Jesus disse ao paralítico: “Levanta-te, toma o teu leito e anda!” João 5:8.
Esta ordem chama-me a atenção, não apenas pelo milagre em si, mas pela exigência de atitude. O milagre aconteceu, sim, mas exigiu uma resposta, uma ação.
Vivemos tempos em que muitos reclamam de tudo e de todos. É comum vermos pessoas a culparem as circunstâncias, o governo, os pais ausentes ou até outros familiares pela sua própria condição. Tornaramse dependentes dos outros e reféns das situações.
Lembro-me bem da década de 90, quando a nossa mãe nos acordava religiosamente às 4h30 da madrugada para caminharmos, ida e volta, 18 quilómetros (de Luzia Nunes a São Filipe, ilha do Fogo) para ir à escola. Tínhamos um sonho e um propósito no coração: sair da pobreza e prosperar. E, graças a Deus, conseguimos.
Infelizmente, hoje parece que muitos vivem à espera que tudo lhes caia do céu, cachupa pronta na mesa, e ainda esperam que alguém lhes leve a colher à boca. Há quem, com criatividade e esforço, consiga gerar algum rendimento através da criação de animais, pequenos negócios informais ou outros meios, mas acabam por gastar esse dinheiro em coisas supérfluas, sem investir, por exemplo, na educação (“afinal, agora é de graça”).
Existe uma frase oriental que diz: “Tempos difíceis geram homens fortes. Tempos fáceis geram homens fracos.” A realidade tem-nos mostrado que esta geração, em muitos casos, tornou-se dependente, reclama mais do que se esforça, e investe pouco nos seus sonhos. Dizem que não têm oportunidades, que estão esquecidos, mas, comparando com os anos 80 e 90 (apesar das vicissitudes), hoje vivemos num verdadeiro paraíso de possibilidades e meios.
É urgente uma mudança de paradigma, especialmente na Educação. Precisamos de uma educação significativa, que vá além da mera transmissão de conteúdos, focando-se na formação pessoal e social. Precisamos preparar indivíduos para a vida: pessoas resilientes, corajosas, empreendedoras, capazes de contribuir efetivamente para o desenvolvimento do seu país. Não apenas profissionais diplomados, mas profissionais com iniciativa, criatividade e capacidade de gerar mais-valia nas instituições onde trabalham.
É tempo de arrepiar caminho. Caso contrário, os problemas que se avizinham podem comprometer o percurso exemplar que temos feito
“Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes, porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares.” Josué 1:9


