Governo tem criado condições necessárias para reforço da liberdade de Imprensa

Posição é do próprio Primeiro-Ministro, no Dia da Liberdade de Imprensa

Ulisses Correia e Silva reiterou, esta terça-feira, 3, que Cabo Verde tem criado as “condições necessárias” para o reforço da liberdade de Imprensa, da independência, da objetividade e do pluralismo da Comunicação Social e dos Jornalistas.

Num texto publicado na sua conta institucional no Facebook, em jeito de avaliação do ranking dos Repórteres Sem Fronteiras, sobre Cabo Verde, que ocupa a posição 36, num grupo de 180 países, o Chefe do Governo admitiu que “alguma tensão” entre a Imprensa e a Justiça, “dois órgãos independentes”, possa ter causado “alguma erosão” na classificação do País no referido ranking, este ano. No entanto, agrada-lhe o facto de o nosso País se destacar na região pelo ambiente de trabalho dos Jornalistas, onde a liberdade de Imprensa é garantida pela Constituição, com um cenário mediático “diversificado, onde as leis são muito favoráveis ao exercício do jornalismo, onde os profissionais podem exercer livremente”.

“Continuamos comprometidos em até em 2026, atingir a categoria “Boa” do ranking do Índice da Liberdade de Imprensa”, expressou o PM que igualmente recordou os “últimos investimentos” feitos pelo Governo nos órgãos públicos de Comunicação Social, “desde 2016”, de entre os quais se destacam a aprovação dos novos estatutos da RTC, o Conselho Independente, a revisão dos estatutos da ARC, de entre outros.

“Nas próximas semanas serão também beneficiadas cerca de mais dez rádios comerciais do País, a acrescentar às nove rádios comunitárias que já recebem um apoio anual de 250 contos cada”, informou, ao mesmo tempo que garante que o Governo irá estabelecer com os órgãos públicos de Comunicação Social um quadro de programação financeira plurianual de investimentos em equipamentos, modernização tecnológica e qualificação dos recursos humanos e de financiamento e incentivos públicos com base nos respetivos planos estratégicos de desenvolvimento e do contrato de serviço público.
“Criaremos ainda as condições para que a Inforpress se afirme como uma agência de notícias de referência a nível da CPLP e do continente Africano, assim como trabalharemos com os órgãos privados da Comunicação Social para a definição de um programa estruturado que melhore o contexto económico e financeiro em que operam”, garantiu.

Ainda no seu texto, o PM elogiou o facto de Cabo Verde afirmar-se como um dos cinco países “mais avançados” em matéria de implementação da Televisão Digital Terrestre, no espaço da CEDEAO, e onde cerca de 70% dos Cabo-verdianos têm acesso à Internet e cerca de 97% têm acesso aos sinais de rádio e televisão, com impactos “positivos” para o espetro mediático nacional e para as comunidades mais recônditas.

Covid-19. 365 amostras, 3 positivos e 6 recuperados

Todos os novos casos ocorreram na Ilha de Santo Antão

Porto Novo, 2, Ribeira Grande, 1, são os Municípios com novos casos de Covid-19 nesta terça-feira, informa o Ministério da Saúde, no seu habitual boletim diário sobre a evolução da pandemia no País.

Nas últimas 24 horas foram analisadas 365 amostras, 3 acusaram positivo para a doença e há 6 recuperados, 3 na Boa Vista, 2 na Cidade da Praia e 1 no Porto Novo. Os casos ativos são 16, menos 3 que no dia de ontem.

A soma dos casos confirma um total de 56.031 infeções desde o início da pandemia, sendo que 55.562 pessoas recuperaram da doença, 401 faleceram diretamente por complicações associadas à Covid e 43 faleceram por “outras causas”.

