Patriarcado de Lisboa expressa “sincera e fraterna solidariedade” à Diocese de Mindelo

Dom Rui Valério escreveu a Dom Ildo Fortes, por ocasião da destruição causada pela tempestade que atingiu a Ilha, sede da Diocese de Mindelo

O Patriarca de Lisboa, Dom Rui Valério, manifestou solidariedade ao Bispo de Mindelo, Dom Ildo Fortes, na sequência da destruição causada pela tempestade que atingiu a Ilha de São Vicente, sede da Diocese de Mindelo, na passada segunda-feira, 11.

Em carta divulgada esta quarta-feira nas redes sociais do Patriarcado de Lisboa, Dom Rui Valério dirigiu palavras de conforto e proximidade à comunidade afetada. “Neste momento de grande tristeza, quero expressar a toda a comunidade afetada a minha mais sincera e fraterna solidariedade”, escreve Dom Rui Valério, observando que “o sofrimento que enfrentam não passa despercebido, nem diante de Deus nem diante dos nossos corações.

As nossas orações sobem ao céu por aqueles que partiram, pelos seus familiares e por todos quantos perderam tanto”.

O Patriarca invocou ainda “o divino Espírito Santo sobre todos aqueles que estão neste momento a fazer grandes esforços para procurar os desaparecidos e para dar condições de vida dignas a todos os que perderam casas e meios de subsistência”.

Dom Rui Valério destacou os laços históricos e espirituais que unem as duas Dioceses, sublinhando o percurso de Dom Ildo Fortes, que integrou o presbitério de Lisboa antes de ser nomeado Bispo de Mindelo.

“São muitos os laços que unem as nossas duas dioceses, mas de forma particular tendo sido o Senhor D. Ildo membro do presbitério de Lisboa, sentimo-nos particularmente vinculados à sua diocese, por quem rezamos, ao mesmo tempo que procuramos os melhores meios para ajudarmos quer espiritualmente, quer materialmente, neste momento”.

O gesto de solidariedade do Patriarcado de Lisboa surge num momento em que a Ilha de São Vicente, vive dias de luto e reconstrução, após chuvas torrenciais que causaram 8 perdas humanas e avultados danos materiais.

Leia a carta na íntegra.

Futebol Feminino. Seven Stars e Black Panther disputam final do campeonato nacional

Final será jogada na sexta-feira, na Ilha do Sal entre duas equipas da Capital

O Seven Stars e o Black Panther, ambas equipas da Cidade da Praia, vão disputar a final do campeonato nacional de futebol feminino, esta sexta-feira, 15 de agosto, no Estádio Marcelo Leitão, na Ilha do Sal.

As duas formações garantiram ontem, terça-feira, o apuramento para a grande final. O Seven Stars bateu o Real Madrid de São Vicente por 3-0, enquanto o Black Panther empatou a 1-1 com o Lhana, do Sal, no tempo regulamentar, mas venceu por 5-3 nas grandes penalidades.

Campeão em título, o Seven Stars procura revalidar o troféu, mas terá pela frente uma equipa determinada.

A final coloca frente a frente duas equipas da Capital, num jogo que promete emoção e equilíbrio.

Governo alarga Estado de Calamidade a Porto Novo e São Nicolau

A medida terá a duração de seis meses e visa permitir uma resposta mais eficaz aos danos provocados pelas chuvas intensas

O Governo decidiu estender o Estado de Calamidade aos Municípios do Porto Novo, em Santo Antão, e à Ilha de São Nicolau, juntando-se assim à Ilha de São Vicente, onde a medida foi decretada na passada segunda-feira, 11.

Segundo as autoridades, o Estado de Calamidade terá a duração de seis meses e visa permitir uma resposta mais eficaz aos danos provocados pelas chuvas intensas que atingiram estas regiões nos últimos dias.

No Município da Ribeira Brava, tal como no Porto Novo, os principais estragos registam-se nas vias de acesso, com várias localidades temporariamente isoladas. Já no Tarrafal de São Nicolau, além dos danos em estradas, as chuvas causaram a perda de várias cabeças de gado, agravando ainda mais a situação das famílias afetadas.

