Diário de campanha 13. Partidos intensificam ações no terreno a quatro dias do fim da campanha

A quatro dias do encerramento oficial da campanha eleitoral para as legislativas de 17 de maio, os Partidos políticos continuam a reforçar a presença no terreno, com ações de proximidade, contactos com eleitores e atividades políticas em diferentes Ilhas

Esta terça-feira, 12, o Presidente do PP, Amândio Barbosa Vicente, cumpre agenda em Santiago Norte, com passagem pelo Concelho de Santa Cruz.

A líder do PTS, Jónica Brito, prossegue a campanha em Santiago Sul, com atividades previstas na Cidade da Praia e vai também a Caiada e à Cidade Velha, na Ribeira Grande.

O Presidente do MpD, Ulisses Correia e Silva, mantém agenda política na Cidade da Praia, visitando vários bairros. À tarde tem arruada em Ponta d’ Água, Vila Nova, Calabaceira e Safende.

O Presidente do PAICV, Francisco Carvalho, continua em Santo Antão, onde tem agenda no Tarrafal de Monte Trigo.

Já o líder da UCID, João Santos Luís, divide o dia entre Sal e São Vicente. No Sal tem encontro com jovens e realiza porta-a-porta, e no Mindelo preside comício ao início da noite.

CVSky transporta mais de 4.700 passageiros nas festas de São Filipe e reforça importância da ligação aérea com o Fogo

Entre 18 de abril e 5 de maio, companhia operou 94 voos. O pico de movimentação ocorreu no dia 25 de abril, quando foram transportadas 364 pessoas

A CVSky transportou 4.785 passageiros durante as operações especiais realizadas por ocasião das festas do 1.º de Maio e da Bandeira de São Filipe, na Ilha do Fogo, reforçando a relevância da ligação aérea entre a Cidade da Praia e São Filipe num dos períodos de maior mobilidade para a Ilha.

Segundo dados apurados pelo OPAÍS.cv junto de fonte oficial, a companhia registou uma taxa média de ocupação de 70,9% entre os dias 18 de abril e 5 de maio, período em que decorreu a operação especial no corredor aéreo Praia/São Filipe/Praia.

Ao longo dos 18 dias de operação, a CVSky realizou 94 voos, assegurando uma resposta reforçada à elevada procura de passageiros durante as festividades, consideradas das maiores manifestações culturais e religiosas da Ilha do Fogo.

O pico de movimentação ocorreu no dia 25 de abril, quando foram transportadas 364 pessoas entre as duas Ilhas.

No trajeto Praia/São Filipe, a companhia transportou 2.579 passageiros, correspondendo a 53,9% do total. Já no sentido inverso, São Filipe/Praia, viajaram 2.206 passageiros, equivalente a 46,1%.

Os números confirmam a importância estratégica das operações da CVSky para a mobilidade interilhas, sobretudo em períodos festivos e de grande fluxo de passageiros, contribuindo para aproximar comunidades, facilitar deslocações e dinamizar a economia local do Fogo.

A política do nada e do custo zero: uma opção orçamental e economicamente impossível

Num contexto político marcado por promessas fáceis e discursos emocionalmente apelativos, é cada vez mais importante recentrar o debate público na seriedade económica, na responsabilidade orçamental e na sustentabilidade das políticas públicas. Cabo Verde não pode regressar aos ciclos de improvisação financeira, de expansão descontrolada da despesa e de deterioração macroeconómica, que penalizam sobretudo os mais pobres. O país alcançou o atual quadro de estabilidade com muito esforço, disciplina e credibilidade internacional. Colocar tudo isso em risco em nome de medidas eleitoralistas seria um erro histórico.

O recente anúncio de um dos candidatos às eleições legislativas de 2026, que promete um conjunto de gratuitidades financiadas por cortes nas despesas com bens e serviços e deslocações e estadas, revela precisamente esse tipo de abordagem populista e economicamente inconsistente. A proposta pode soar sedutora no plano político imediato, mas não resiste a uma análise técnica minimamente séria. Na prática, trata-se de uma promessa sem respaldo orçamental, sem coerência macrofiscal e sem sustentabilidade financeira.