Joana Rosa reuniu-se com Igreja Nazarena

Governo quer envolvimento das igrejas no trabalho de elaboração do Plano Nacional de Reinserção Social dos Reclusos

O Governo continua a ter a preocupação com a criminalidade e sobretudo aquilo que está associado à questão da Reinserção Social. Esta é a declaração da Ministra da Justiça, Joana Rosa, transmitida à Imprensa após um encontro hoje com uma delegação da Igreja do Nazareno.

Joana Rosa que já tinha reunido, recentemente, com a Igreja Católica, disse tratar-se de espaços de partilha e debate com as congregações religiosas daquilo que é preocupante relativamente a uma taxa de reincidência muito alta afirmando que é “necessário trabalhá-la de modo à sua redução”.

“Ao reduzir a taxa de reincidência, estamos a reduzir a taxa de criminalidade que também é muito alta” enfatizou a Ministra, justificando o envolvimento das Igrejas e das Associações Comunitárias, ONGs, Municípios nesse processo.

O objetivo é colher informações e subsídios, no dizer de Joana Rosa, para se poder trabalhar esses aspetos relativamente à elaboração do Plano Nacional de Reinserção Social.

Trata-se de uma oportunidade, no entender de Joana Rosa, que estas instituições possam apresentar projetos concretos, de formação profissional, mas, também, da parte espiritual relativamente às Igrejas. “Tudo isto para que possamos trabalhar os reclusos, também as famílias em busca de soluções para aquilo que é o grande mal, principalmente, aqui na Praia, sobretudo no que toca à criminalidade”, disse.

Realçou que o propósito maior do Governo é que a reinserção social dos reclusos seja uma realidade e da abordagem daquilo que se quer fazer da tipologia do crime, seguir aquilo que se chamou da regra de Mandela que é a humanização nas cadeias, ou seja, os reclusos estão privados de liberdade mas não estão privados de dignidade sem descurar ainda a formação a diversos níveis dos agentes prisionais.

Ao sair do encontro, o Superintendente da Igreja do Nazareno, Distrito Sul, David Araújo, ressalvou a existência da Liga Nazarena da Solidariedade que tem feito vários cursos de capacitação dos jovens nas mais variadas vertentes como de arrumação de quartos, de jardinagem, de culinária e de pequenos socorros pelo que está apto a abraçar este projeto do Ministério da Justiça.

Repórteres Sem Fronteiras destaca Liberdade de Imprensa em Cabo Verde

Reconhecimento é feito no dia Mundial da Liberdade de Imprensa

A Liberdade de Imprensa em Cabo Verde foi destacada no relatório da 20.ª Edição do Ranking dos Repórteres Sem Fronteiras, considerando-a de “bastante boa” entre os melhores dos Países Lusófonos, depois de Portugal no índice hoje publicado.

Para além deste destaque em que Cabo Verde aparece bem classificado tendo os índices sidos igualmente considerados “exemplares”, nas suas regiões pela organização RSF.

Na 20.ª edição do ‘ranking’ mundial da liberdade de Imprensa, publicado hoje por ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a organização não-governamental internacional, sediada em Paris, avalia a prática do jornalismo em 180 países.

Os analistas internacionais que participaram no estudo tomaram em consideração cinco novos indicadores, para dar uma visão geral da liberdade de Imprensa, tendo em conta o contexto político, jurídico, económico, sociocultural e de segurança.

A classificação dos 180 países – de entre 0 e 100, sendo 100 a melhor pontuação possível – baseia-se numa quantificação dos abusos contra Jornalistas e numa análise qualitativa feita por especialistas em liberdade de Imprensa em cada País.

A situação dos Jornalistas é “muito grave” em 28 países, incluindo Rússia e Bielorrússia; “difícil” em 42 países, como Guiné Equatorial e Moçambique; e “problemática” em 62 países, incluindo Brasil, Angola e Guiné-Bissau.

A comparação com os países numa situação bastante boa (40 países, incluindo Timor-Leste e Cabo Verde) ou muito boa (oito países, incluindo Portugal) mostra o desequilíbrio a nível global.

