MpD denuncia “manual de guerra suja” do PAICV nas redes sociais

Secretário-geral do Partido afirmou que, para o PAICV, o que está em causa não são os interesses do País, mas sim a conquista do poder a qualquer custo, sem ética nem compromisso com as causas nacionais

O Secretário-geral do MpD acusou esta segunda-feira, 14, o PAICV de levar a cabo uma estratégia de “guerra suja” e “condicionamento da comunicação social”, numa tentativa de chegar ao poder a qualquer custo.

Em conferência de imprensa, Agostinho Lopes denunciou a existência de um suposto “manual de instruções” do maior Partido da oposição, com orientações que, segundo o dirigente, atentam contra os valores democráticos do País.

De acordo com o Secretário-geral, o documento, que já circula nas redes sociais e meios de comunicação, propõe ações concertadas de manipulação, assédio virtual, difamação e desinformação, com o objetivo de enfraquecer a imagem do Governo e condicionar a opinião pública.

“É um verdadeiro manual de guerra política digital, que incentiva o uso da mentira, do insulto e da intimidação para silenciar vozes contrárias e confundir os cidadãos”, afirmou.

Entre os métodos descritos no documento, apontou, ataques sistemáticos a comentários e perfis de apoiantes do MpD nas redes sociais, com recurso a insultos, ameaças e suspeições, de forma a desincentivar a participação dos mesmos nos debates públicos;

Campanhas de desinformação que visam gerar desconfiança sobre o uso de recursos públicos, mesmo quando aplicados em obras e projetos de interesse nacional;

Disseminação massiva de frases de ataque pessoal ao Primeiro-Ministro e a membros do Governo, como “Ulisses RUA” ou “Mentiroso”, elevando o discurso político a níveis de hostilidade “potencialmente perigosos”.

Agostinho Lopes sublinhou que este tipo de atuação “não é novo”, mas que agora se tornou explícito e assumido, deixando de ser apenas uma perceção para se transformar numa prática documentada e institucionalizada no seio do PAICV.

“Desde 2016 que temos assistido a este tipo de comportamento, mas agora o partido foi mais longe: oficializou a sua estratégia de destruição reputacional como arma eleitoral”, denunciou.

O dirigente do MpD alertou para os riscos que tais práticas representam para o tecido democrático Cabo-verdiano, defendendo que nenhum democrata deve permanecer indiferente perante este cenário.

“Não se trata apenas de uma disputa política. Está em causa a preservação de um bem maior: a democracia, o respeito institucional e a estabilidade social”, reforçou.

Por fim, apelou à sociedade civil, aos órgãos de comunicação social, aos partidos políticos e à cidadania consciente para se posicionarem contra aquilo que considera ser “uma perigosa deriva extremista” no debate político.

Presença de tubarões leva à interdição da praia do Armazém em Porto Novo

Medida visa garantir a segurança dos banhistas numa das praias mais procuradas da Cidade nesta época do ano

O Corpo de Bombeiros Voluntários do Porto Novo interditou esta segunda-feira, 15, a praia do Armazém devido à presença de tubarões, colocando a bandeira vermelha que proíbe o banho no local.

Segundo o Comandante, a medida visa garantir a segurança dos banhistas numa das praias mais procuradas da Cidade nesta época do ano.

O responsável apelou ainda à intervenção das autoridades policiais para garantir o cumprimento da interdição.

Também foram avistados tubarões na praia de Quintinha, embora esta não seja considerada uma zona balnear.

Já a praia de Curraletes, outra muito frequentada, não registou ocorrências até o momento.

Confrontos entre moradores e polícia devido a demolição de casas autoconstruídas em Loures

Decisão da Câmara Municipal de Loures está a inquietar a população

Esta segunda-feira, 14, ocorreram confrontos entre a polícia e moradores de um bairro em Loures, Portugal, devido à demolição de casas autoconstruídas naquele Concelho.

Vários moradores tentaram impediram a entrada de maquinarias pesadas, mas sem sucesso. A polícia teve que intervir para dispersar um grupo de residentes.

No local estava uma equipa de intervenção da polícia que entretanto teve que ser reforçadas. Os agentes agiram sobre a população com bastões.

No Bairro do Talude Militar, iniciou esta segunda-feira, a demolição de casas autoconstruídas por vários moradores.

Presente no local, a Vice-Presidente da Câmara Municipal, que responde pelo pelouro da Habitação, Sónia Paixão, não prestou declarações à Imprensa.