Mais do que uma simples divergência política, estamos perante uma questão estrutural: que tipo de Estado queremos construir? Um Estado financeiramente sólido, que inspire confiança, atraia investimento e crie oportunidades? Ou um Estado refém de promessas irrealistas, financiadas por défices crescentes e pelo aumento da dívida pública?

A verdade é simples. Não existe “tudo grátis”. Alguém paga sempre a conta. Quando o Estado gasta acima das suas possibilidades, a fatura acaba por recair sobre os contribuintes, as futuras gerações e a própria economia, através da inflação, do aumento da dívida e da perda de confiança.

Nos últimos anos, Cabo Verde conseguiu consolidar um dos quadros macroeconómicos mais robustos da sua história recente. O país reduziu significativamente o défice orçamental, estabilizou a trajetória da dívida pública, reforçou a sua credibilidade junto dos parceiros internacionais e voltou a criar condições favoráveis ao investimento privado. Este processo não aconteceu por acaso. Foi resultado de uma governação baseada no rigor, no planeamento a médio prazo e na responsabilidade orçamental.

A estabilidade macroeconómica é atualmente um dos principais ativos estratégicos do país. Permite ao Estado financiar-se em condições mais favoráveis. É ela que transmite confiança aos investidores. É ela que sustenta a relação com instituições multilaterais e parceiros de desenvolvimento. Além disso, cria previsibilidade para as famílias e empresas.

Quando um país pequeno, insular e altamente vulnerável, como Cabo Verde, perde a sua credibilidade orçamental, as consequências são particularmente graves. A margem de manobra é reduzida. O acesso ao financiamento externo torna-se mais dispendioso. O investimento desacelera. O setor privado contrai-se. O crescimento económico perde dinamismo.

Por conseguinte, as propostas que impliquem um aumento significativo da despesa pública sem fontes de financiamento credíveis representam um risco concreto para a estabilidade económica nacional.

É precisamente aqui que essas propostas revelam uma fragilidade estrutural.

O discurso assenta na ideia de que seria possível financiar novas gratuitidades através de cortes nas despesas do Estado, sobretudo nas despesas com aquisição de bens e serviços e deslocações e estadas. No entanto, esta narrativa ignora por completo a estrutura real do Orçamento do Estado.

Qualquer pessoa com conhecimentos básicos de finanças públicas sabe que o orçamento do Estado de Cabo Verde é altamente rígido. Em Cabo Verde, cerca de 70% a 80% da despesa pública é praticamente rígida. Estamos a falar de despesas obrigatórias e permanentes, como despesas com salários, juros da dívida, subsídios, transferências e benefícios sociais.

Estas despesas não podem ser simplesmente eliminadas por vontade política. São compromissos legais, institucionais e sociais do Estado.

Sobra, então, uma parcela relativamente pequena do orçamento, entre 20% e 30%, onde se inserem a aquisição de bens e serviços, outras despesas correntes e ativos não financeiros (investimentos públicos).

Se excluirmos os investimentos públicos, uma vez que cortar investimentos significa travar o crescimento económico, a infraestruturação e a modernização do país, resta essencialmente a rubrica de aquisição de bens e serviços.

E é aqui que surge o maior problema da proposta.

A aquisição de bens e serviços representa, em média, cerca de 15% do Orçamento do Estado. Entretanto, estimativas conservadoras indicam que o conjunto de promessas apresentadas sob o pretexto da gratuitidade exigiria recursos equivalentes a cerca de 8 a 10% do orçamento total do Estado.

Em suma, na prática, seria necessário destruir grande parte da capacidade operacional do Estado para financiar essas medidas.

Isso não é sério.

A ideia transmitida é a de que as despesas com bens e serviços correspondem, essencialmente, a desperdícios, luxos, viagens ou gastos supérfluos. No entanto, esta visão é profundamente enganadora.

Grande parte dessas despesas financia o funcionamento básico da administração pública e dos serviços essenciais do Estado, por exemplo, o funcionamento de hospitais e escolas, a aquisição de medicamentos, a manutenção de equipamentos, o combustível, a energia, a água, os sistemas informáticos, a logística operacional, a implementação de projetos, a assistência técnica especializada ou os estudos e consultorias.