Entre os países de língua Portuguesa, Portugal destaca-se no 7.º lugar dos países com mais liberdade de Imprensa e os restantes situam-se entre o 17.º (Timor-Leste) e o 141.º (Guiné Equatorial).

Com uma pontuação de 81,89 em 100, Timor-Leste subiu da 71.ª posição em 2021 para a 17.ª este ano.

Na sua análise, o relatório destaca que nunca nenhum Jornalista foi detido devido ao seu trabalho em Timor-Leste, mas alerta que a lei dos ‘media’ adotada em 2014 “paira sobre os Jornalistas como uma espada de Dâmocles e incentiva a autocensura”.

“Com muitas publicações em Tétum, Português e até em Inglês (…), os média Timorenses estão entre os mais livres da região”, refere-se.

Cabo Verde obteve 75,37 pontos no índice de 2022, menos do que os 79,91 que tinha no ano passado, e caiu da 27.ª para a 36.ª posição, mas ainda assim “destaca-se na região pelo seu quadro legal para Jornalistas”, escrevem os autores do relatório.

“A liberdade de Imprensa é garantida pela Constituição. No entanto, o Governo nomeia diretamente os diretores dos ‘media’ estatais, que dominam a paisagem mediática”, alertam.

A RSF sublinha que, ao contrário do que acontece na maioria dos outros países Africanos, as mulheres representam 70% dos Jornalistas em Cabo Verde.

No entanto, o reduzido tamanho das Ilhas limita o desenvolvimento de jornalismo de investigação e, como muitas pessoas se conhecem, os Jornalistas evitam muitas vezes pegar em assuntos que envolvam os seus conhecidos.

Embora nenhum Jornalista tenha sido detido ou colocado sob vigilância devido à sua atividade, alguns profissionais de média privados dizem ter sido ameaçados após a publicação dos seus trabalhos.

Miss Cabo Verde. Eloisa Morais abandonou candidatas após gala

As 18 candidatas ficaram, entre as 3 e 6 horas da madrugada à espera de serem levadas de volta para o hotel. “Depôs de miss al ka mestia es pa nada”

É mais um episódio da última gala Miss Cabo Verde, realizada, este ano, em São Filipe, na Ilha do Fogo, no passado 25 de abril, e que coroou Juseila Pereira, da Ribeira Grande de Santo Antão.

Num desabafo feito nas redes sociais, a jovem Dijanira Silva, que acompanhou a candidata da Ilha do Sal em São Filipe, contou que tanto a sua candidata como as outras foram “abandonadas” pela organização, a cargo de Eloisa Morais, da Capital Modell.

Esta testemunha diz que as candidatas estiveram “num quartel” sem contato com outras pessoas, impedidas de acessar aos telemóveis.

Dijanira Silva confirma que as candidatas cumpriram no Fogo uma agenda sobrecarregada, praticamente sem tempo para repouso, com as refeições sempre fora de horas, e não havia “intervalos de lanche”.

“E era um bocadinho de comida” confirma, acrescentando que todas as 18 candidatas “tinham vontade de beber” um sumol ou compal “mas não podia”. “Era sumo feito na água”, criticou.

Eloisa Morais, criticou Silva, “abandonou” as candidatas, “depôs de miss al ka mestia es pa nada”, na madrugada após a gala e entre as 3 e 6 horas, ficaram à espera de um transporte para serem levadas de volta para o hotel.

O vídeo que acompanha esta peça reporta todas as críticas na primeira pessoa.

com Dexam Sabi

Sal Rei acolhe IV Encontro Nacional de Vereadores do Desporto e da Juventude

“Município, um Pilar de Desenvolvimento do Desporto e da Juventude” é o lema do IV Encontro Nacional de Vereadores do Desporto e da Juventude que decorre a partir desta terça-feira, 3, até o dia 7, na Cidade de Sal Rei, na Ilha da Boa Vista

Organizado pelo Instituto do Desporto e da Juventude, em parceira com a Câmara Municipal da Boa Vista, o Encontro é um momento importante para debater e perceber a visão estratégica do Governo e das Câmaras Municipais para o desenvolvimento desses dois setores primordiais para o País.