Quadro de Cesária Évora é roubado na Ilha de São Vicente

Suspeito foi captado por câmaras de vigilância. Autoridades já foram notificadas

Um quadro da icónica cantora Cabo-verdiana Cesária Évora foi roubado na passada sexta-feira, 4, da Casa da Morna, na Ilha de São Vicente.

Segundo informações divulgadas pela própria instituição nas redes sociais, o autor do roubo foi identificado pelas câmaras de vigilância do local. Trata-se de um indivíduo conhecido na comunidade como “Nilton” ou “Levezinho”, que entrou discretamente no espaço e retirou a obra sem levantar suspeitas.

“O indivíduo em questão é conhecido localmente como “Nilton” ou “Levezinho”.

Apelamos à vossa colaboração: oferece-se uma recompensa a quem fornecer informações credíveis que levem à recuperação do quadro”, escreve a Casa da Morna na rede social Facebook.

O caso já foi reportado às autoridades competentes, que estão a investigar o ocorrido.

Presidente da Câmara de Lisboa defende estatuto especial para Cabo Verde na UE

Carlos Moedas reforçou a sua convicção de que o Arquipélago reúne condições para um relacionamento mais profundo e estratégico com a Europa

O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, defendeu que Cabo Verde deveria ter um estatuto diferenciado junto da União Europeia, para além da atual Parceria Especial.

Em declarações à TCV em Lisboa, o Autarca da Capital Portuguesa reforçou a sua convicção de que o Arquipélago reúne condições para um relacionamento mais profundo e estratégico com a Europa.

“Eu tenho realmente esta ligação. Quando fui Comissário Europeu, defendi muitas vezes que Cabo Verde, como um País soberano, deveria pertencer à União Europeia”, afirmou Carlos Moedas, sublinhando que essa possibilidade já foi estudada por diversos cientistas políticos e que levou o tema à consideração das instâncias Europeias.

Moedas destacou também o potencial Cabo-verdiano no setor da inovação, ciência e tecnologia, áreas em que vê uma oportunidade única de cooperação mais estreita. “Há uma ligação muito forte com Cabo Verde como um País único, com jovens de grandes talentos que são únicos no mundo”, disse, acrescentando que essa relação especial é particularmente notável no domínio empresarial e científico.

Para o Autarca Lisboeta, um estatuto mais avançado nas relações entre Cabo Verde e a União Europeia traria benefícios mútuos e reforçaria os laços históricos e culturais já existentes.

Cabo-verdiano convicto que vai ganhar eleições em Brockton

Moises Rodrigues que é natural da Ilha do Fogo vai a eleições em novembro

O Cabo-verdiano Moises Rodrigues, natural da Ilha do Fogo, está confiante na vitória nas eleições para Presidente da Câmara Municipal de Brockton, que acontecem em novembro deste ano.

Em declarações à TCV, o político que concorre pelo Partido Democrata, afirmou ser o único Cabo-verdiano na corrida nestas eleições e assegura contar com o apoio de todas as altas figuras da Comunidade Cabo-verdiana eleitas na Cidade.

“Não está nenhum outro Cabo-verdiano a concorrer para Presidente de Câmara, sou o único, e tenho apoio de todos os outros eleitos que são altas entidades Cabo-verdianas na Cidade. Então tudo indica que, com o apoio dos outros grupos étnicos, da comunidade branca mesmo, vamos vencer”, declarou.

Segundo Moises Rodrigues, esta coligação de esforços é motivo de grande satisfação para a sua equipa, que vê no apoio recebido um sinal claro de adesão e confiança no seu projeto político.

Entre os principais objetivos da sua candidatura estão a melhoria do saneamento, a implementação de programas de integração social mais abrangentes, o combate à criminalidade e a construção de uma sociedade mais inclusiva.

Rodrigues já assumiu o cargo de Presidente da Câmara Municipal de Brockton por alguns meses, e afirma agora querer regressar para “dar continuidade ao trabalho que ficou por fazer”.

Política

• A política é um sector nobre. O cargo político deve ser sempre encarado como temporário, uma função, e sobretudo uma missão, para servir bem as pessoas e o país.

• O foco da política deve ser, sempre, o BEM COMUM. Tudo o que é feito deve partir do AMOR às pessoas e à pátria. Esse AMOR não pode limitar-se a discursos teóricos sem efeito prático; ele deve traduzir-se no BEM-ESTAR das pessoas e no progresso do país.