É precisamente esta última categoria que exige mais honestidade intelectual no debate.

Há uma tentativa recorrente de demonizar os estudos e as consultorias, apresentando-os como gastos inúteis. Esta narrativa pode ser politicamente conveniente, mas é economicamente perigosa e intelectualmente desonesta.

Num Estado moderno, os estudos técnicos e as consultorias são instrumentos fundamentais para o planeamento, a avaliação e a execução de políticas públicas. Permitem avaliar a viabilidade económica, o impacto ambiental, a engenharia financeira e a sustentabilidade dos projetos.

Mais importante ainda, uma parte significativa desses estudos é financiada ou exigida por parceiros internacionais e instituições multilaterais para a implementação dos projetos.

Muitos financiamentos externos só são desembolsados após a apresentação de estudos de viabilidade robustos. Em suma, suprimir os recursos destinados a estudos e consultorias significa inviabilizar a execução de projetos estratégicos.

Sem estudos sérios, o risco de maus investimentos aumenta drasticamente.

E Cabo Verde conhece bem os custos dessa lógica.

No passado, projetos mal concebidos ou deficientemente avaliados geraram enormes perdas financeiras para o país. Casos como o programa “Casa Para Todos”, a barragem de Salineiro, a barragem de Banca Furada ou a própria ponte da Boa Vista tornaram-se símbolos de falhas graves de planeamento e execução.

A lição deveria ser clara. O problema não é realizar estudos. O problema é realizar investimentos sem estudos sérios.

É igualmente importante desmentir outra narrativa enganadora. A ideia de que as despesas com deslocações e estadas correspondem essencialmente a viagens dos membros do Governo. Tal não corresponde à realidade orçamental do Estado. Essa rubrica abrange despesas de todos os órgãos de soberania, missões diplomáticas, deslocações de médicos e equipas de saúde, evacuações médicas, inspeções técnicas, ações de fiscalização e controlo externo, missões de segurança, justiça e acompanhamento de projetos financiados internacionalmente. Muitas vezes, trata-se de despesas diretamente relacionadas com o funcionamento do Estado e a prestação de serviços públicos essenciais. De facto, a componente associada exclusivamente às deslocações governamentais representa menos de um quarto do total dessa rubrica, demonstrando o caráter simplista e demagógico de propostas que apresentam cortes lineares nesta área como solução mágica para financiar novas despesas permanentes.

Portanto, governar não é fazer promessas. Governar consiste em tomar decisões responsáveis, com base num planeamento técnico e na sustentabilidade financeira.

Há uma diferença profunda entre políticas sociais sustentáveis e populismo orçamental.

Cabo Verde precisa de políticas públicas fortes, inclusivas e socialmente sensíveis. No entanto, essas políticas devem ser construídas sobre bases sólidas. Quando um governo promete benefícios sem explicar como estes serão financiados de forma sustentável, está apenas a transferir custos para o futuro.

A história económica internacional está repleta de exemplos de países que mergulharam em crises profundas precisamente por terem confundido política social com irresponsabilidade orçamental.

Em economias frágeis, o populismo económico tem efeitos particularmente destrutivos.

Primeiro, aumenta o défice público. Depois, aumenta a dívida. A confiança dos investidores e parceiros externos deteriora-se em seguida. Por fim, o país é forçado a realizar ajustamentos dolorosos que afetam precisamente as populações mais vulneráveis.

É por isso que a estabilidade macroeconómica deve ser encarada como uma política social em si mesma.

Um país com inflação descontrolada não protege os mais pobres.

Um país com um nível de endividamento excessivo não protege os jovens.

Um país sem credibilidade externa não cria empregos sustentáveis.

Um país que destrói a confiança dos investidores não cria oportunidades económicas.

A verdadeira proteção social é construída através do crescimento económico sustentável, da criação de rendimento, de emprego e do fortalecimento das capacidades produtivas da economia.

É precisamente isso que Cabo Verde começou a consolidar nos últimos anos.

O país conseguiu posicionar-se como uma economia credível, resiliente e estável, num contexto internacional extremamente adverso. Após os impactos devastadores da pandemia e das crises internacionais, Cabo Verde recuperou o crescimento económico, reforçou as reservas externas e estabilizou indicadores orçamentais fundamentais.