Ponto de situação dos Centros de Juventude, possibilidade de parcerias, ativação dos Conselhos Municipais da Juventude, socialização do Regime Jurídico de luta contra Dopagem no Desporto são outros pontos que constam da agenda da reunião.

O encontro, que visa estabelecer uma comunhão e entendimento entre os poderes central e local, contará com a presença do Conselho Diretivo do IDJ, dos Vereadores para as áreas do desporto e juventude de todos os Municípios do País e será presidido pelo Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro para Juventude e Desporto, Carlos do Canto Monteiro.

Do programa de trabalho, constam, ainda, uma reunião com associações comunitárias e juvenis, visitas às infraestruturas desportivas, a realização da 2.ª etapa do Campeonato Regional de Kite Surf e MexiMexê Boa Vista, entre outros.

Governo facilita acesso de professores a apartamentos do IFH

Para além de professores, funcionários do Ministério da Educação poderão beneficiar de um acordo tripartido a ser assinado esta terça-feira

O Governo, através do Ministério da Educação, pretende apoiar todos os professores e demais funcionários deste Ministério, a adquirirem habitações “próprias e condignas”, facilitando o acesso às mesmas e em “condições vantajosas”.

Os apartamentos a serem disponibilizados são da IFH, sob a tutela Ministério das Infraestruturas, Ordenamento do Território e Habitação. Consta que a IFH dispõe de stock, de diversos apartamentos para venda, com possibilidade de aquisição em regime de venda e reserva de propriedade a prestações, de modo a facilitar o acesso a uma habitação condigna aos cidadãos.

Para facilitar o acordo e o acesso às habitações, um protocolo tripartido entre a IFH, o Ministério da Educação e o Ministério das Infraestruturas, Ordenamento do Território e Habitação, que estabelece as condições especiais de venda de apartamentos do IFH aos professores e funcionários do Ministério da Educação, num presidido, esta manhã, pelo Primeiro-Ministro.

ELECTRA preocupada com roubos e segurança lança campanha de fiscalização de contadores

Campanha decorre a nível nacional e visa a segurança das pessoas

A ELECTRA continua preocupada com a situação de roubo de eletricidade que perdura no tempo, enquanto cidadãos sem escrúpulos viciam os contadores nas suas residências.

É com esta preocupação que, também, envolve a segurança das pessoas, a Empresa Pública de Eletricidade e Água lançou uma campanha de inspeção, verificação e substituição de contadores que está em curso a nível nacional.

Esta ação visa uma maior segurança das instalações e melhoria do serviço prestado aos utentes.

A ELECTRA solicitou ainda a colaboração das pessoas na facilitação do acesso e atuação das equipas devidamente identificadas, na realização deste importante trabalho.

FMI/BM alocam 40 milhões de Dólares a Cabo Verde para Fundo para Resiliência e Sustentabilidade

Trata-se de um dos resultados da participação de Olavo Correia nas Reuniões de Primavera do Banco Mundial e do FMI

Cabo Verde vai poder aceder a um montante que ascende os 40 milhões de Dólares, do Fundo para Resiliência e Sustentabilidade, um novo mecanismo criado pelo Fundo Monetário Internacional que tem por objetivo ajudar os países a lidarem com os desafios estruturais macroeconômicos, face ao contexto atual de crise.

Trata-se de um dos resultados da participação do Vice Primeiro-Ministro, Ministro das Finanças e Fomento Empresarial, e Ministro da Economia Digital, Olavo Correia, que cumpriu uma importante missão a Washington, nos Estados Unidos da América, onde participou nas Reuniões de Primavera do Banco Mundial e do FMI, que decorreram de 18 a 24 de abril último.

