Guerra interna no PAICV derruba Albertino Mota da Educação na Ribeira Grande

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Ex-deputado que foi indicado pelo ministro da Educação para liderar a Educação na Ribeira Grande de Santo Antão, chegou a receber os dossiês da responsável cessante, mas acabou afastado em menos de dez dias. Fontes do OPAÍS.cv apontam uma disputa interna no PAICV pelo cargo, vencida por Maria Teresa da Cruz. A ausência de licenciatura terá sido um dos argumentos usados contra o ex-deputado

A escolha de Albertino Mota, antigo deputado do PAICV, para delegado da Educação na Ribeira Grande de Santo Antão acabou por ser revertida poucos dias depois, num episódio que, segundo informações recolhidas pelo OPAÍS.cv, expõe uma disputa interna no partido pelo controlo daquela estrutura do ministério da Educação.

Albertino Mota havia sido indicado oficialmente no final de julho para assumir a delegação e chegou a receber os dossiês da então delegada, Elisabete Santos. Entretanto, menos de dez dias depois, a decisão foi alterada. O ministro Arnaldo Brito, assinou, a 12 de agosto, um novo despacho, com efeitos a 1 de agosto, indicando Maria Teresa da Cruz para o cargo.

Fontes ouvidas pelo OPAÍS.cv descrevem o processo como resultado de uma guerra interna no PAICV, com diferentes sensibilidades a disputarem a escolha do responsável pela Educação na Ribeira Grande. Segundo as mesmas fontes, Maria Teresa da Cruz acabou por prevalecer nessa disputa e assumir o lugar inicialmente atribuído a Albertino Mota.

Licenciatura terá pesado contra Albertino

Entre os argumentos utilizados contra a escolha de Albertino Mota terá pesado, segundo fontes do OPAÍS.cv, o facto de não possuir uma licenciatura, condição que terá sido levantada durante a disputa interna em torno da sua nomeação.

A questão da qualificação académica terá ganho peso no processo e contribuído para a decisão de substituir o antigo deputado pela nova indicada.

Albertino relativiza substituição

Contactado pelo OPAÍS.cv, Albertino Mota confirmou, na prática, a alteração da decisão, mas procurou relativizar o episódio e afastar a existência de qualquer conflito.

“Não aconteceu nada. Só mudanças estratégicas e estruturais”, afirmou o antigo deputado, acrescentando que não via o caso como algo que devesse ser explorado jornalisticamente.

Albertino Mota confirmou igualmente que está a trabalhar para criar condições para que a nova delegada possa assumir plenamente as funções “o quanto antes”.

Apesar da posição pública de Albertino Mota, informações recolhidas pelo OPAÍS.cv apontam para um ambiente de relações deterioradas entre o antigo indicado, Maria Teresa da Cruz e alguns dirigentes do PAICV, precisamente na sequência da disputa pelo cargo.

O episódio deixa, assim, exposta uma situação politicamente delicada: um responsável escolhido pelo próprio ministério da Educação, que chegou a iniciar a transição e a receber os dossiês da delegada cessante, foi afastado em poucos dias para dar lugar a outra indicação.

A rápida reversão da decisão levanta também questões sobre os critérios utilizados pelo Governo para preencher cargos de direção na Administração Pública e sobre o peso das disputas político-partidárias nessas escolhas.

O caso da Ribeira Grande transforma-se, deste modo, num dos primeiros episódios que evidenciam as tensões internas no PAICV em torno da distribuição de cargos de responsabilidade no aparelho do Estado, ao mesmo tempo que coloca o Governo perante a necessidade de explicar a sucessão de decisões num intervalo de poucos dias.

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