Ventura: a pirraça e a mentira como exercício tosco

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André Ventura, o deputado do Chega, que vem inflamando o espaço mediático com declarações racistas e xenófobas, resolveu meter-se com Cabo Verde e o seu Governo.

Num exercício tosco, sustentado na pirraça e na mistificação, Ventura e a direção do seu partido, segundo a imprensa portuguesa, apelaram ao Governo de Cabo Verde para não se “imiscuir na vida política portuguesa ou de fazer considerações ou catalogações sobre o Chega e o seu papel na democracia portuguesa e no quadro europeu”, recorrendo ao nacionalismo radical que o caracteriza, argumenta que “em Portugal, são os portugueses que decidem o seu futuro”.

Mais adiante alegam, ainda, que “O Governo de Cabo Verde deveria sobretudo preocupar-se com a razão pela qual tantos jovens cabo-verdianos são obrigados a emigrar para Portugal e outros países da União Europeia, muitas vezes sem quaisquer condições ou perspetivas, porque no seu país não encontraram um Governo capaz de dar soluções”.

Estranhas afirmações para quem, socorrendo-se da mentira, escrevia no seu mural do Facebook (em 16 de março de 2020), que, não fora a emergência da pandemia da covid-19, deslocar-se-ia a Cabo Verde onde teria encontros com o Presidente da República e o Vice-Primeiro Ministro, entre outros – o que de todo nunca esteve agendado.

Isto é, num espaço curto de tempo, André Ventura vangloria-se de uma suposta viagem a Cabo Verde e encontros com as autoridades do país, para, logo a seguir, tentar apoucar o País e o Governo.

Os cabo-verdianos não têm vergonha de Cabo Verde ser um país com escassos recursos naturais nem nos refugiamos na pesada carga deixada pelo colonialismo (e que não é de todo irrelevante), apraz-nos constatar que, com a Independência Nacional, Cabo Verde conseguiu eliminar a fome nas ilhas e as mortes a ela associadas, sem nunca confundir os horrores do período colonial com o povo irmão de Portugal que, como é sabido, sempre foi um aliado do sonho de liberdade dos cabo-verdianos.

Pelo contrário, contrariando as dificuldades, temos vindo a construir um caminho fundado em fortes e inclusivas instituições, nos princípios da democracia, do estado de direito e onde valores como a inclusão, a dignidade e a tolerância sejam imagem de marca desta sociedade. Tivemos (e temos dito) a capacidade de transformar a condição de “País inviável” num aclamado Pais de Rendimento Médio, que surge no topo dos rankings Africanos em termos de indicadores sociais, de educação, de saúde, bem como em termos de mobilidade social. Nisso tudo, temos o orgulho de ter na nossa Diáspora (com quem Ventura convive muito mal) uma ancora central para o desenvolvimento e o prestígio destas ilhas no plano internacional.

André Ventura e o Chega estão nas antípodas dos valores e princípios que regem Cabo Verde, o seu atual Governo e a democracia cabo-verdiana!

LUÍS CARLOS SILVA
Deputado Nacional do Movimento para a Democracia

2 COMENTÁRIOS

  1. Quem sabe, o Ventura, pelos seus ideais, até se dá melhor com o Paicv e sua ideologia autoritária do que com o MpD, como muito bem salinizou o Casimiro de Pina. Perder tempo com o Ventura, é, todavia, uma aventura inglória. Está atrás dos votos dos seus conterrâneos e deseja internacionalizar a sua campanha eleitoral, tal como, de resto, tentou a candidata do PS, Ana Gomes que buscou enlamear a nossa reputação por causa de um pedaço de terreno comprado por um cabo-verdiano de dupla nacionalidade. De repente, afinal, vemos que o Chega, o PS e Paicv, afinal, são todos farinha do mesmo saco. Cada uma à sua própria maneira. Não há nenhuma diferença entre este Paicv e o Chega do Ventura. O que existe são fingimentos de ambos os lados. De resto, como várias vezes tem dito o Casimiro de Pina, o fascismo e o socialismos são iguais e despontam de uma mesma matriz autoritária. O MpD é um partido do centro-direita, com ideologia clara e destinta dos idiotas da extrema-direita e da dos esquerdopatas do Paicv.

  2. Nestes tempos defíceis e escaços, não é melhor opção esbanjar o pouco que se despõe com aventureiros desaventurados, com ideologias antiquadas, desnorteadas, sem sabendo que quem navega por estas iljas tem que ter no minimo boa conduta. Pois em presente, urge solucionar os problemas que nos afeta no periodo da crise.

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