Tal só foi possível graças a uma estratégia coerente a médio prazo.

Ao contrário da lógica imediatista das promessas eleitoralistas, o planeamento económico exige visão estratégica, gradualismo e responsabilidade.

Nenhum país pequeno consegue prosperar com políticas baseadas exclusivamente na expansão da despesa pública. O crescimento sustentável depende sobretudo da capacidade de dinamizar o setor privado, aumentar a produtividade, atrair investimento e criar valor acrescentado.

É precisamente por isso que a confiança é um ativo económico central.

Os investidores, nacionais e estrangeiros, tomam decisões tendo em conta a estabilidade institucional, a previsibilidade orçamental e a coerência das políticas públicas.

Quando o discurso político começa a sinalizar aventureirismo orçamental, as consequências manifestam-se rapidamente através da diminuição do investimento, do aumento do custo de financiamento, da deterioração da perceção de risco, da retração económica, da pressão cambial ou da fragilidade orçamental.

Num país dependente de financiamento externo e de importações, estes riscos tornam-se ainda mais relevantes.

Por conseguinte, o debate eleitoral não pode resumir-se a uma competição de promessas impossíveis.

A política económica séria exige responsabilidade. Exige dizer a verdade às pessoas. Exige reconhecer os limites orçamentais. Exige priorização.

Não há desenvolvimento sustentável sem disciplina orçamental.

Os países que conseguiram transformar-se economicamente foram precisamente aqueles que combinaram políticas sociais inteligentes com estabilidade macroeconómica e uma forte capacidade de execução.

Cabo Verde deve continuar nesse caminho.

Isto significa aprofundar as reformas estruturais, melhorar a eficiência do Estado e a sua digitalização, aumentar a competitividade económica e reforçar os setores estratégicos.

Significa continuar a investir na educação, na qualificação dos recursos humanos, na saúde, nas infraestruturas, na transição energética, na economia digital, no turismo sustentável, na economia azul, na inovação, na produtividade, etc.

No entanto, significa também preservar aquilo que foi conquistado com enorme esforço: a credibilidade económica do país.

Destruir essa credibilidade é fácil. Reconstruí-la leva anos.

O discurso político responsável não deve alimentar a ilusão da gratuitidade absoluta. Deve, antes, explicar como gerar riqueza suficiente para financiar melhores políticas sociais.

O verdadeiro desafio nacional não é aumentar a dependência do Estado. É criar mais oportunidades económicas.

Um país desenvolve-se quando cria emprego produtivo, aumenta o rendimento das famílias e fortalece o tecido empresarial. É assim que se aumentam as receitas fiscais de forma sustentável e se permitem financiar políticas públicas duradouras.

Sem crescimento económico, qualquer expansão da despesa pública conduz, inevitavelmente, a uma crise orçamental.

E Cabo Verde não pode dar um passo atrás.

O país já sofreu as consequências de ciclos de descontrolo orçamental e endividamento excessivo. Conhece os custos de políticas públicas sem sustentabilidade financeira. Conhece os impactos da perda de confiança externa.

Hoje, pelo contrário, Cabo Verde é frequentemente apresentado como exemplo de boa governação macroeconómica e de gestão prudente entre os pequenos Estados insulares.

Esse posicionamento não deve ser posto em causa por agendas eleitoralistas de curto prazo.

A política exige ambição social, mas também responsabilidade económica.

É perfeitamente legítimo defender uma maior proteção social, um melhor acesso a serviços públicos e uma redução dos custos para as famílias. No entanto, o problema surge quando essas propostas ignoram por completo as restrições orçamentais e os impactos macroeconómicos.

Prometer tudo a todos pode render aplausos momentâneos. No entanto, governar exige muito mais do que slogans.

Governar exige coragem para dizer que os recursos são limitados.

Exige capacidade técnica para definir prioridades.

Exige uma visão estratégica para garantir a sustentabilidade.

Exige responsabilidade para não hipotecar o futuro do país.

No fundo, a verdadeira escolha política não é entre sensibilidade social e rigor económico. Essa é uma falsa dicotomia.

A verdadeira escolha é entre políticas sustentáveis, que criam prosperidade duradoura, e o populismo orçamental, que produz instabilidade, dívida e crises futuras.