Para ter acesso a esse Fundo, Cabo Verde vai ter que pôr em prática algumas recomendações mais genéricas, nomeadamente continuar a investir na saúde, na segurança sanitária, continuar a trabalhar para que as despesas sociais possam ser protegidas, evitar o aumento da pobreza extrema, e acelerar as reformas, concretamente, ao nível da transição energética e da transição digital, e apostar na mitigação e adaptação às alterações climáticas.

A missão a Washington permitiu a Cabo Verde dar seguimento às negociações com o FMI para se fechar o novo Programa que vai ajudar o País ao nível da implementação de reformas estruturantes para o seu desenvolvimento sustentável.

Deste modo é de se sublinhar que, o FMI vai apoiar também no relançamento da economia Cabo-verdiana e na adoção de um novo modelo de gestão das Finanças Públicas, o que vai permitir o nosso País melhorar os indicadores macroeconómicos.

De referir que esse programa com FMI tem uma abordagem ao nível da promoção de alguns investimentos em setores catalíticos, visando a efetiva promoção da retoma da economia, bem como o investimento na inclusão social visando a redução da pobreza extrema, pelo que o programa também irá focar na criação de um mecanismo para estabilização macroeconómica.

Com o Banco Mundial, o Vice Primeiro-Ministro assinou o acordo para o financiamento do projeto Capital Humano no valor de 26 milhões de Dólares, que irá incidir sobretudo na melhoria do sistema de educação em Cabo Verde, mas também da promoção da formação profissional, assim como a promoção da inclusão social.

De referir ainda que, com as reuniões em Washington, ficou a promessa da aprovação, para financiamento, de um projeto de relançamento do setor do turismo, no valor de 35 milhões de Dólares, que conta ainda com mais um financiamento adicional em cerca de 7 milhões de Dólares. Por outro lado, o Banco Mundial vai ajudar Cabo Verde, através de uma assistência técnica, visando numa nova estratégia para a gestão da Dívida Pública.

Outro grande ganho é que Cabo Verde conseguiu a confirmação do País nomear, até setembro deste ano.

Cabo Verde vai presidir e sedear African Caucus 2023. Esta é uma das decisões saídas de uma reunião técnica do FMI e do Banco Mundial para a preparação do African Constituency Meeting (Preparação do African Caucus), à margem das Reuniões de Primavera. Assim, com a atualização do quadro rotativo estipulado para a presidência do African Caucus, Cabo Verde assumirá a presidência em 2023. Trata-se de um evento que representa uma excelente oportunidade para o Governo na promoção da agenda de desenvolvimento de Cabo Verde junto dos altos representantes do FMI, do Banco Mundial e dos vários governadores dos países Africanos. African Caucus é uma reunião anual que agrega os Ministros das Finanças, Planeamento e governadores Africanos dos bancos centrais junto do FMI e Grupo Banco Mundial.

01 de maio de 1974

Éramos uma multidão. A totalidade dos participantes já tinha alguma relação com o PAIGC, que na altura ainda não tinha cá em Cabo Verde representantes da “fação” que viria da Guiné Bissau e de Conacri – eram principalmente  estudantes que um ou dois anos antes tinham regressado a Cabo Verde vindos de Portugal, para apoiar na luta clandestina contra o colonialismo, e estudantes do então Liceu “Adriano Moreira”, alguns destacados oposicionistas muito  conhecidos no meio, ou porque já tinham sido presos políticos, ou pelas suas posições públicas. Todos militantes da causa independentista, mas a maioria sem “cartão formal” do PAIGC.

Em suma, todos comprometidos com a Independência Nacional, originários de todos os pontos da Ilha de Santiago, unidos na altura por um mesmo ideal e hoje com posições político/partidário diferentes, principalmente os dirigentes dessa grande ação que se realizou 7 dias depois do 25 de abril de 1974.