O Governo admite preocupação com a possibilidade de novas precipitações nos próximos dias, o que poderá agravar o cenário atual.

PR em São Vicente para avaliar crise provocada pelas chuvas

José Maria Neves deve encontrar-se com o Presidente da Câmara Municipal, ainda esta manhã

O Presidente da República, José Maria Neves, encontra-se esta quarta-feira, 13, em São Vicente, com o objetivo de se inteirar da situação de emergência provocada pelas fortes chuvas que caíram sobre a Ilha na madrugada de segunda-feira.

Ainda esta manhã, o Chefe de Estado deverá reunir-se com o Presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Augusto Neves, e visitar algumas das zonas mais afetadas.

A deslocação de José Maria Neves acontece depois de visitas já realizadas pelo Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva, e pelo Presidente da Assembleia Nacional, Austelino Correia, que estiveram na Ilha entre segunda e terça-feira, para acompanhar de perto os impactos da intempérie.

O Presidente da República faz-se acompanhar pelo Presidente da Associação Nacional dos Municípios de Cabo Verde, ANMCV, Fábio Vieira.

Curraletes. Temporal “serviu como tábua de salvação” à Câmara Municipal do Porto Novo, acusa Deputado Damião Medina

Sublinhado é do Deputado da Nação, Damião Medina, para quem aquele festival nunca esteve programado, não tinha cartaz e nem orçamento

O cancelamento do Festival de Música de Curraletes, no Concelho do Porto Novo, anunciado ontem pela Presidente da Câmara Municipal, Elisa Pinheiro, está a gerar indignação entre diversos setores da Sociedade local. Para muitos, o evento nunca chegou a ser verdadeiramente programado, não tinha cartaz, data definida ou orçamento, e o anúncio do seu cancelamento é visto como uma manobra da Autarquia para justificar uma falha pré-existente.

Entre os críticos está o Deputado da Nação e Coordenador Eleito do MpD no Porto Novo, Damião Medina, que reagiu nas redes sociais, desafiando a Presidente da Câmara Municipal a esclarecer a população. “O impacto deste temporal que passou em Cabo Verde, vos serviu como tábua de salvação”, sublinhou o Deputado, para quem a Câmara Municipal do Porto Novo não tinha condições financeiras, políticas, nem demonstrava interesse em realizar aquele festival.

Segundo o Deputado, a Autarquia liderada por Elisa Pinheiro teria utilizado o mau tempo como desculpa para encobrir a falta de organização e vontade política. “O festival de Escrrelet acontece religiosamente no mês de agosto e, estando há duas semanas para o fim do mês, ainda os Portonovenses não tinham nenhuma comunicação formal da parte da Câmara Municipal, sobre a data da realização do festival, nem conhecimento do cartaz de artista e o respetivo orçamento”, criticou.

Embora reconheça que, nas atuais condições, não seria viável realizar o evento, Damião Medina insiste na importância de se falar com verdade à população, sustentando que o que está em causa não é apenas o festival, mas a transparência e o respeito pelos cidadãos.

MpD envia sentimento de pesar e forte abraço de solidariedade a São Vicente

Partido no poder, diz acompanhar situação da ilha com “muita tristeza e consternação”

O MpD enviou ontem, terça-feira, 12, o seu “sentimento de profundo pesar e um forte abraço de solidariedade” ao povo da Ilha de São Vicente, afetado pelas chuvas de ontem.
Numa declaração política, o Secretário Geral do MpD, Agostinho Lopes, diz que o Partido do Governo acompanha “com muita tristeza e consternação” a tragédia que assolou tanto a Ilha de São Vicente como as Ilhas de Santo Antão e São Nicolau.