Cabo Verde precisa de continuar no caminho da estabilidade, da confiança e do crescimento sustentável.

Sem estabilidade macroeconómica, não há desenvolvimento social duradouro.

E sem responsabilidade orçamental não há futuro económico seguro para as próximas gerações.

Gilson Pina, PH.D.

Economista – Doutorado em Economia

 

 

 

 

Bolsa de Valores de Cabo Verde assinala 28 anos com resultados históricos e aposta na Diáspora

A Bolsa de Valores de Cabo Verde celebrou esta segunda-feira, na Cidade da Praia, os seus 28 anos de existência com indicadores considerados históricos para o mercado de capitais nacional

A PCA da instituição, Júlia da Cruz, destacou o crescimento da Bolsa, o reforço da literacia financeira e a aposta na Diáspora como sinais da consolidação do setor financeiro Cabo-verdiano.

Falando aos jornalistas à margem da cerimónia comemorativa, Júlia da Cruz sublinhou que 2025 foi um “ano histórico” para a Bolsa de Valores, revelando que a capitalização bolsista atingiu os 146,1 mil milhões de Escudos Cabo-verdianos.

Segundo a responsável, o mercado primário alcançou 33,7 mil milhões de Escudos, enquanto o mercado secundário registou igualmente crescimento, com um número recorde de 436 operações transacionadas.

A PCA da Bolsa destacou ainda o trabalho desenvolvido na área da literacia financeira, considerado um dos pilares estratégicos da instituição. Apenas em 2025, a BVC realizou 32 ações e eventos de formação e sensibilização, envolvendo mais de 1.700 participantes.

As iniciativas abrangeram estudantes do ensino básico e universitário, operadores do mercado, emigrantes e público em geral, com o objetivo de aumentar o conhecimento sobre investimentos e funcionamento do mercado de capitais.

Outro dos eixos destacados foi a criação do regulamento “Diaspora Bond”, mecanismo direcionado exclusivamente à Diáspora Cabo-verdiana para investimento em projetos no País através do mercado de capitais.

Embora o regulamento já tenha sido aprovado, a responsável explicou que ainda não houve emissões, uma vez que a prioridade atual passa pela divulgação do instrumento junto dos potenciais investidores e emitentes. A expectativa da Bolsa é intensificar este trabalho ao longo do próximo semestre.

Júlia da Cruz destacou igualmente a importância do novo Código do Mercado de Valores Mobiliários, que deverá ampliar as oportunidades de financiamento para pequenas e médias empresas, aumentando o número de emitentes e dinamizando o acesso ao mercado de capitais em Cabo Verde.

A celebração dos 28 anos da Bolsa de Valores de Cabo Verde ficou marcada pela realização da 4.ª edição dos Bolsa Awards, evento que distinguiu empresas, instituições e profissionais pelo contributo ao desenvolvimento do mercado financeiro nacional.

Trabalhadores dos Registos, Notariado e Identificação Civil e Criminal cancelam greve após aprovação do PCFR

Greve que deveria acontecer na próxima sexta-feira, dia 15, está agora cancelada

A Associação Sindical dos Trabalhadores dos Registos, Notariado e Identificação Civil e Criminal (ASTRANIC) anunciou o cancelamento da greve marcada para 15 de maio, na sequência da aprovação do Plano de Carreiras, Funções e Remunerações (PCFR) em Conselho de Ministros.

Em comunicado, citado pela Agência Inforpress, o sindicato explicou que o diploma encontra-se agora em fase de promulgação pelo Presidente da República, considerando que houve avanços nas reivindicações que motivaram a paralisação.

A greve tinha sido convocada devido a alegados atrasos na aprovação e implementação do PCFR para conservadores, notários e oficiais ajudantes dos registos, notariado e identificação civil e criminal.

Na altura, a ASTRANIC acusava o Governo de incumprimento dos prazos estabelecidos num memorando de entendimento que previa a aprovação do plano até abril deste ano.

