O meu apelo ao voto livre e consciente

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Escassos dias nos separam do dia em que os eleitores cabo-verdianos serão chamados às urnas para escolher quem deve dirigir cabo-verde pelos próximos cinco anos.

          

Estamos a falar de uma eleição de importância máxima, pois a escolha do dirigente máximo do País deve ser muito ponderada e baseada em pressupostos apertados.

Afinal, as nossas escolhas terão impacto não apenas no nosso quotidiano, mas no de toda a nação cabo-verdiana assim como, na vida de toda a nossa diáspora espalhada pelo mundo.

Sem prescindir que o futuro dos nossos filhos e dos netos serão impactados pela escolha que decidirmos fazer.

O nosso voto, portanto, tem que ser seguro, reflectido, livre de qualquer forma de condicionamento e sobretudo consciente.

Decidir correctamente impõe, antes de tudo, conhecer com clareza os programas eleitorais, a performance dos candidatos, mas também, não menos importante, saber avaliar a capacidade de liderança dos pretendentes ao cargo de Primeiro-ministro de Cabo verde.

Além do mais, importa também trazer para a nossa ponderação alguns factores que concorrem para que o nosso balanço seja feito num quadro de justiça e de igualdade de circunstâncias.

Em abono da verdade, fazendo jus ao princípio da igualdade para que possamos exercer de forma justa o nosso direito de voto devemos fazer aquilo que o Professor Gomes Canotilho designou chamar «dever de compensação positiva da «desigualdade de oportunidades», ou seja, não podemos comparar de forma igual situações desiguais».

Na verdade, há quem tenha navegado quinze anos em águas calmas e num quadro de perfeita normalidade, prometendo soluções para problemas que nunca conseguiu resolver e, em alternativa, há quem tenha herdado e carregado às costas o ónus de encontrar solução para os problemas que os outros deixaram não obstante, em apenas um mandato ter governado o país num contexto completamente diferente e ainda por cima sob um clima de permanente desconfiança aliado a uma actitude de negação constante nunca visto em cabo-verde mas, mesmo assim, conseguiu, com mestria colocar o comboio no caminho seguro rumo ao desenvolvimento.

Importa também lembrar que as nuvens ameaçadoras de insinuações que pairaram sobre o País e que visavam descredibilizar o governo junto dos seus principais parceiros e entidades externas foi igual ou pior do que os três consecutivos anos de seca severa que assolou cabo-verde e, como não se bastasse, a chegada da terrível pandemia da covid-19, facto este, que fez parar a economia mundial explica de forma convincente a redução do ritimo de crecimento económico em que o país se encontrava.

Mesmo assim, cabo-verde seguiu em frente graças ao talento e à visão de uma liderança inteligente, segura e confiável, mas também, porque os cabo-verdianos mantiveram-se tranquilos e confiantes na capacidade de liderança de Ulisses Correia e Silva.

Perante as evidências mencionadas e parafraseando Barack Obama diria que estamos aqui porque escolhemos a esperança em vez do medo; a coesão em vez do conflito e da discórdia e porque queremos no dia 18 de abril proclamar o fim das questiúnculas e da desconstrução da verdade baseado em dogmas falsas que tem asfixiado a politica cabo-verdiana nos últimos tempos.

«Somos uma nação jovem, mas, chegou a hora de estancarmos as infantilidades, chegou a hora de reafirmarmos o nosso espirito de resistência e colocarmos em prática a promessa divina de que todos são iguais, todos são livres e todos merecem a oportunidade de tentar obter o seu devido quinhão de felicidade na politica ou em qualquer outra área de atividade sem excluir ninguem» .

«O nosso percurso não pode ser feito de atalhos, nem de experiencias ou contentamento com pouco assim como, não pode ser o caminho dos timoratos ou dos que preferem a desgraça à segurança ou aqueles que procuram apenas os prazeres da riqueza e da fama».

Com isso, quero apelar ao voto consciente, voto esse que seja em benefício de cabo verde e dos cabo-verdianos e que seja exercido a pensar sempre em vantagens colectivas e não em vantagens individuais, pois, nunca devemos questionar o que ganhamos individualmente votando no MPD ou noutro partido qualquer.

Por fim, diria que a nossa esperança deve estar focada no resultado que o nosso voto livre e consciente possa produzir na vida dos homens e mulheres livres de um País democrático como Cabo-verde.

1 COMENTÁRIO

  1. Nessas eleições, salvo o bom trabalho, às vezes até enfadonho, da TCV/RCV/Inforpress, parece que o jornal https://www.opais.cv é único que decidiu dar visibilidade às ações de campanha dos dois maiores partidos. O Expresso das Ilhas decidiu fazer a cobertura das campanhas eleitorais no “ar condicionado – AC”. Por isso, só reproduz as notícias que chegam ao jornal através da Lusa ou da Inforpress. Mas calma aí: tem de ser preferência as “boas” notícias relacionadas ao Paicv e contra o MpD, melhor ainda. O jornal não sai às ruas, não escuta as pessoas e os candidatos, seus jornalistas não sujam nem os pés nem a indumentária. Um jornal chique. Só atende à clientes exigentes! Seus jornalistas não podem apanhar a poeira dos bairros solarentos. Contas feitas, caso o Paicv vença as eleições (como é desejo do jornal!!), o mesmo já garantiu a recompensa por “uma certa neutralidade-militante-activa” que permite ao jornal abocanhar alguma propaganda do Paicv e do Estado enquanto o Semana não ressuscitar. Para o jornal Nação, são umas eleições entre o partido (paicv) e o outro partido, no caso o Paicv. Só há notícias se for do agrado do dono. Seus jornalistas Alexandre Semedo, Daniel Almeida, José Vicente Lopes e Augusto Sanches já decidiram que trabalham para o Paicv e como tal, sobre a verdade, logo se vê. A boa mentirinha à moda da JAAC e do Paicv, é tudo que interessa. Selosos, até enfrentam o Fundo Monetário Internacional, com “mentiroclastia” económica. O Semana é coerente. Nessas eleições, como em todas as outras, decidiu que como tempo do partido único é uma eleição com um único partido – o Paicv!

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