“A Ilha de São Vicente foi a mais afetada, com perdas de vidas humanas, muitos desalojados e uma devastadora destruição de bens pessoais e coletivos”, refere o SG do MpD, que neste momento de dor e luto, “endereçamos o nosso mais sentido voto de pesar às famílias enlutadas, aos que perderam não só os seus entes queridos, mas igualmente ficaram sem as condições básicas para uma vida digna”.

“Temos consciência das limitações económicas do nosso País”, acrescenta a nota, entretanto “sabemos igualmente que, em casos desses, cada perda material passa a ser um fardo adicional para as famílias, agravando consideravelmente as condições de sobrevivência de muitas delas”, pelo que o MpD apela e encoraja as autoridades a “tudo fazerem” no sentido de encontrarem os meios necessários para os necessários apoios.

Aos militantes, simpatizantes e amigos do MpD, em todo o mundo, o SG do MpD deixa um apelo no sentido de se organizarem para, “eficazmente, recolherem apoio solidário a ser enviado para a Ilha de S. Vicente nos próximos tempos e enquanto durar a situação de fragilidade social resultante desta calamidade”.

“Este apelo é igual e fortemente dirigido aos empresários do País, especialmente os amantes da liberdade, da democracia e da dignidade humana, na convicção de que, nesta hora, o mais pequeno gesto de solidariedade conta”, ajunta Lopes que deixa incentivo ao Governo, desde o Primeiro-Ministro aos outros membros do Governo que face à situação alteraram suas agendas “para se dedicarem ao trabalho de socorro e reposição das condições mínimas tendentes à normalização da vida económica e social das populações e Ilhas afetadas”.

Sissoco Embaló presta homenagem às vítimas da tempestade em São Vicente

O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, abriu esta quinta-feira a reunião do Conselho de Ministros com um gesto de solidariedade para com Cabo Verde. Antes do início dos trabalhos, Sissoco pediu um minuto de silêncio em memória das vítimas da violenta tempestade que atingiu a ilha de São Vicente na madrugada de segunda-feira, causando mortes e destruição.

O chefe de Estado guineense manifestou “profunda consternação” perante a tragédia e transmitiu, em nome do Governo e do povo da Guiné-Bissau, sentimentos de pesar às famílias enlutadas e ao povo cabo-verdiano. O gesto simbólico reforça os laços de proximidade histórica e cultural entre os dois países lusófonos.

Em São Vicente, as autoridades continuam a contabilizar os danos e a prestar apoio às vítimas, enquanto prosseguem os esforços de limpeza e recuperação.

E (quase) tudo a chuva (que deveria ser amiga) levou

Por volta das 2h30 da madrugada de segunda-feira, 11 de agosto, já acordados desde a 1h30, fomos surpreendidos por um espetáculo assustador da natureza. Sobre a ilha de São Vicente, caíam chuvas intensas, trovões ensurdecedores e relâmpagos que, por instantes, substituíram a luz que a eletricidade já não nos dava. E ainda bem que a energia foi cortada, porque, com tanta água a cair, o risco seria ainda maior para a vida humana. Era como se um imenso tanque tivesse sido aberto e despejado sobre nós, de uma só vez, sem aviso.

Enquanto tentávamos conter a água que entrava por debaixo da porta, houve um momento em que tudo mudou. Do lado de fora, ouvimos um estrondo. Era a força da água, que já não batia, mas arrombava. A porta cedeu. A água entrou com toda a sua autoridade, sem pedir licença, empurrando-nos com o peso da sua fúria.

Num instante, tudo começou a boiar. Objetos, móveis e outros pertences. E nós, ali, impotentes, apenas observávamos, incrédulos. Não havia como impedir. Só Deus, mesmo, para acudir numa hora dessas.

Foi uma noite inteira em claro, não só para nós, mas para muitas outras famílias vizinhas. Valeu a entreajuda. Pessoas, muitas anónimas, apareceram e ajudaram. Limpamos o que deu, socorremos quem podíamos. O djunta-mon voltou a provar que é real e necessário, sobretudo num momento como aquele.

Ao amanhecer, todos aguardavam o dia com um único objetivo: ver onde colocar os pés. Era o caos. Um cenário verdadeiramente desolador.