Cabo Verde e Santa Sé reforçam Concordata com novo protocolo de cooperação

Protocolo vai facilitar aplicação da Concordata e reforçar direitos dos cidadãos

Cabo Verde e a Santa Sé reforçaram esta segunda-feira as relações de cooperação bilateral com a assinatura de um protocolo adicional à Concordata de 2013, documento que visa aprofundar e facilitar a implementação prática do acordo jurídico existente entre o Estado de Cabo Verde e a Igreja Católica.

O protocolo foi assinado pela Ministra de Estado, Janine Lélis, e pelos Bispos Dom Ildo Fortes e Dom Teodoro Tavares, na presença do Secretário para as Relações com os Estados e Organismos Internacionais da Santa Sé, Dom Paul Richard Gallagher.

Segundo a Ministra, o novo instrumento jurídico vem consolidar áreas já em desenvolvimento, nomeadamente o estatuto jurídico da Igreja, a assistência espiritual, o património cultural e o ensino religioso nas escolas, este último como disciplina optativa e facultativa.

A governante destacou ainda os avanços alcançados em matérias ligadas à liberdade religiosa e ao reconhecimento civil dos casamentos religiosos, na sequência da entrada em vigor do novo Código do Registo Civil.

Por sua vez, Dom Ildo Fortes considerou que o protocolo representa um passo importante para tornar mais clara e efetiva a aplicação da Concordata. Segundo o Bispo de Mindelo, o objetivo é transformar os princípios gerais do acordo em mecanismos concretos que garantam direitos aos cidadãos.

O Prelado destacou benefícios em áreas como assistência religiosa nos hospitais, acompanhamento espiritual nas Forças Armadas, educação moral e religiosa e proteção dos direitos dos crentes.

Dom Ildo Fortes sublinhou ainda que o protocolo ajudará a evitar interpretações divergentes na aplicação da Concordata, criando maior clareza jurídica para instituições e cidadãos.

Também o Bispo de Santiago, Dom Teodoro Tavares, classificou o acordo como “um marco significativo” nas relações entre Cabo Verde e a Santa Sé, defendendo que a cooperação entre ambas as partes contribui para a construção de uma Sociedade mais fraterna e solidária.

A Concordata assinada em 10 de junho de 2013 foi considerada histórica por tornar Cabo Verde o primeiro País da África Ocidental a celebrar um acordo jurídico desta natureza com a Santa Sé.

Para além do Bispo Emérito de Santiago, Dom Arlindo Furtado, a assinatura foi, de ente outros, testemunhada pelo Núncio Apostólico para Cabo Verde, Dom Waldemar Stanisław Sommertag.

Campanha eleitoral. UCID e PAICV centram campanha em São Vicente com críticas à governação e propostas para descentralização e prevenção climática

Os líderes da UCID e do PAICV estiveram ontem em ações de campanha na Ilha de São Vicente, onde apresentaram críticas à governação atual e defenderam medidas voltadas para o ordenamento urbano, prevenção climática, descentralização e melhoria das condições sociais no País

O Presidente da UCID, João Santos Luís, esteve em Bela Vista, onde apontou problemas ligados à requalificação urbana e ao crescimento desorganizado da localidade, situação que, segundo afirmou, contribuiu para agravar os estragos provocados pela tempestade Erin, em agosto do ano passado.

O líder da UCID defendeu a criação de um Fundo Municipal de Emergências Climáticas, financiado pela Câmara Municipal, Orçamento do Estado e parceiros internacionais, destinado a apoiar ações de prevenção e resposta a fenómenos climáticos extremos.

João Santos Luís considerou ainda que, após a passagem da tempestade, as intervenções realizadas foram insuficientes, afirmando que o que tem havido “são remendos” e que ainda não foram executadas “obras estruturantes”. Entre as medidas propostas, destacou a construção de infraestruturas de proteção costeira, retenção de água e desentupimento de diques.

O dirigente da UCID acusou igualmente o Governo e a Câmara Municipal de São Vicente de utilizarem recursos públicos para influenciar os eleitores antes do sufrágio.

Já o Presidente do PAICV, Francisco Carvalho, discursou num comício em Monte Sossego, onde acusou o MpD de tentar desviar a atenção dos problemas que afetam a população.

Francisco Carvalho afirmou que o crescimento económico anunciado pelo Governo do MpD não tem produzido efeitos concretos na vida das pessoas, apontando a emigração jovem e a alegada destruição de empregos no meio rural como sinais das dificuldades enfrentadas pelo País.

