A onda de violência contra imigrantes na África do Sul continua a intensificar-se, com ataques, saques e expulsões forçadas registados em várias regiões do país
Desde março deste ano, mais de 160 mil estrangeiros abandonaram o território sul-africano e pelo menos quatro pessoas perderam a vida.
A nova vaga de violência xenófoba tem como principal foco áreas da província de Gauteng, incluindo bairros da região de Joanesburgo, onde grupos de manifestantes e criminosos têm atacado residências e estabelecimentos comerciais pertencentes a cidadãos estrangeiros, obrigando milhares de famílias a fugir por receio de novas agressões.
Segundo organizações humanitárias, os ataques intensificaram-se a partir de março deste ano e ganharam força nas últimas semanas, alimentados por manifestações contra a imigração irregular e por discursos que responsabilizam os estrangeiros pelo desemprego, criminalidade e pressão sobre os serviços públicos. Muitos dos protestos culminaram em atos de violência, pilhagens e deslocações forçadas de comunidades migrantes.
Dados conhecidos até ao momento apontam para mais de 160 mil imigrantes que deixaram a África do Sul desde março, enquanto milhares de outros procuraram abrigo em centros de acolhimento ou aguardam repatriamento para os seus países de origem. A situação levou cidadãos do Gana a solicitar ao Tribunal Penal Internacional a abertura de uma investigação sobre alegados crimes contra a humanidade relacionados com os ataques xenófobos.
Embora as autoridades sul-africanas tenham condenado a violência e reforçado o policiamento em algumas zonas, organizações de defesa dos direitos humanos alertam que a resposta continua insuficiente para travar uma crise que volta a expor um problema recorrente no país, onde episódios de violência contra imigrantes têm sido registados de forma cíclica nas últimas duas décadas.