E (quase) tudo a chuva (que deveria ser amiga) levou.

Famílias que já tinham pouco, perderam o pouco que lhes restava. E agora? Agora é hora de recomeçar. Não sabemos como nem por onde, mas sabemos que é preciso levantar e seguir. Para muitos, tudo é necessário. Por isso, é hora de nos unirmos, outra vez.

O momento é difícil. E é urgente apoiar, sobretudo os que mais precisam. Este é o tempo de estarmos presentes e de ajudar a reconstruir vidas que as chuvas suspenderam.

Depois de tudo o que vimos e vivemos, sentimos o dever de agir. Por isso, lanço este apelo a todos os meus amigos, em Cabo Verde e na diáspora: ajudem-nos a ajudar.

Muitas famílias ao nosso redor foram severamente afetadas. Precisam de quase tudo, desde roupas, utensílios de cozinha, alimentos, fogões, colchões, materiais de higiene, o básico para o dia a dia.

Qualquer apoio é bem-vindo. O que cada um puder doar, por menor que pareça, fará toda a diferença.

Agradecemos, desde já, por toda a solidariedade. Os donativos serão entregues a um grupo de famílias de uma das zonas mais afetadas da ilha de São Vicente. “O pouco de cada um, quando dado com amor, torna-se muito”, já dizia alguém.

Muito obrigado. Que Deus continue a nos abençoar e a proteger a todos.

Navio Kriola transporta material de Proteção Civil para São Vicente

Viagem extra foi solicitada pelo Governo para responder à situação de emergência provocada pelas chuvas

O navio Kriola realiza ainda hoje, terça-feira, uma viagem extra à Ilha de São Vicente, transportando material de Proteção Civil destinado a apoiar as ações de socorro às populações afetadas pelas fortes chuvas registadas ontem.

A deslocação foi solicitada pelo Governo, através do Serviço Nacional de Proteção Civil, com o objetivo de garantir o envio urgente de apoios e equipamentos essenciais para as zonas mais atingidas.

De acordo com a CV Interilhas, o Kriola fará amanhã, quarta-feira, a viagem de regresso no percurso Mindelo–Praia, estando aberta ao transporte de passageiros interessados.

Em consequência desta operação extra, a viagem previamente agendada entre Praia e a Ilha do Maio para amanhã foi adiada para as 17h00.

Tarrafal de São Nicolau cancela festas do Município em solidariedade com São Vicente

Nota oficial da Autarquia, refere que a decisão do cancelamento do programa das festividades é uma questão de “respeito e solidariedade”

A Câmara Municipal do Tarrafal de São Nicolau anunciou, esta terça-feira, 12, o cancelamento do restante da programação das festas do Município, em sinal de respeito e solidariedade para com a Ilha de São Vicente, duramente atingida pelas chuvas que caíram na madrugada de ontem, segunda-feira.

Segundo uma nota oficial da Autarquia, a decisão foi tomada em “respeito” às vítimas e em “solidariedade” com o povo de uma “Ilha irmão”, na sequência das fortes chuvas que provocaram diversos estragos e resultaram em várias vítimas mortais, incluindo oito óbitos já confirmados.

“Manifestamos, igualmente, a nossa profunda solidariedade para com a Ilha irmã de São Vicente, duramente atingida por estas chuvas. Neste momento de dor, luto e perdas, expressamos o nosso apoio, tanto a nível institucional como pessoal, ao povo São-vicentino”, refere a nota oficial divulgadas há momentos.

A Câmara Municipal informa ainda que está a mobilizar “apoios concretos para ajudar as comunidades afetadas em São Vicente”.

“Em sinal de respeito e solidariedade, foi também decidido o cancelamento de todas as atividades alusivas ao Dia do Município que estavam programadas”, reforça a nota.

A Autarquia aproveitou a ocasião para apresentar um breve balanço dos impactos das chuvas no Concelho do Tarrafal, destacando a importância da união entre todos neste momento difícil.