Veterinários vão tentar explicar morte de 136 golfinhos na Boa Vista

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Pelo menos 136 golfinhos morreram desde terça-feira na praia de Altar, na ilha da Boa Vista, segundo dados da organização local BIOS.CV, que recolheu amostras de 50 indivíduos para serem analisadas por veterinários espanhóis.

          

A espanhola Carolina Oujo, coordenadora de projetos daquela organização não-governamental com sede na Boa Vista, disse não há ainda uma “explicação certa” para o que aconteceu nos últimos dias naquela praia, com o “encalhe em massa” de 163 baleias cabeça-de-melão (golfinhos).

De acordo com Carolina Oujo, os primeiros golfinhos, com mais de dois metros de comprimento, começaram a encalhar na terça-feira, pelas 5h30.

“Apesar das tentativas para os devolver ao mar, com mais de cem voluntários, ao final do dia, cerca das 16:00, deixámos a operação, porque não estava a resultar”, explicou.

Desde então, do grupo inicial de 163 golfinhos que encalharam naquela praia, os elementos da BIOS.CV já contabilizaram a morte de 136 – que foram enterrados na própria praia onde acabaram por morrer entre quarta e quinta-feira -, tendo recolhido, em conjunto com técnicos do Ministério do Ambiente, amostras de tecido de 50, para posterior análise.

Além disso, quatro golfinhos estão totalmente preservados, congelados, em instalações da Câmara Municipal da Boa Vista, e vão ser alvo de necropsias no dia 11 de outubro, por dois veterinários do Instituto de Saúde Animal da Universidade de Las Palmas, nas Canárias, em Espanha, processo com o apoio da BIOS.CV.

“Vamos tentar perceber o que esteve na origem deste encalhe em massa e aproveitar a presença destes veterinários para formar algumas técnicos locais, para lidar com este tipo de situação”, acrescentou Carolina Oujo.

Os técnicos espanhóis vão estar em Cabo Verde até 15 de outubro, ao abrigo do programa europeu Marcet, com ações nos Açores e na Madeira, Portugal, Canárias, Espanha, Cabo Verde e Senegal, em coordenação com parceiros e autoridades locais, em cada País.

“Não temos certezas, mas como estes golfinhos têm uma relação social muito forte, talvez tenha acontecido que alguns indivíduos estivessem doentes e deram à praia. Os outros terão vindo atrás. Mas não sabemos ao certo, é apenas uma hipótese”, explicou a especialista espanhola, que desde 2010 está radicada na ilha da Boa Vista.

“Desde o dia 24 tem sido muito triste ver o que se passa. Por outro lado, foi bonito ver a união de esforços, de tantas entidades diferentes, de empresas, de turistas, que tentaram ajudar estes golfinhos, apesar de não ter sido possível salvá-los”, lamentou.

Segundo Carolina Oujo, é de esperar que nos próximos dias deem à costa, sem vida, mais golfinhos do grupo inicial de 163.

Com Agência Lusa

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