Revejo-os, e posso afirmar, que pelo menos, figuras relevantes dos dois maiores partidos políticos atuais, estiveram em Tchon Bom, Tarrafal de Santiago e enfrentaram desarmados os guardas, os reforços militares e o Diretor desse centro penitenciário. Juntos forçaram a libertação dos presos políticos angolanos e cabo-verdianos que estavam na Prisão do Tarrafal, digo no Campo de Morte Lenta do Tarrafal de Santiago.

Da Praia, lembro-me que fomos num camião, todos de pé a gritar palavras de ordem que ficaram célebres: Viva o PAIGC! Viva Amilcar Cabral! Independência já! Abaixo o colonialismo!

Passamos por todos os povoados que ficavam no percurso Praia/ Tchon Bom a recolher, grão a grão, os então escassos militantes da Independência.

Chegados a Tchon Bom aguardamos os outros camaradas que a pouco e pouco se reuniam, até o grupo tornar-se uma multidão. Bom, sinceramente para mim naquela altura éramos muitos, hoje já não tenho tanta certeza, mas que éramos defensores convictos da causa da Independência, sim tenho a certeza; que queríamos a liberdade dos presos políticos sem dúvida e; que estávamos lá para o que desse e viesse também.

O Campo de Concentração tinha recebido reforços significativos de militares portugueses que estavam espalhados á volta dessa infraestrutura, armados até aos dentes. A multidão começou a gritar as palavras de ordem:

Liberdadi pa Presos Políticos! Viva o PAIGC! Viva a Independência de Cabo Verde! Abaixo o Colonialismo!, numa cadência cada vez mais rápida e forte e a aproximar-se do portão principal.

Os militares portugueses de arma em punho gritavam nem mais um passo, nem mais um passo, mas todos nós estávamos surdos e a conquista do terreno, passo a passo, grito a grito, ia acontecendo. Já a multidão estava a menos de 5 metros se bem me lembro e á espera do primeiro disparo, quando os militares baixaram os fuzis e escolheram as rosas do 25 de Abril.

Foi um delírio total a saída dos presos. Abraços, choros, reencontros, era a felicidade plena e depois os discursos.

Dos presos políticos libertados, lembro-me de duas pessoas em especial. Do Lineu Miranda, pela sua figura imponente, serena e simpática, e do Pedrinho Damas pela sua juventude e espírito rebelde. Também do Toco de Assomada, que sorrateiramente colocou uma pistola nas mãos do Pedrinho. Também me lembro dos dois irmãos angolanos e do escritor, esse porque era pequeno e branco, o que destoava do ideal que tinha então de combatentes da liberdade.

Foi um desfilar de carros e camiões de Tchon Bom a Praia com paragens obrigatórias nos povoados mais importantes, ao som das palavras de ordem de momento.

A chegada à Praia, momento político importante, pois era na capital que residia a força maior do PAIGC, os gritos e as palavras de ordem se multiplicaram por todas as ruas e bairros. Foi uma festa pá, fiquei contente diria Chico Buarque de Holanda, sendo, no entanto, brasileiro.

Depois deste dia nunca mais ouvi falar desse 1º de maio, em que centenas de jovens desafiaram o regime fascista português e abriram as portas da liberdade a mais de uma dezena de presos políticos angolanos e cabo-verdianos.

Do primeiro de maio ouvi sempre, a partir de 5 de julho de 1975, referências ao dia do trabalhador. Mas não era um dia de luta, de manifestações. Em Cabo Verde os sindicatos na altura, autênticos comités do PAIGC, achavam e tornaram isso uma realidade a meu ver triste, que o primeiro de maio devia ser o dia dos pikeniks, dia que se organizava e ainda infelizmente é assim, passeios às praias de mar. Manifestações, que não as do regime, lembrança de alguns momentos históricos, mas com “protagonistas não oficiais”, ou seja, com protagonistas que não estiveram no mato da Guiné Bissau ou em Conacri foram “apagadas” ou esquecidas.

De qualquer das formas, valeu a pena pessoal!

Tober