ARC. Quando interesses de “cidadãos privilegiados” estão acima do interesse público

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Acompanhei recentemente uma notícia de roubo de energia, implicando um deputado da Nação, no caso, o vice-presidente do PAICV, Rui Semedo.

Na altura, lendo a notícia no jornal OPAÍS, corroborado ipsis verbis e a 100% pelo comunicado da própria empresa lesada, Electra. Qual não foi meu espanto volvidos alguns meses deparo com uma outra notícia, agora na Infopress e que dá conta da posição da ARC, a Autoridade para a Regulação da Comunicação Social, que instaurou um processo de contraordenação ao jornal, por este, supostamente, não ter cumprido “critérios de isenção”.

Mas pergunto que critérios queria a ARC saber se a notícia em si é confirmada pela Electra, ou seja, ela é verdadeira e não se tratou de fake news, agora muito em voga.

A meu ver, o posicionamento da ARC é muito infeliz, ameaçador da própria liberdade de imprensa e, a fazer escola, pode ser um retrocesso a nível de Cabo Verde, num setor onde temos conseguido grandes avanços.

Mas a pergunta que não quer calar é a seguinte: porque age assim esta ARC? Será por se tratar de Rui Semedo, alguém, supostamente “influente” na nossa sociedade? Por se tratar de um ex- Ministro, alto dirigente partidário, ou ainda um “cidadão de primeira”?

E se não fosse Rui Semedo e fosse um cidadão comum, “um coitado” – como soa-se dizer na gíria crioula -, a ARC, teria esta mesma posição, agiria da mesma forma?

Cremos que não. O assunto morreria numa gaveta qualquer sem qualquer decisão. Morreria, simplesmente.

Mas este assunto é muito sério para ser tratado com ânimo leve e possivelmente por gente sem estofo nem bagagem para gerir dossiê tão sensível.

Não será caso para outros intervenientes, como a AJOC, o Presidente da República, o Governo, a Provedoria da Justiça e a própria ARC, prestarem muita atenção neste caso que pronúncia, um mau presságio para as liberdades democráticas deste país?

Ainda é tempo de se evitar que o leite se derrame.

Cabo Verde é um Estado de Direito, por isso mesmo, esse direito não deve ser condicionado.

Estamos do lado das liberdades e estamos solidários com o Jornal OPAÍS nesta luta, por uma imprensa livre.

Somos contra qualquer tipo de censura, vindo de onde vier.

Nossa geração jamais aceita qualquer retrocesso nesta matéria.

Pela liberdade, lutaremos sempre!

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1 COMENTÁRIO

  1. Meu “novinho” é esta a LIBERDADE da imprensa que reclama o paicv e seus MARIONETAS estratégicamente COLOCADAS em tudo que é o Estado e instituições que regula ou representa neste País, sem esquecer uma das principais poderes numa democracia a comunicação social. portanto a sociedade LIVRE tem que COMBATER este MAL!!!

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