ao mesmo tempo, o partido de Francisco Carvalho prometeu um governo mais reduzido, numa lógica de contenção da despesa pública e eliminação daquilo que classificou como “gorduras do Estado”. É uma promessa que começará a ser testada já com a divulgação da composição do novo executivo, cuja investidura é aguardada para ainda hoje.
Naturalmente, o desafio vai muito além das promessas. Governar exige transformar compromissos eleitorais em políticas concretas, conciliando ambição social com responsabilidade financeira. Os cabo-verdianos estarão atentos à capacidade do novo poder político de responder às expectativas que ajudou a criar.
Para já, o sentimento dominante é de expectativa. O PAICV regressa ao governo com alguma legitimidade das urnas e com a responsabilidade de demonstrar que as mudanças prometidas são exequíveis. O país observa, espera e aguarda pelos primeiros sinais do novo ciclo político.