No capítulo da descentralização, o líder do PAICV propôs a realização de uma consulta popular para definir o modelo a ser adotado em Cabo Verde, defendendo um referendo “totalmente livre” que permita aos cidadãos apresentarem propostas sobre a organização do poder local e regional.

Francisco Carvalho assegurou ainda que pretende aprofundar a descentralização e a desconcentração administrativa, prometendo uma governação mais próxima das Ilhas e das Câmaras Municipais.

Campanha eleitoral. MpD destaca investimentos, PTS aponta abandono social e PP defende mais apoios à pesca

Os Partidos continuam a intensificar as ações de campanha para as eleições legislativas do próximo domingo, dia 17 de maio, com discursos centrados em investimentos públicos, condições sociais e desenvolvimento económico local

O MpD, o PTS e o PP apresentaram nas últimas ações de campanha, diferentes propostas e leituras sobre os desafios do País, em intervenções realizadas nas ilhas do Fogo e Santiago.

O Presidente do MpD, Ulisses Correia e Silva, que ontem cumpriu agenda no Fogo, destacou os investimentos realizados pelo Governo na Ilha, particularmente na Cidade de São Filipe. Segundo o líder democrata, a Cidade apresenta hoje melhores condições urbanísticas e maior atratividade graças às obras de requalificação financiadas pelo Executivo, em parceria com a Câmara Municipal.

Ulisses Correia e Silva referiu ainda que o Governo tem em curso a requalificação da estância balnear de Salinas, projeto que classificou como um dos maiores empreendimentos turísticos da Ilha.

Por sua vez, a Presidente do PTS, Jónica Brito, afirmou, durante ações de campanha em São Domingos, que apesar de reconhecer alguns avanços, persistem problemas sociais e carências em várias comunidades. A dirigente apontou dificuldades ligadas ao saneamento e denunciou situações de abandono por parte do Estado.

Jónica Brito defendeu igualmente políticas públicas mais inclusivas para o setor informal, com atenção particular às mulheres peixeiras. O PTS propõe a criação de um regime simplificado e especial que, segundo o Partido, seja mais ajustado às condições económicas desta classe profissional.

Já o Presidente do PP, Amândio Barbosa Vicente, centrou a sua mensagem no Município do Tarrafal de Santiago, defendendo a atribuição de um estatuto especial para o Concelho, acompanhado de mais investimentos públicos e infraestruturas, incluindo um cais e uma via rápida com a Cidade da Praia.

No setor das pescas, Amândio Barbosa Vicente propôs medidas voltadas para a industrialização e modernização da atividade, com aposta em embarcações de longo curso para pesca em alto mar, além da melhoria do acesso ao gelo e combustíveis para os pescadores.

Ribeira Brava volta ao centro da Igreja do Nazareno no Norte de Cabo Verde

Há memórias simples que atravessam décadas e permanecem vivas no coração. Lembro-me vagamente do meu pai regressando de São Nicolau, depois de uma Assembleia Distrital da Igreja do Nazareno. Trazia consigo uma mala de plástico cheia de bolachas. Naquele tempo, bolachas eram quase um luxo raro lá em casa. Foi uma verdadeira festa para nós, crianças. Entre risos e alegria, sem perceber, aquele momento ficou gravado na minha memória.

Hoje, mais de quatro décadas depois, encontro-me em São Nicolau, na qualidade de pastor e líder local da Igreja do Nazareno, com a honra e o privilégio extraordinário de receber novamente a Assembleia Distrital na Ribeira Brava, 43 anos depois da sua última realização nesta ilha.

Uma Assembleia Distrital vai muito além de sessões administrativas, relatórios, prestação de contas ou eleições. É, acima de tudo, um tempo de comunhão, reencontro, serviço e fortalecimento espiritual. É o momento em que irmãos de diferentes ilhas se encontram para celebrar a fé, renovar vínculos e sonhar juntos o futuro da Igreja.