• Governar é um ato nobre. É estar num lugar que Deus, através do povo, concedeu para melhor servir. É uma oportunidade de gerar oportunidades, de tocar vidas com amor, emprego e melhores condições de vida.

• O governante deve sentir-se realizado e feliz ao atribuir uma habitação social a uma família de baixa renda, ao construir ou reabilitar um jardim infantil ou uma escola, ao edificar um estádio ou um polidesportivo, ao melhorar acessos com estradas, ao atribuir um subsídio a quem verdadeiramente precisa mesmo sabendo que os beneficiários podem não reconhecer o seu esforço. Tudo isso, além de ser dever de quem governa, constitui também o direito dos governados.

• É essencial compreender a essência da política, a sua evolução ao longo da história e a sua utilidade nas diversas sociedades. Essa evolução não foi linear, nem tampouco consensual.

• A DIGNIDADE da PESSOA HUMANA, o BEM-ESTAR das populações, melhores condições de vida para as famílias, e mais oportunidades para as empresas prosperarem, gerando emprego, riqueza, rendimento e, consequentemente, redistribuição devem estar sempre no centro das preocupações de quem governa.

• Contudo, o que muitas vezes assistimos é a proliferação do ódio, da inveja, da maldade, das mentiras e das intrigas entre cidadãos, militantes e partidos políticos. Essas práticas têm afastado muitos da política.

• Vivemos numa sociedade em que quase ninguém se sente satisfeito com o que é feito pelos governantes. Poucos querem contribuir com impostos, mas todos exigem que as suas necessidades sejam atendidas, não amanhã, mas hoje, e de forma imediata.

• As redes sociais tornaram-se, muitas vezes, espaços onde se expõe o ódio, a maldade, a inveja, a mentira, as intrigas e falsidades, em busca de “likes” e comentários vazios.

• Um post sério, responsável, fundamentado em dados, factos e análises, é frequentemente desvalorizado por comentários de baixo nível, feitos por pessoas sem qualquer conhecimento ou preparação sobre o tema em questão.

• Vivemos numa sociedade onde muitos defendem apenas os seus próprios interesses ou os do grupo ideológico a que pertencem, independentemente das consequências para o próximo ou para o país.

• Habita-se um mundo onde o “EU” é que conta não importam os meios utilizados para atingir o fim desejado.

Mais de 15 mil livros vendidos na Feira do Livro 2025

Os recursos arrecadados na segunda edição da Grande Feira do Livro serão destinados ao Plano Nacional de Leitura e à criação de novos prémios literários

O Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Augusto Veiga, anunciou este domingo, 13, que os recursos arrecadados na segunda edição da Grande Feira do Livro serão destinados ao Plano Nacional de Leitura e à criação de novos prémios literários.

O anúncio foi feito durante o encerramento da feira, que decorreu de 4 a 13 de julho, no largo do Memorial Amílcar Cabral, na Cidade da Praia.

O Ministro destacou o sucesso do evento, que contou com cerca de 4 mil visitantes e a venda de mais de 15 mil livros.

A edição deste ano, dedicada aos 50 anos da Independência, contou com o dobro de livreiros e editoras face ao ano anterior, com 33 estandes, 25 mil livros disponíveis e homenagens à escritora Dina Salústio.

Participaram ainda os escritores Germano Almeida e Luísa Sobral, em conversas literárias que enriqueceram o programa.

Avaria em Santiago, afeta abastecimento de energia em Achada Mato e Achada Limpo

EDEC confirma avaria este domingo, 13

Uma avaria ocorrida este domingo, na Ilha de Santiago, está a afetar o normal abastecimento de energia nas localidades de Achada Mato e Achada Limpo.

Segundo a EDEC, a situação se deve a uma avaria localizada entre os Postos de Transformação Achada Mato 2 e Achada Limpo 1.

“Devido a esta avaria, os PTs Achada Limpo 1 e 2 encontram-se temporariamente desligados”, informa a EDEC, em comunicado.

“A avaria, identificada em uma conduta subterrânea a cerca de 2 metros de profundidade, em zona de alcatrão, exige uma intervenção técnica minuciosa. Devido à complexidade do trabalho e à necessidade de meios específicos, os serviços de reparação estão programados para amanhã”, segunda-feira, 14, informa ainda a EDEC.

A reposição do serviço “será efetuada assim que todas as condições técnicas e operacionais estiverem reunidas”, reporta a empresa.

50 Anos de Independência – Faltou um Sincero Agradecimento ao Povo Guineense

1]Comemoraram-se os 50 anos de Independência de Cabo Verde. Entre alvíssaras e picardias, de modo geral, o cabo-verdiano comportou-se como o cabo-verdiano que é: um povo com mil virtudes e cem defeitos. E, entre os nossos defeitos, estão a memória curta e a ingratidão. Isso se explica facilmente pela razão maior que moldou a Nação cabo-verdiana: a fome.

 

[2]O povo cabo-verdiano — do alto ao baixo clero — é produto da fome. O nosso comportamento e atitude, tanto individual quanto coletiva, são frutos de mais de quatrocentos anos de fome cíclica. Da primeira grande fome em 1580 à última, entre 1946 e 1948, atravessamos um longo percurso de sofrimento. Nesta última, só a ilha de Santiago perdeu 65% da sua população, São Nicolau perdeu 28% e Fogo, 31%. Foi a fome que nos moldou e construiu enquanto indivíduos e enquanto coletividade. Durante quatro séculos, toda geração cabo-verdiana viveu pelo menos uma grande fome — e estas foram tão violentas que, por vezes, foi necessário “repovoar” algumas ilhas, como aconteceu na fome de 1719-1723, quando o Sal, Boavista e Fogo tiveram que ser repovoadas.

 

[3]Esse recorte histórico permite traçar o nível de trauma que este povo carregou para ultrapassar uma série de adversidades: a exploração humana, a pobreza extrema, a fome, as hierarquias sociais, os signos e os significados. Esses traumas ainda estão presentes. Principalmente, num comportamento que gosto de chamar de “a fila do sapo”. Explico: o cabo-verdiano pode ser paciente em muitas situações, mas tem enorme dificuldade em manter a paciência numa fila — seja do banco, do trânsito, ou de qualquer outro tipo. No trânsito, por exemplo, é comum vermos condutores com dificuldade em dar uma simples prioridade a quem dela precisa. Por quê? Porque vivemos a fome. Houve momentos em que a diferença entre estar vivo amanhã e morrer hoje dependia de um prato de sopa. Os famintos eram muitos e a sorte, pouca — centenas morriam diariamente. Nesse cenário, dar prioridade era uma questão de vida ou morte.

 

[4]Da mesma forma, essa vivência de fomes constantes nos obrigou a desenvolver uma memória curta, como estratégia de sobrevivência face à tragédia e à violência de viver aqui. Só com memória curta seria possível ao povo cabo-verdiano sobreviver a Cabo Verde. Por que era preciso esquecer a dor da Fome, do Sofrimento e da Pobreza.

 

[5]Acredito que já é tempo de entendermos de onde viemos e quem somos, para podermos curar as nossas feridas e melhorar os nossos defeitos. E por quê? Porque celebramos 50 anos de Independência, no entanto, em meio a todas essas comemorações, ninguém pareceu lembrar que a nossa independência é fruto de um sacrifício enorme do povo guineense. A Guerra de Independência custou a vida de aproximadamente 10 mil guineenses — entre soldados e civis.

 

[6]Esse facto não deveria ser negligenciado, pois o peso da Luta Armada foi quase totalmente suportado pelo povo da Guiné-Bissau. Nestes dias de euforia, nem mesmo a elite do PAICV — que se reivindica africana e independentista — teve a ombridade de reconhecer esse facto, o que reforça a ideia de que a unidade dos povos foi, talvez, uma utopia vivida apenas por Amílcar Cabral. Isso acaba por desmascarar a pretensão de que o PAICV seja verdadeiramente africano. Da mesma forma, a elite do MpD ainda não conseguiu curar a ferida da sua exclusão — e do pouco protagonismo — no primeiro momento da criação do Estado cabo-verdiano.

 

[7]Na verdade, o que se tem visto ao longo dos anos é uma disputa de protagonismo entre elites, uma corrida por ver quem será reconhecido como “o melhor filho da terra”, sobretudo diante do relativo sucesso que tem sido Cabo Verde. Nessa luta de egos, o país e a Nação ainda não deram à Guiné-Bissau o que lhe é devido. Precisamos fazê-lo, não apenas como um ato de gratidão, mas sobretudo como um gesto de elevação e de cura de dois dos nossos maiores defeitos: a ingratidão e a memória curta.