Fiéis vindos de todas as ilhas do Distrito Norte (da Boa Vista a Santo Antão) estarão presentes neste grande encontro. Ribeira Brava receberá Nazarenos nacionais, membros da diáspora e lideranças internacionais da denominação. Para uma cidade tranquila e, muitas vezes, esquecida nos grandes acontecimentos nacionais, este evento representa uma oportunidade singular de devolver centralidade a São Nicolau e, particularmente, à Ribeira Brava.

Mais do que acolher a Assembleia Distrital, a ilha receberá também o acampamento distrital(no Tarrafal), com conferências e actividades voltadas tanto para temas espirituais como sociais, reforçando o compromisso da Igreja com a formação integral das pessoas e das comunidades.

Um dos momentos mais marcantes desta programação será, sem dúvida, a dedicação do templo da Igreja do Nazareno da Ribeira Brava como Memorial Rev. Daniel de Barros. Trata-se de uma homenagem justa e merecida a uma das figuras que mais contribuíram para o desenvolvimento da Ribeira Brava e da Igreja do Nazareno em São Nicolau.

O Rev. Daniel de Barros deixou marcas profundas que sai da esfera religiosa, mas sobretudo na vida social da ilha. Destacou-se como desportista, formador na área da mecânica, voluntário da Cruz Vermelha e servidor público, chegando inclusive a assumir responsabilidades de liderança municipal em períodos particularmente difíceis para Ribeira Brava. O seu legado permanece vivo na memória e na história desta comunidade.

Este grande encontro constitui igualmente uma oportunidade para que todos os sanicolauenses, e os ribeirabravenses em particular, se unam à Igreja do Nazareno, contribuindo para que estes dias sejam verdadeiramente extraordinários. Com espírito de acolhimento, cooperação e fé, Ribeira Brava poderá demonstrar, mais uma vez, aquilo que sempre caracterizou o seu povo: hospitalidade, simplicidade e calor humano.

Ribeira Brava é reconhecida pela sua hospitalidade e pelo calor humano do seu povo. Tudo indica que esta Assembleia Distrital será um momento marcante, que vai além de um simples evento religioso: será, certamente, um momento histórico de comunhão, reencontro e celebração da fé. Durante estes dias, São Nicolau e, particularmente, Ribeira Brava, estarão no centro da vida da Igreja do Nazareno em Cabo Verde.

Legislativas. Bispo de Mindelo apela a serenidade na reta final da campanha eleitoral

Dom Ildo Fortes apela à elevação do debate e evitar a crispação, observando que por trás de cada político “está uma família” e uma rede de relações que não deve ser afetada pelo clima eleitoral

A uma semana das eleições legislativas de 17 de maio em Cabo Verde, o Bispo de Mindelo lançou um forte apelo aos atores políticos para a elevação da qualidade dos debates e dos discursos políticos, defendendo mais respeito, diálogo e responsabilidade no confronto de ideias. Dom Ildo Fortes alerta para sinais de crescente tensão no ambiente político e pede moderação na forma como decorre a campanha eleitoral.

Dom Ildo Fortes, que falava á RCV, observa que o País tem registado “alguma crispação” no espaço político, sublinhando a necessidade de preservar a convivência democrática num País que considera marcado pela proximidade e pela “morabeza”.

“Confundimos adversários com inimigos. Nós somos um País tão pequeno, somos um povo com esta morabeza que nós conhecemos. Nós somos uma família”, afirmou o Bispo, defendendo que o debate político deve ser centrado na qualidade das ideias e não na confrontação pessoal.

O responsável da Igreja Católica no Mindelo alertou ainda para o aumento da tensão política, considerando que tal evolução “não abona em favor de ninguém”. Nesse sentido, apelou ao respeito mútuo entre candidatos e forças políticas, sublinhando que por trás de cada político “está uma família” e uma rede de relações que não deve ser afetada pelo clima eleitoral.

Dom Ildo Fortes defendeu igualmente que o confronto de ideias é essencial em democracia, mas deve ser feito com elevação e respeito pelos valores fundamentais da Sociedade Cabo-verdiana, como o diálogo e a convivência pacífica.

O Bispo de Mindelo foi ainda claro na condenação de práticas que considera prejudiciais ao processo democrático, nomeadamente qualquer forma de manipulação ou compra de votos, apelando à integridade e transparência no ato eleitoral.